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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Si Phan Don, um arquipélago no largo coração do Mekong

Eis o tempo ideal para uma viagem pelo Sul do Laos, onde o Mekong se alonga até quase parecer um lago e a memória khmer vive no complexo religioso de Vat Phou, o equivalente de Angkor em terra laociana.

Por ora, as paisagens mais meridionais do Laos ainda conservam uma paleta de verdes cintilando sob uma campânula de luz claríssima. Mas daqui a alguns meses será como atravessar a savana africana — a estiagem virá transfigurar o cenário e o cinzento dos matagais há-de arder ao sol, só suspenso aqui e ali por um ou outro arrozal à beira do Mekong.



Desde Savannakhet, a porta de entrada para o Sul do Laos para quem vem da Tailândia, via Ubon Ratchathani, ou do Vietname, pela fronteira de Lao Bao, até chegar a Pakse, o caminho mostra o rosto de um país que se tem mantido arredado do boom de desenvolvimento dos seus vizinhos (à excepção do Camboja), os designados “tigres asiáticos”, nas últimas décadas, apesar da retórica grandiloquente — e com explícito e copioso vocabulário neoliberal — produzida em Vienciana pelo poder (ainda) comunista, que mantém um sistema monopartidário e uma centralização política e administrativa mas liberalizou uma parte da economia. Nos cartazes de propaganda estampados à beira do Mekong, na capital, há arranha-céus de papel, mas tais projecções quiméricas não chegaram a este Sul mais ou menos remoto.

Aqui abundam aldeias de casas rústicas assentes em estacas de madeira, “à prova” dos vendavais e inundações da monção, a maioria em madeira com coberturas de palha muito inclinadas para fazer face aos dilúvios sazonais da estação das chuvas. Outras, poucas, são de alvenaria e exibem-se pintadas de cores berrantes, porventura para reforçar urbi et orbi o estatuto possidente dos inquilinos, quase todas elas com frontões triangulares à maneira das fachadas dos templos.

Os meios de transporte afinam com a elementaridade reinante: apanha-se um autocarro caduco, mas lesto, em Savannakhet, a transbordar de quilometragem e passageiros e tralhas, e a meio da viagem através da savana um pneu cansa-se e estoura com a solenidade de um foguete tradicional, sem que entre os viajantes avulte qualquer sobressalto ou alguém pestaneje. Espera-se com oriental paciência ao sol enquanto outro pneu sai lá dos derradeiros assentos, rolando por cima das bagagens entrincheiradas no corredor do autocarro. Em cada paragem, para provimento dos passageiros, lá acorre o pitoresco das vendedoras de espetadas e outros petiscos fumegantes a passearem dentro da nave.

Em Savannakhet o Mekong já se apresenta com amplidão, mal se avistando a outra margem. O mesmo em Pakse, onde um afluente, o Nam Sedone, vem engrossar o caudal que, mais adiante, na região de Si Phan Don, atingirá o seu expoente máximo — durante a monção a largura pode ultrapassar os dez quilómetros. Aí, o Mekong, um dos maiores rios da Ásia, bem se assemelha a um lago, sobretudo se já passaram as enchentes torrenciais da monção e se descontarmos os braços por onde as águas rolam em rápidos e tombam em cascatas, perto da fronteira com o Camboja.

Pakse é o ponto de partida para a última etapa até Si Phan Don e é uma base com infraestruturas minimamente adequadas para se preparar expedições a outros lugares de interesse do Sul do Laos, como o planalto de Bolaven, região montanhosa de clima temperado povoada por cafezais e impressivas quedas de água e cada vez mais popular entre os ecoturistas, e o complexo religioso de Vat Phou, que concilia arquitectura khmer e hinduísmo.

Ilhas no fim do mundo

Si Phan Don, que na língua local significa “quatro mil ilhas”, não é a região mais remota do Laos — nos últimos anos tornou-se, aliás, uma zona de passagem para o Camboja para quem não queira dar a volta pela Tailândia e entrar pela fronteira de Poipet ou andar a cirandar pelo Vietname até Ho-Chi-Minh e a partir daí navegar pelo Mekong até Phnom Penh. Mas os trâmites de fronteira em Strung Treng e o sistema de transportes, distantes da débil regulação do poder central de Vienciana (um paradoxo, sendo o Laos, oficialmente, um país comunista) e sujeitos a arbitrariedades, não facilitam a vida dos viajantes, pelo que uma boa parte dos forasteiros que aqui vem parar fá-lo essencialmente em busca de experiências de turismo cultural ou de ecoturismo.



Outro atractivo deste imenso arquipélago de incontáveis ilhas e tão longe do mar, além dos trekkings nas áreas protegidas do planalto de Bolaven, é a possibilidade de observação de golfinhos (da espécie Orcaella brevirostris), uma comunidade em forte declínio no Mekong (restam cerca de 80 em Si Phan Don, segundo o World Wild Fund) que tem sido objecto de iniciativas de protecção por parte de várias entidades, como o WWF. Uma das ameaças que se perfilam no horizonte é, precisamente, a do megaprojecto hidroeléctrico de Don Sahong, planeado para um local próximo da fronteira com o Camboja e apenas a cerca de um quilómetro do habitat dos golfinhos.

O número de ilhas e ilhotas varia de acordo com a estação e o volume do caudal do Mekong. Só algumas das ínsulas são habitadas e as escolhas dos visitantes são condicionadas também, sem estranheza, pela oferta (ou falta dela) de animação de carácter turístico e pela oportunidade de uma aproximação à vera vida e ambiência local, sem aquela crescente decoração espaventosa do turismo “alternativo”, que ameaça padronizar festivamente todos os cantos do globo ao som do chillout. Sem exagero, Don Khong e Don Det (e a sua “irmã gémea” Don Khon, um tanto maior e mais tranquila) estão em pólos opostos.

A primeira, a mais espaçosa das ilhas deste vasto arquipélago fluvial, é um oásis, quase sem automóveis e forasteiros, um oásis tão abençoado para se repousar das extenuantes jornadas pelo Laos quanto para pedalar (literalmente) pelos cénicos palcos onde se desenrola a vida rural local. Don Det e Don Khon são vizinhas (estão ligadas por uma velha ponte ferroviária do tempo colonial agora convertida em passeio pedonal), são mais frequentadas por turistas (mais a primeira do que a segunda) em busca de cenas trendy e dispõem de maior oferta de alojamento e diversão — basicamente bares, restaurantes e esplanadas à beira do rio úteis para cultivar preguiças ao sol. Don Daeng pertence a outro capítulo: localizada mais perto de Vat Phou, conserva ciosamente uma atmosfera rural, sem veículos automóveis (salvo alguns pequenos tractores agrícolas) ou sinais excessivos de descaracterização arquitectónica. Caminhadas ou passeios de bicicleta (a ilha tem cerca de doze quilómetros de extensão) e estadias no lodge comunitário ou em regime de homestay na aldeia de Ban Hua, com degustação de comida caseira, são argumentos de monta para se estanciar alguns dias nesta ilha.

As van japonesas e sul-coreanas que saem de Pakse para Don Det podem fazer, a meio caminho e a pedido de passageiros transviados, em trânsito a contracorrente, um desvio de dois ou três quilómetros desde a estrada principal até ao lugarejo de Hatsay Khoun, na margem do Mekong. Depois, basta esperar arrimado a uma canoa ou à sombra de uma árvore até aparecer um barqueiro que nos leve até Don Khong, mais exactamente até ao povoado de Muang Khong, um aglomerado com pouco mais de uma vintena de casas, algumas suspensas sobre estacaria fincada rente à água, e um templo budista. É aí que está concentrada a oferta de alojamento da ilha, paredes-meias com um punhado de restaurantes debruçados sobre o rio.

A travessia, feita numa pequena barcaça a motor, dura menos de dez minutos. Sombat, o barqueiro desta circunstância, que será das poucas pessoas que no Laos ainda falam francês, é célere em propostas proveitosas para o viajante: ficam duas navegações combinadas para os dias que se seguem, às ilhas de Don Det e Don Khon (não confundir com Don Khong), para visitar as cascatas de Som Pha Mit, e a Don Daeng.




Ao primeiro dia de estância em Muang Khong, a “capital” da ilha, calha um far niente de averbar graças ao espírito cansado das vertigens da longa viagem desde Da Nang, à beira do agora distante Mar da China. Como na fala dos aborígenes do Canto Nómada, de Chatwin, é preciso parar um certo tempo para se esperar pela alma, ou coisa que se assemelhe e faça as suas vezes, que foi ficando para trás. A vista da enorme varanda do hotel é um bálsamo. Quase todas as pousadas da ilha têm este cenário impoluto a decorar a placidez de Muang Khong: o rio, amplíssimo como um lago, um espelho emoldurado por vegetação de onde sobressaem aqui e ali os pináculos ovalados e brancos das stupas budistas.


O rio é a vida

Um par de dias é pouco para o tanto que há para ser admirado. Mas as bicicletas alugadas nos pequenos hotéis ribeirinhos dão uma ajuda e as mil e uma voltas pelos caminhos de terra da ilha põem o viajante em intimidade com o mundo campesino de Don Khon: arrozais e arrozais, búfalos cinzentos a rebolar-se na lama, breves aldeias com casinhas de tábuas cobertas por telhados de zinco e assentes em estacaria, miudagem a chapinhar no Mekong em algazarras de fim de tarde, o povoado de Muang Saen e os seus mercados de rua, do outro lado da ilha, música tocada no khene, um instrumento tradicional de sopro muito popular no Laos, em melodias a escapar-se das casas de portas sempre abertas, templos budistas plantados à beira do rio, silenciosos e luzentes, a brilhar entre palmeiras e vegetação exuberante.

As navegações de barcaça alimentam outros retratos, que o viajante levará consigo quando deixar este arquipélago do fim do mundo da terra laociana: barcos e barquinhos para cima e para baixo, uns largos e outros com a forma de esguias canoas, ágeis a atalhar a corrente, uns com gente apenas e outros com mercadorias, sortida tarecada e motoretas, pescadores a lançar as redes, o casario em paliçada alinhado nas margens, um pintor a avivar as cores de um casco tão entretido que não ouve quem chama por ele. Isso tudo e muito mais, como o barqueiro Sombat a atracar numa ilha para recolher a filhota à saída da escola e passar-lhe o leme por uns curtos minutos, já no largo coração do Mekong.

Aqui tudo, ou quase tudo, se faz à volta do rio ou com a sua bênção. “O rio é a vida”, diz Sombat a propósito do que consta sobre o projecto hidroeléctrico que, ao que parece, transformará irremediavelmente o ecossistema de Si Phan Don e poderá provocar insegurança alimentar a um universo de cem mil pessoas, para além de perturbações nos sistemas hídrico e geológico. Negócios multinacionais pouco claros: é o que sugerem várias organizações ambientais que lançaram campanhas para bloquear a iniciativa.



Ao fim de uma semana de andanças anfíbias, entre barcaças e bicicletas e caminhadas ao longo das margens do Mekong e dos arrozais, o retorno à varanda do hotel assemelha-se a um regresso a casa, a uma casa sazonal, como as dos pastores nómadas, familiar e reconhecível mas sem o ónus de jaula dourada: um lugar afável, enfim, onde se pousa, brevemente, o corpo e o cansaço. Neste penúltimo dia de estância em Don Khong, assente já com Sombat o transbordo para Hatsay Khoun, onde uma van me levará a Champasak (outro povoado ribeirinho rodeado de arrozais e templos), o barqueiro quer saber quantos são os rios percorrem a Europa. Muitos, tantos, pequenos e médios e grandes, que daria uma trabalheira contar. Ao lusco-fusco, com milhares de insectos magnetizados pelas luzes da esplanada de ripas sobre a margem, arrisco o cálculo, ou a hipérbole: todas as suas águas juntas não encheriam o Mekong. E quando Sombat me estende a mão e se despede, até ao amanhecer do dia seguinte, volta a lembrança de um instante da véspera, quando o barco era como mais uma ilha, mas em movimento, um instante aceso pela imagem da pequena Kimo ao leme. Sombat tinha as mãos livres, os olhos fixos na corrente, e disse, sem olhar para ninguém: “O rio é a vida.”

Shiva antes de Buda

A pouco mais de uma dezena de quilómetros da aldeia de Champasak e a cinco das margens do Mekong, encontra-se um dos recintos históricos mais antigos e valiosos do Laos, o complexo religioso de Vat Phou, um espaço arqueológico que pode constituir um inestimável e muito significativo complemento da viagem a Si Phan Don.

O conjunto monumental de Vat Phou é anterior a Angkor e as suas raízes recuam até ao século V, muito antes da consagração do Budismo no território que viria a ser o do Laos. Ainda que na arquitectura dos templos a marca cultural khmer tenha uma presença forte (os edifícios principais datam dos séculos XI a XIII, mais ou menos o período áureo de Angkor), é uma visão do mundo de origem religiosa hindu que a sua planificação e inserção na paisagem configura. Como se faz notar no documento da UNESCO que sustenta a classificação de Vat Phou (e da paisagem cultural de Champasak) como Património Mundial, para além de excepcional testemunha das culturas que dominaram a região do Sudeste Asiático durante vários séculos, o complexo foi concebido de forma a expressar a visão hindu sobre as relações entre natureza e humanidade através de um longo eixo traçado entre a montanha e as margens do Mekong e de uma geometria padronizada de edifícios religiosos, numa extensão de cerca de dez quilómetros.

A visita ao museu é fundamental para uma percepção da riqueza cultural do sítio (estão ali expostos elementos arquitectónicos e escultura, entre outros objectos). Vale a pena, também, subir a colina, não apenas por causa das ruínas que por ali sobrevivem, mas também pela vista que se tem sobre todo o complexo e a imensa planície verde que se estende até Si Phan Don.

A montanha Phou Kao chegou a acolher um templo primitivo, entretanto desaparecido. O santuário principal, que tem vindo a ser objecto de restauro desde 1991, foi dedicado a Shiva. Não por acaso. O cume da montanha terá sido, então, interpretado como um símbolo fálico, associado nas narrativas sagradas hindus ao deus Shiva.


GUIA PRÁTICO

Como ir

A opção mais directa é apanhar um voo em Paris ou em Frankfurt para Vienciana, via Banguecoque ou Kunming, no Sul da China. A partir da capital do Laos há voos domésticos para Pakse. Há também autocarros diários para a capital da província de Champasak, que fica a quase 700 quilómetros de Vienciana, o que implica uma longa viagem de mais de dez horas. Outra opção é voar de Paris para Ho-Chi-Minh e apanhar aí uma ligação para Pakse. A partir de Banquecoque, há também ligações ferroviárias para Ubon Ratchathani, que fica perto da fronteira com o Laos, e daí autocarros diários para Savannakhet.

Quando ir

A estação seca — entre Outubro e Maio —, é a época mais propícia para viajar pelo Laos. O período que decorre de Novembro a Março é caracterizado por temperaturas mais moderadas.

Onde ficar

Em Don Khong, junto ao cais, há uma série de alojamentos para várias bolsas. Apesar de a oferta não ser tão extensa quanto em Don Det ou em Don Khon, se não for época alta não é necessário fazer reserva — a frequência turística é moderada. Muito perto do cais está o Pon Arena Hotel, uma das melhores opções (tel.:856 310253065; fax: 856 0310253066; email pon_arena@hotmail.com). Em Don Det, a cinco minutos da ponte que une a ilha a Don Khon, fica o River Garden Bungalows, que tem uma agradável esplanada sobre o rio (tel.: 856 207701860, email info@rivergardenlaos.com). Em Don Daeng, o La Folie Lodge, com os seus amplos bungalows em madeira, representa uma oferta num segmento superior e está envolvido em projectos de desenvolvimento comunitário na ilha (tel.: 856 20 55 532 004; email info@lafolie-laos.com; mais informação em http://www.lafolie-laos.com).

Informações úteis

Os cidadãos portugueses podem obter visto para o Laos à entrada. Normalmente o prazo de validade é de 30 dias. Mais informações em www.portaldascomunidades.mne.pt. Não há bancos ou caixas automáticas, pelo que convém levar dinheiro suficiente para a estadia. Alguns alojamentos fazem troca de divisas — dólares ou euros —, mas as taxas de câmbio são muito pouco aliciantes.

Fonte: Fugas

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Cambodja: a voar por cima das águas


Uma jornada de barco de Siem Reap a Battambang, ao longo do lago Tonlé Sap, um ecossistema ímpar no mundo. E uma viagem no tempo até um santuário inspirador.
Siem Riep, a porta de entrada de Angkor, cresceu na proporção do acréscimo de popularidade da antiga capital khmer e da expansão dos fluxos turísticos para a região. É o principal suporte logístico para os mais de dois milhões de visitantes que Angkor recebe em média por ano e tem, também, os seus próprios atractivos, mesmo se um punhado se confina a um tipo de animação comum noutros lugares – os bares em espaço aberto com música ao vivo de (presumível) agrado dos forasteiros, a comida de rua, as barraquinhas de batidos de fruta tropical a um dólar e, ainda, as sopas vegetarianas da gastronomia khmer e o sempre bem apimentado lak lok, noutros algures mais populares e mais afastados da excitação turística.  
Em todo o caso, Siem Reap, para além dos preâmbulos hedonistas que antecipam o mergulho na selva de Angkor, pouco tem para cativar o turismo cultural. Para um complemento da visita à antiga capital khmer, é preciso arriscar uma aventura por um território militarizado, ainda há pouco tempo palco de confrontos entre os exércitos da Tailândia e do Camboja, na província de Preah Vihear, uma região em que os khmers vermelhos resistiram muito para além da queda do regime de Pol Pot, deixando a mortífera herança de campos que ainda hoje permanecem por desminar.
Após longas horas de solavancos, embarcados nas velhas carripanas Tata dos transportes públicos cambojanos, chegamos à fronteira tailandesa e ao templo Preha Vihear, um brilhante exemplo da arquitectura khmer. O Preha Vihear mantém-se objecto de disputa entre o Camboja e a Tailândia, tendo relançado o desentendimento entre os dois países em 2008, o ano da sua classificação como Património Mundial pela UNESCO.
Mas não se ocupa agora a narrativa com essas andanças pelo extremo norte do Camboja. Vai o viajante noutra direcção, a de poente, animado por outras seduções. Viu Angkor, já sem a ingenuidade de António da Madalena – o português que foi o primeiro europeu a meter-se por aquelas selvas –, e agora dá-lhe para ir espreitar o milenário templo de Banam, lá para os lados de Battambang.
Abala de autocarro ou de barco, navegando através do lago Tonlé  Sap? Tem de desempatar até ao cair da noite, aconselha o patrão da guesthouse, que se declara pronto para mandar vir o bilhete através de um daqueles esquemas locais, muito propícios, que permitem à hotelaria do Sudeste Asiático facilitar a vida aos viajantes.
O Tonlé Sap desfaz a hesitação com o trunfo de uma proverbial singularidade do ecossistema. Isto ouviu dizer, ou leu em fonte esquecida, o viajante, que pouco mais sabe quando chega a hora de pousar os pés no barco. Vai, enfim, e depois de umas semanas a cismar na viagem, dar uma vista de olhos ao lago. Consigo leva um pdf da UNESCO para se inteirar do assunto ao longo da navegação – assim como quem se prepara com um romance policial para um cruzeiro de luxo.
Au revoir, dear Mr. Ho
Mal amanhece, ainda com as primeiras cantorias da passarada, somos recolhidos por um tuk-tuk  à porta da Oral d'Angkor Guest House. Sanae Kondo, uma japonesa de Okinawa que se prepara também para a aventura da jornada aquática pelo Tonlé Sap, pousa a mochila no veículo e faz um aceno de despedida a Mr. Ho-Chi-Minh, como ela gosta de se referir ao anfitrião daguesthouse, com quem se entretinha às vezes a falar em "franglês", mesclando o seu ágil inglês com um francês muito assim-assim. Mr. Ho, circunspecto e venerável na sua barbicha prateada, pontiaguda, olhos miúdos e expressão pensativa, acaba de cumprir as suas orações matinais à beira de um incensário budista, num canto do pátio, a dois metros da mesa de bilhar.
Sorri com o olhar um sorriso reservado, quase invisível, mas desses que nos ficam na memória até ao último dia de vida, e suspira em voz baixa: "Au revoir mes amis, bonne journée". Muito pouca gente fala francês na Indochina, do antigo colonizador sobraram sobretudo a arquitectura e os croissants. Um exagero? Apenas um nada de quase nada – às vezes o estilo obriga a um inócuo il faut dire n’importe quoi. Afinal, dos mais ou menos inimigos que bombardearam com prodigalidade os vizinhos da região – os Laos e os Vietnames – ficaram também a língua de Shakespeare, a desbaratar a de Hugo, os refrigerantes apátridas, os bares com nomes como Apocalipse Now. E Sodomas neo-capitalistas ilustradas com bandeiras vermelhas guarnecidas com uma foice e um martelo: Sanae tinha chegado uma semana antes de Saigão (Saigon, ainda, para muitos vietnamitas) e contara-me o que mais a tinha impressionado na agora estância de férias de veteranos de guerra norte-americanos e outros turistas nostálgicos de novidades aventurosas, orientais, exóticas.
O barco vai de saída
No cais da aldeia de Cheong Khneas, a uma dúzia de quilómetros de Siem Reap, há muitos barcos – de passageiros ou simples canoas de pescadores – ancorados. Os viajantes são encaminhados aleatoriamente para os três que estão prestes a navegar para Battambang. Perco-me de Sanae, que avisto depois sentada sobre a cobertura de uma barcaça de madeira, numa vaga posição de ioga e encostada à mochila com o seu eterno sorriso de Buda indiferente ao mundo. Sento-me também sobre o tejadilho de um batel altamente suspeito quanto a questões de segurança: esguio, madeira colorida de fresco a cobrir as cicatrizes  de muitas monções debaixo de chuva. O tejadilho do Chann Na enche-se até já não haver espaço para esticar as pernas, as mochilas dos backpackers ajeitadas para fazerem de almofadas durante as dez horas de viagem ao sol até Battambang, capital de uma das províncias mais ocidentais do Camboja, confinante já com o Golfo da Tailândia.
Largamos numa algazarra de cordas a voar e gritaria, e durante a primeira meia hora o Chann Na parece uma jangada arrastada por um fluxo de águas barrentas desde o canal de Cheong Khneas. Atravessamos depois, ao longo de mais de uma hora, uns corredores estreitos entre vegetação flutuante ou enraizada entre fugazes pedaços de terra aqui e ali visitados por canoas de gente à pesca. Passamos devagarinho por estes canais e assusta-se a passarada, um ou outro peixe salta desafiante, há dois, talvez três, passageiros que arriscam o desequilíbrio numa fotografia atrevida. O alvoroço tem fundamento neste mundo inscrito parcialmente na lista da Convenção de Ramsar e depositário de uma muito citada biodiversidade.
Mais adiante, à saída de um canal sitiado por vegetação arbustiva mais densa, o horizonte amplia-se de rompante e o vasto espelho azulíssimo do lago Tonlé Sap, um céu debaixo de outro céu, faz a sua aparição num além ainda um pouco distante. É para lá que se aguça a proa do barco, que se apressa agora mais ligeiro, como se a voar por cima das águas, como diria Fernão Mendes Pinto, que por bandas próximas daqui andou também velejando, há uns quatro séculos, no seu caminho de Patane a Ayutthaya, a então capital do reino do Sião.
Endereços que mudam
A primeira aldeola flutuante, se não se contar Cheong Khneas, o porto de partida: casinhas móveis, flutuantes, com telhados de zinco, uma igrejinha azul, casebres com ar de galinheiros onde mora gente, um edifício governamental todo janota, muitos barcos nas suas fainas de pesca e de transporte de mercadorias deslizando por uma larga avenida de água, crianças brincando nos únicos quintais possíveis, metidas em grandes bacias de alumínio a fazer de barquinhos de brinquedo.
A vida corre toda sobre a água neste mundo de gente anfíbia que muda de endereço quando muda a estação: durante a monção, com a subida das águas, o casario troca de poiso e de configuração, um pouco como acontece com as aldeias flutuantes dos Uros do lago Titicaca, nos Andes. É gente anfíbia e mais aquática do que outra coisa. Vão a terra uma ou outra vez, mas quase tudo se faz de barco. Vai-se às compras de barco, como aos templos, à igreja cristã e azul, a casa dos vizinhos, à escola. Com as suas mochilinhas e as fardas do regulamento, lá vai a petizada toda a remar.
O Tonlé Sap, classificado como Reserva da Biofera desde 1997, é tudo para esta gente. Não é apenas a maior reserva de água doce do Sudeste Asiático; é também uma imensa reserva de pesca, uma das mais fecundas do mundo. Está agora ameaçado pela pressão excessiva das actividades piscatórias – tragicamente o único recurso disponível para as populações das aldeias flutuantes dispersas pelo lago. O governo legisla constrangimentos, reproduzindo as lógicas de conservação habituais entre os sítios classificados como Reserva da Biosfera – mas sem outros programas de compensação eficazes, o ciclo de pobreza tende a agravar-se. Num tão belo cenário, de abundância ameaçada, o que não fica nas imagens digitais dos viajantes em trânsito é o que Wang Jian, um jornalista de Singapura que segue também a bordo do Chann Na, sintetiza no que para ele poderá ser o título adequado para a reportagem que tenciona escrever para um jornal de Singapura: The dark side of the lake.
Miradouro em movimento
Às tantas, a tarde a meio e dissipadas as sete hipotéticas horas de jornada, na previsão mais ilusionista, vai uma parte dos passageiros inconsolável já de demasiada aventura, ou da falta dela, encurralada a expedição numa peganhosa monotonia... Um ramerrão enfadonho – há-de matutar a sonolência de uns quantos, a cabecear com o calor e o balanço –, este de só água e céu a vista alcançar e de os barcos só ao longe se darem a ver, que nem neles os indígenas se distinguem ao estender os braços no arremessar das redes, vagas silhuetas, apenas, em contraste com o clarão da linha do horizonte. Uns dormitam, numa aflição de (não) ver o tempo passar, tão calaceiro, outros recolhem-se, alheados da viagem, em leituras de best-sellers.
A dormência da luz, a humidade tropical e o sono quase fazem perder a transição: de um momento para o outro navegamos outra vez num braço de água, de novo enlameada, furando entre barrancos baixos e caniçais, num lanço a contra-corrente. Subimos agora o rio que vem de Battambang, o Sangkae, um dos muitos cursos de água que alimenta a reserva do Tonlé Sap. O motor da lancha ronca e as margens devolvem-nos um eco cavo e contínuo, belicoso, nada bucólico. É por estas bandas que se aclara a causa do desagrado dos pescadores locais por estas pitorescas jornadas de desocupados estrangeiros: enrolam-se as redes nas hélices intrusas e depois de arrastadas pausas para as libertar, com a barca a sacudir-se em espasmos, para ali ficam, rotas, retalhadas, sob o mirar submisso dos fotogénicos nativos.
Para um vago apaziguamento desta rudeza de cenário precisaremos de atingir, mais adiante, trechos abertos para o horizonte, onde panoramas mais desafogados nos darão a ver a faina dos camponeses, os campos amanhados para a sementeira do arroz, o labor de crianças e mulheres curvadas sobre a terra. Diante do barco – um espantoso miradouro em movimento – vai desfilando nas margens o casario repousado em estacas, construções em palafita tão comuns nestes sítios quanto as casas flutuantes que deixamos para trás, no lago: pobres e altivas, parecem elas próprias acenar-nos com tanta hospitalidade como os seus inquilinos, especados nas margens com canas de pesca, grandes bacias, enxadas ou um chapéu de palha nas mãos.
Um rio que corre às avessas
À volta do lago, o ecossistema inclui pântanos, terras aráveis, planícies que durante uma parte do ano se cobrem de plantações de arroz. Consoante a época, o cenário varia significativamente. A monção carrega os afluentes de água que fazem crescer o tamanho do lago. Mas há outro fenómeno hidrológico a pesar no aumento da área do Tonlé Sap para cerca de cinco vezes mais. Como o Mekong não consegue escoar, na zona do delta, o caudal inchado pela monção, ocorre um fenómeno de inversão da corrente no rio Tonlé Sap, um afluente homónimo que o liga ao lago. As águas excedentárias acabam por retornar, obrigando o Tonlé Sap  a correr às avessas e a contribuir para a ampliação exponencial do lago que sobrevém durante a monção. Desse rio, e das torrentes que avolumam o Mekong, já Camões nos dava conta no Canto X de Os Lusíadas, ao referir-se ao grande curso de água que atravessa a região: “Vês, passa por Camboja Mecom rio, / Que capitão das águas se interpreta; / Tantas recebe d’outro só no Estio, / Que alaga os campos largos e inquieta…”.
Tudo isto, versos à parte, se pode ler no tal pdf da UNESCO, razoavelmente minucioso e graficamente brilhante. Os números não são, todavia, eloquentes para (mais do que entender) sentir a imensidão oceânica deste pedaço do Camboja e a fragilidade da vida de quem come diariamente o pão que o diabo amassou mas porfia em ser fiel a esta singular pátria aquática.
Anoitece quando nos aproximamos de Battambang, após umas extenuantes dez horas de navegação. O cenário, mal iluminado pelo lusco-fusco, mostra as margens do rio Sangkae cobertas de palmeiras, enquanto uma neblina rasa desliza sobre o rio, onde a petizada anda chapinhando com grande alarido. Noutros rios, como no curso do Mekong através do Laos e do leste do Camboja, é a mesma coisa: o fim da tarde, hora de mais brando calor, é um tempo de reinação para a miudagem.
Ao desembarcar descobri que a lancha em que viajou Sanae chegou mais cedo – não foram tantos os percalços com as redes dos pescadores. Ela espera-me no cais de Battambang e é já noite cerrada quando nos despedimos de Wang. Um tuk-tuk deixa-nos à porta da Shangai Guesthouse e fica combinado que, no dia seguinte de manhã, Prak, o condutor, nos levará até ao templo de Banan, nos arredores da cidade. Mas só após um pequeno-almoço cambojano a tomar no velho mercado de traço arquitectónico colonial. Não podia imaginar, naturalmente, mas seria aí que travaria conhecimento com Achariya, uma cambojana descendente dos portugueses que se instalaram no país no final do século XVI e que acabaram por se tornar conselheiros e ministros do rei – e, mesmo, por fazer parte da família real.
Angkor e a costela de Banan
Ir a Roma e não ver o Papa. A expressão define o que seria uma viagem ao Oriente – ao Sudeste Asiático, particularmente – e não conhecer Angkor, símbolo do esplendor da civilização khmer e das vicissitudes históricas da região.
A antiga capital do reino khmer não foi apenas um importante centro político e religioso, foi também um produto de uma fusão cultural e arquitectónica que integrou referências hindus (a Índia legou expressivas matrizes culturais e religiosas a toda a região) e budistas, tendo a sua arte exercido profunda influência sobre manifestações artísticas em quase todo o Sudeste Asiático.
O fascínio que exerceu sobre viajantes de outros tempos pode bem ser aferido pelos termos da descrição que o cronista Diogo do Couto redigiu, a partir das notas de António da Madalena, o frade capuchinho português que terá sido o primeiro ocidental a ver Angkor, por volta do final do século XVI. O historiador português fala de uma “formosíssima cidade” e de um templo “estranho”, a que nenhum outro se poderia comparar em todo o mundo e que nenhuma pena seria capaz de descrever. Por ironia, o texto – a Relação de Angkor – não seria incluído na publicação da sua obra em Portugal. Outros missionários portugueses visitaram nessa altura Angkor e o Camboja, mas o trabalho de evangelização não foi fácil numa terra de sólidas convicções religiosas. Sobre isso desabafaria Gaspar da Cruz (que passou pelo Camboja a caminho das terras do Império do Meio) no seu Tratado em que se contam muito por extenso as cousas da China: “Como quer pois que os brâmanes sejam a mais rija gente de converter, por ser mui pegada a seus ritos e idolatrias sendo el Rei brâmane e seus estimados e mais privados brâmanes, é este um mui grande impedimento naquela terra para se poder fazer cristandade”.
O templo de Angkor Wat é apenas um dos que se conservam no vasto conjunto que reúne uma infinidade de edificações de carácter religioso – como os templos Bayon (conhecido pelas seus colossais rostos de pedra) e Preah Khan (o das raízes devorando os edifícios) – e civil (estruturas hidráulicas e extensos caminhos nos meandros da selva). Alguns destes templos foram objecto de restauro (não sem alguma polémica) pelo Archaelogical Survey of India nas últimas três décadas e a recomposição do Ta Prohm ainda prossegue, colocando sérios problemas técnicos em virtude do grau de desagregação e da acção das tentaculares raízes tropicais.
Um aspecto muito curioso deste enorme parque arqueológico é o facto de ser habitado – e por famílias cujos antepassados ali viveram há séculos, gente que se mantém, tal como eles, ocupada com o cultivo de campos de arroz. Para os visitantes mais atentos a outros signos que não, apenas, os dos tão assediados templos de Angkor, a observação das rotinas rurais dos seus habitantes pode ser um inestimável complemento da jornada, ao longo dos trajectos de bicicleta entre os templos. Pedalar pode ser, realmente, um dos meios mais estimulantes para aceder aos principais locais dentro do parque arqueológico, que chegam a distar quilómetros entre si.
Sobre as influências e o contexto arquitectónico de Angkor Wat – cuja construção se iniciou na primeira metade do século XII –, formou-se a convicção, a certa altura, de que o templo de Banan pode ter sido o modelo que os arquitectos khmers privilegiaram. Banan fica a cerca de vinte quilómetros de Battambang, seguindo uma pitoresca estrada que atravessa várias aldeias e arrozais e flui ao longo do rio Sangkae. Para se chegar ao templo há que subir uma longa e íngreme escadaria, que vence um declive de quatrocentos metros. O templo de Banan, actualmente um santuário budista, sugere a arquitectura do Angkor Wat, embora os cinco prasats (torres) não sejam tão elevados nem a arte de figuração em baixo-relevo revele a sofisticação do segundo: lembrar-se-á o viajante, com secreto júbilo, da apurada sensualidade das apsaras representadas na pedra dos templos de Angkor Wat e Bayon. Para observar algo de arte figurativa semelhante, o Museu de Battambang conserva fragmentos ornamentais em baixo-relevo, assim como alguns dos lintéis do Banan.
A hipótese avançada em tempos sobre o parentesco com Angkor Wat ficou por provar, baralhada pela cronologia de edificação que não deixou comprovada a anterioridade de Banan. Se essa condição vier algum dia a ser reconhecida, então, sim, poder-se-á arriscar a afirmação de que daqui viajou uma das costelas de Angkor Wat.
Battambang, turismo e voluntariado
No caminho que vai de Battambang a Banan, uma surpresa aguarda o viajante: vinhedos, os únicos do Camboja. Tintos, brancos e, até, um brandy, podem ali ser degustados. Battambang, cidade de província afamada pelo seu breve casario colonial (alguns belos edifícios Art Déco, como os do mercado e da velha estação ferroviária), não tem Angkor à mão, como Siem Reap, mas além do milenar Banan conta com muitos e variados motivos a justificar a estância. E mesmo no capítulo dos templos angkorianos, Banan não é o único na região: o semi-arruinado Wat Ek Phnom, encafuado no meio da selva, não faria má figura numa dessas fitas sazonais de Hollywood animadas por piruetas de arqueólogos aventureiros.
Para os dias todos haverá um qualquer programa ajustado a diferentes preferências e sensibilidades; o agora turístico, mas ainda útil à população, comboio de bambu (uma simplificação artesanal do extinto serviço ferroviário cambojano), o pequeno museu com relíquias arqueológicas retiradas dos vários templos à volta da cidade, os itinerários ao longo do rio, as aldeias e o mundo rural dos arrozais nos arredores, o mercado central e as suas bancas de comida popular, a colina de Phnom Sampeau e uma mão-cheia de belos templos e de estátuas dispersas pelas furnas e pelo arvoredo. E ainda, as killing caves, grutas que foram palco das atrocidades dos khmers vermelhos. É um cenário impressivo, com um Buda sereno repousando ao lado de ossadas e dos crânios.
Se o viajante desejar atenuar ou compensar a “pegada cultural” deixada pelo turismo, há pelo menos duas formas. A primeira é fazer-se espectador do Circo de Battambang, na Phare Ponleu Selpak Circus’s School, cuja receita reverte em parte para uma ONG local (informação disponível emwww.phareps.org); a outra será visitar uma das escolas precárias das aldeias dos arredores e ajustar com os responsáveis formas de apoio, que podem passar, também, pelo agora tão trendy voluntariado, que em Battambang parece ser quase tão comum como o turismo. Uma sugestão: a Slarkarm English School, uma escola situada numa aldeia (Slarkarm) situada a sete quilómetros de Battanbang (tel. :855-12815968, mais informação emwww.slarkramenglishschool.com).

GUIAT PRÁTICO
Como ir
Não há voos directos entre Portugal e o Camboja, pelo que é necessário fazer escala numa cidade europeia. A partir de Paris, por exemplo, há ligações directas frequentes para Phnom Penh, a capital. O aeroporto internacional de Siem Reap recebe também voos internacionais, nomeadamente de capitais estrangeiras na região (Kuala Lumpur e Banguecoque).
Quando ir
O melhor período do ano para viajar para o Camboja é o da estação seca, entre Novembro e Maio. Viajar durante a monção tem os seus inconvenientes (embora por vezes a chuva não dure mais do que duas ou três horas), designadamente a dificuldade de acesso a zonas mais remotas sem estradas asfaltadas, mas a época também pode ter algumas vantagens para a navegação no Tonlé Sap.
Onde ficar
Em Siem Reap
Angkor Spirit Palace: três estrelas, confortável e com carácter, um pouco afastado do centro, mas com a vantagem da tranquilidade, entre jardins e espaços verdes.
www.angkorspiritpalace.com
Oral D’Angkor Guest House: um endereço acolhedor, a dez minutos a pé do centro.
Tepvong Street, Siem Reap
Tel.: 855 (63) 967 345)
Em Battambang
Bambu Hotel: excelente relação qualidade-preço, com espaços exteriores muito agradáveis e um toque khmer na arquitectura e na decoração.
Phum Romchek, 5, Sangkat Rottanak
www.bambuhotel.com
Shang Hai Guesthouse: excelente opção para backpackers, central e com quartos duplos e individuais.
Prekmohatep Village, Sangkat Svaypor
Tel.: 855 (97) 6789070
Informações úteis
Os cidadãos portugueses podem obter visto à chegada ao Camboja, tanto no aeroporto internacional de Phnom Penh como no de Siem Reap. A moeda local é o riel (uma corruptela do antigo real português) e o dólar norte-americano circula também no país. Nas ATM os cartões bancários estrangeiros apenas permitem fazer levantamentos em dólares.
Fonte: Fugas

sábado, 19 de julho de 2014

DESTINOS PARA AMANTES DA ARQUITECTURA - CAMBODJA

Arquitectura khmer: Angkor Wat, Cambodja 

Arquitetura khmer: enormes blocos de pedra esculpida e grandes cúpulas apontando para o céu definem a arquitetura khmer. Hoje, oito séculos depois de o Império Khmer ter sido extinto, são poucos os restos da sua glória, mas Angkor Wat, no Cambodja, é um lugar fascinante onde repousam os restos do esplendor de outras eras. Definitivamente, um lugar para ver antes de morrer.

terça-feira, 15 de julho de 2014

OS ENTARDECERES MAIS BONITOS DO MUNDO - CAMBODJA, SUDESTE ASIÁTICO

http://www.travel-tailors.com/detalhado.php?i=354 

Com vista para o Pavilhão Chan Chaya e o mercado que gira ao seu redor, o pôr-do-sol é perfeito em Phnom Penh, no Cambodja.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Receita típica do Cambodja: JEK KTIH


Ingredientes:
6 bananas pequenas, cortadas no sentido do comprimento
1/2 chávenas de chá de tapioca escura asiática (ou sagu)
2 chávenas de chá de água
60g de açúcar de palma
1 chávena de chá de leite de coco
1/2 colher de chá de sal

Preparação:
Ferva a água com o sal numa panela e acrescente as bolinhas de tapioca ou sagu. Reduza o lume para médio-baixo e cozinhe por 10 minutos ou até que a tapioca esteja cozida e transparente, mexendo constantemente para que as bolinhas não grudem ao fundo da panela. Adicione o leite de coco e o açúcar, aumente o lume e deixe ferver novamente. Junte então as bananas e cozinhe por poucos minutos. Retire a panela do fogo e deixe amornar. Sirva o pudim em pratos fundos ou tigelas.

Conheça o Cambodja aqui

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Testemunho: Viagem ao Cambodja e Malásia




«Adorámos, adorámos, adorámos!!! Tudo é lindo, a cultura é muito diferente da nossa, o que nos agradou bastante! O povo é muito acolhedor, muito simpático, a comida, mais uma vez a comida é maravilhosa! Comprámos imensas especiarias e chás para tentarmos reproduzir cá os sabores de lá :)
Numa só palavra: "Brutal"!!! Ficou sem dúvida a vontade de lá voltar, para vermos o que ficou por ver e para recordar cada recanto, cada pedacinho daquele país lindo! Em Lankawi rendemo-nos à "preguiça" nos primeiros dias, descansámos bastante e nos dias seguintes explorámos ao máximo a ilha! Tal como no Cambodja adorámos a gastronomia!!
Numa só palavra: "Zen"!!! Todo o ambiente de Langkawi deixou-nos bastante Zen, com uma enorme paz de espírito!»

Rita e João, Setembro 2011


sexta-feira, 8 de março de 2013

Tailândia e Cambodja: sorrisos, templos e sabores



Deambulando pela terra dourada da Tailândia, esta viagem oferece a oportunidade de conhecer as diversas facetas do país, passando por Banguecoque e Phuket, terminando no Cambodja, terra de templos mágicos e paisagens deslumbrantes.

Para mais informações consulte a página oficial.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Tailândia e Cambodja: sorrisos, templos e sabores - 16 dias

Deambulando pela terra dourada da Tailândia, esta viagem oferece a oportunidade de conhecer as diversas facetas do país, passando por Banguecoque e Phuket, terminando no Cambodja, terra de templos mágicos e paisagens deslumbrantes.

Mais informações


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Onde o sol nasce primeiro (para si): Extremo Oriente e Antípodas


Os mistérios do sol nascente estão ao seu alcance, numa paleta diversificada de cores, culturas e paisagens.
Seja dos poucos a aventurar-se na Coreia do Sul, numa viagem profundamente embebida nos usos e tradições locais. Descubra a energia vibrante do Vietname, um país próspero e elegante, com belas montanhas, praias e cidades. Conheça a doçura do Laos, a garridice da Tailândia e o esplendor dos vestígios históricos do Cambodja. Explore a Malásia e os seus tesouros naturais e artesanais, admirando as suas luxuriantes flora e fauna tropicais. A Nova Zelândia, por muitos considerada a versão terrena do paraíso, oferece-lhe glaciares e geisers, pirilampos e baleias, prados e selvas.

A Oriente, tudo de novo!
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Na linha do Pacífico

Coreia Multicolor
A modernidade encontra-se com a tradição em Pequim e Seul. Viaje entre estas cidades e descubra cenários espectaculares, arte anciã e arquitectura milenar ao longo do caminho. Admire a beleza simples da vida quotidiana: aldeias, mercados e restaurantes de rua. Prove o gosto genuíno de fazer parte deste mundo. Saiba mais aqui.
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Deambulando pelo Sudeste Asiático
Uma viagem inesquecível pela Indochina, num crescendo de experiências! Um mosaico composto pela Tailândia, Laos, Vietname e Cambodja - países próximos mas muito contrastantes! Encontrará tribos de tradições anciãs e monumentos históricos impressionantes. O cantar dos pássaros na selva irá soar-lhe inesquecível. Saiba mais aqui.
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Caminhe no Glaciar Franz Joseph Glacier, deslize pelas vistas de tirar o fôlego de Milford Sound, encolha-se ante o espectacular Monte Cook, aviste baleias e golfinhos em Kaikoura, caminhe no Abel Tasman National Park, maravilhe-se com a majestade do Monte Ruapehu, experimente os gêiseres e as piscinas de lama borbulhante em Rotorua, conheça o brilho dos pirilampos de Waitomo e explore a Baía das Ilhas. Saiba mais aqui.
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