sexta-feira, 21 de outubro de 2016
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
Noirmoutier, o que é que esta ilha tem?
Tem uma aura especial, praias semi-adormecidas, produtos de excepção e Alexandre Couillon, um chef de terroir talentoso e persistente que conta com duas estrelas Michelin. Ah!, e também tem, agora, um episódio Chef’s Table que documenta a relação entre ambos.
Quando David Gelb se senta ao nosso lado na mesa do restaurante La Marine, em Noirmoutier, não consegue evitar o contentamento: “Uau, finalmente estou aqui!” Gelb é o autor da aclamada série documental Chef’s Table, cuja terceira temporada, inteiramente dedicada a cozinheiros franceses, acaba de estrear na Netflix. O nova-iorquino, de 33 anos, não realizou o episódio dedicado ao chef local Alexandre Couillon, mas acabara de o editar e estava desejoso de observar in loco tudo o que vira no ecrã.
Noirmoutier é uma ilha pacata meio parada no tempo. Situada na região do País do Loire, na costa atlântica francesa, a sua paisagem natural e o aspecto cuidado e discreto do casario dão-lhe uma aura especial. Talvez porque o local se afaste da ideia comum que temos de uma estância balnear. Por aqui não há grandes hotéis, nem o turismo de massas associado. E ainda que a população (com pouco mais de oito mil habitantes) aumente exponencialmente em Agosto, o local mantém uma certa pacatez e um ambiente familiar.
A ilha é plana e pequena (45km2) e a paisagem uma recompensa que convida a pedalar. Por isso não é estranho que se dê maior uso à bicicleta em detrimento do carro e, não raras vezes, com a família atrelada. Aliás, este é o meio de transporte ideal para vaguear por vilarejos, atravessar campos e os seus canais, as salinas, o Bois de la Chaize, o pontão da Reserva Natural de Mullembourg ou uma das graciosas praias de areia fina e mar sereno azul. Em termos geográficos, estamos quase na costa oposta ao Mediterrâneo, embora a temperatura (incluindo a da água), a cor do mar e as casas de paredes brancas e telhados de tijolo, aproximem os dois territórios. Ou, pelo menos, mais do que poderíamos imaginar.
Da terra e do mar
Sabendo o propósito da viagem, o jovem motorista que nos conduz do aeroporto de Nantes ao nosso destino surpreende-nos com um conselho. “Não deixem de provar as batatas de Noirmoutier.”
Já no quarto do hotel, ao procurar restaurante para jantar num guia gastronómico local, lá encontro a menção especial à “mais marítima das batatas”, entre uma dúzia de especialidades e produtos de referência regionais. Ao que parece, os solos arenosos adubados com as algas recolhidas na maré baixa conferem ao tubérculo uma característica peculiar: o sabor ligeiramente salino. Entre as variedades cultivadas na ilha, destaca-se a la bonnote, tão valiosa e apreciada que o guia alerta para que se verifique a existência do logótipo da cooperativa agrícola local na embalagem, não vá estar-se a comprar uma imitação. É que a “Rolls Royce” da terra de Noirmoutier é recolhida apenas durante uma dezena de dias, em Maio, e o seu período de conservação é curto.
A noroeste da ilha, em L’Herbaudière, encontramos o principal porto de pesca local. Em tempos foi um grande centro da indústria conserveira de sardinha. Todavia, a escassez deste peixe encerrou o negócio e, hoje, os 60 barcos de pesca existentes dedicam-se, sobretudo, à apanha de variedades nobres, como o robalo, a dourada ou o linguado, e ainda a lagosta ou o lavagante.
Um pouco por todo o lado vêm-se placas toscas a anunciar a venda de ostras. Os registos revelam a sua introdução na área no inicio do século XIX, mas a actividade começou a desenvolver-se sobretudo após a Segunda Guerra Mundial. De sabor elegante e levemente iodado, as ostras de Noirmoutier apresentam uma tonalidade azulada, devido à micro-alga blue navicula que se desenvolve na zona. Estas ostras são “semeadas” no seu habitat natural, em redor da ilha, onde permanecem durante três anos. Depois desse período retiram-se para valas e passam à fase de maturação, sendo afinadas de acordo com as características pretendidas por cada produtor. Todos os anos saem de Noirmoutier cerca de mil toneladas do molusco. Contudo, este é ainda um trabalho com uma forte componente artesanal, tal como acontece com a actividade levada a cabo nas salinas de onde se extrai a delicada e clara flor de sal, rival da famosa vizinha de Guérande.
Comida simples
A consulta do guia de restaurantes locais leva-me para o centro histórico de Noirmoutier-en-L’Île, a principal localidade. É quinta-feira e, apesar de estarmos em época alta (Julho), são vários os restaurantes fechados. É o caso do Le Cass’poï, junto ao castelo, que oferece uma cozinha de mercado despretensiosa com produtos de temporada.
Procuro um lugar simples, dado querer guardar-me para a cozinha de Alexandre Couillon, do La Marine, no dia seguinte. A uma centena de metros dali, um pequeno bistrot, o Le Petit Blanc, dá sinais de vida. Ainda é cedo. A França joga nessa noite contra a Alemanha a possibilidade de disputar a final do europeu contra Portugal e, talvez por isso, consigo um dos poucos lugares disponíveis. O lugar serve comida lionnaise e é sem dúvida um bistrot: espaço apertado e aconchegante; ele na cozinha e ela na sala; menu fixo, escrito na ardósia, com seis ou sete propostas (para pedir duas ou três) e vinho da casa. Escolho a terrina de fígado de porco com pistácios e molho bearnaise, de entrada; um filete de dourada com gratinado de beringela como prato principal e o gâteau lyonnais et son coulis d’abricots de sobremesa. Bolo esponjoso com calda de açúcar e amêndoa, pera e molho de alperces, combinam? Sim, bastante. Tal como a experiência no geral. No fundo, era o que pretendia nessa noite: comida simples, bem elaborada e com sabor, vinho a jarro potável e serviço diligente. Tudo por menos de 30 euros.
Deixo o restaurante e pedalo até casa, ainda com tempo de sobra para parar num café. Acompanho um pouco do jogo, mas o local está lotado e faço-me ao caminho antes de terminar. A meio do percurso, soam foguetes de alegria. A França está na final. Que pena não ficar para ver esse jogo...
Couillon e a ilha no prato
As actividades ligadas à terra e ao mar, bem como o turismo, têm ajudado a reter uma boa parte da população de Noirmoutier durante todo o ano. É o caso dos Couillon.
O pai fora marinheiro e pescador e a mãe costureira. Quando Alexandre tinha seis anos, a família comprou um café a que chamaram La Marine. Abriam apenas no Verão e serviam pratos para turistas: peixe, marisco e tarte de maçã. Eram pratos bem simples, reveladores de que a mudança de vida dos progenitores tinha sido mais uma oportunidade surgida do que propriamente uma vocação.
Alexandre Couillon viveu na ilha toda a sua infância e boa parte da adolescência de uma forma muito livre, “como um Tom Sawyer”. Estudar não era a sua praia, o que o levou cedo, com 17 anos, a procurar um emprego de forma a canalizar toda a sua energia. Acabou por bater à porta de um chef bretão que lhe ensinou o ofício e lhe deu disciplina. Foi esse o momento da viragem, o momento em que decidiu que era aquela a direcção que queria tomar.
Um dia, estava a trabalhar na cozinha de Michel Guerárd, em Eugénie-les-Baines (o Les Prés d’Eugénie, três estrelas Michelin), quando recebeu uma chamada. Era o pai. Queria dizer-lhe que estavam a pensar vender o La Marine, mas que se quisesse poderia ficar com o restaurante. A sua reacção imediata foi dizer que não, uma vez que pretendia continuar a evoluir ao lado de grandes chefs. Contudo, ficou a matutar sobre o assunto e, com a insolência própria de quem tinha pouco mais de vinte anos, começou a pensar que aquela talvez fosse uma boa ocasião para se afirmar e, quem sabe, colocar Noirmoutier no mapa gastronómico. Fez então um pacto com a sua mulher, Céline, natural da ilha como ele e namorada desde os tempos da escola. Ficariam durante sete anos. Se passado esse tempo não resultasse, pegava nas coisas e procuraria emprego noutro restaurante. Assim foi. Ligou ao pai e seguraram o restaurante. Porém, não tinham grande noção no que se tinham metido. O francês queria fazer uma cozinha de autor mas Noirmoutier não era um destino gourmand e, após o Verão, os turistas desapareciam. Como se não bastasse, Couillon sentia-se perdido, sem um rumo a seguir.
Apesar das dificuldades, o restaurante foi-se impondo, ainda que tenuemente. Continuavam a trabalhar que nem uns loucos, sobretudo fora da estação alta, quando o staff era reduzido ao mínimo. Tinham passado seis anos e estavam prestes a desistir. Porém, quando se aproximavam do período limite chegou a boa notícia: o guia Michelin acabara de lhes atribuir uma estrela.
O galardão permitir-lhes-ia respirar, mas Alexandre Couillon não estava contente com a sua cozinha e começou a questionar-se. Achava que o que estavam a fazer era muito clássico, queria repensar tudo e ter uma proposta mais contemporânea e criativa.
Uma das decisões que tomaram foi a de construir um novo espaço, sendo que o antigo mudaria de nome, passava a chamar-se La Table d’Elise e teria uma proposta mais tradicional e acessível. Todavia, continuava a faltar uma ideia central para a cozinha do novo La Marine. Surgiam pratos novos, mas alguns deles confusos, com muitos ingredientes. Couillon continuava insatisfeito. Havia que simplificar e encontrar um caminho. Até que um dia, um erro feliz mudou tudo. Pedira a um estagiário que fizesse um caldo de lula mas esquecera-se de lhe dizer que deveria retirar a tinta, o que acabou por dar origem a um caldo intenso e escuro. Ao olhar para o resultado, o chef francês teve uma espécie de epifania: começou a lembrar-se do derrame do petroleiro Erika, um caso dramático que anos antes acontecera na ilha, com graves consequências nos recursos marítimos da área.
Couillon pegou no caldo, reduziu-o até criar um molho denso e deitou-o sobre uma ostra. Chamou-lhe “ostra negra Erika”. A combinação agradou-lhe, quer em termos de sabores, quer visualmente. Estava encontrado o caminho: criar e confeccionar pratos mais simples, com ingredientes locais e que contem a história da ilha. Em 2013, o La Marine conquistou a segunda estrela Michelin e Noirmoutier entrou no mapa.
À mesa do La Marine
A ostra Erika teria de ser um prato obrigatório no almoço entre a imprensa e David Gelb. De facto, trata-se de uma proposta extraordinária. Na sua apresentação minimalista (negro sobre branco), na textura densa (molho) e delicada (ostra) e no sabor intenso, mas elegante. Tinha sido precedida de outro prato brilhante, “conchas e crustáceos a bordo”, um caldo perfeito com os melhores mariscos que se apanham nas águas da região. Como se não bastasse, ainda chegou à mesa um lavagante grelhado, com cenoura e capuchinha. Porém, Alexandre Couillon também possui grande afinidade com peixes ditos menos nobres da zona, como é o caso da cavala — que comemos fumada e servida numa espinha limpa e ainda (triturada) em “trufa” com café —, ou do badejo de textura delicada, que nos serviu com curgete, melão e leite de cabra.
Os produtos da terra são igualmente a sua grande paixão, ou não tivesse uma horta própria que fornece ao restaurante quase tudo o que precisa. Não é a época da la bonnote, mas a batata teria obviamente de estar presente no menu, fosse numa textura cremosa, num dos snacks iniciais, ou como acompanhamento de uma pintada. Outro vegetal que merece a preferência de Couillon é a beterraba. No almoço tivemos direito a ela como elemento principal de numa pequena tartelette e, também, como acompanhamento de uma lula de textura e sabor exemplares.
Os pratos do chef francês seguem a linha evolutiva de uma cozinha mais naturalista centrada no produto e não tanto na técnica. Quer dizer, a técnica e uma certa complexidade estão lá, mas não para serem exibidas na cara do cliente. A parte doceira segue o mesmo conceito de união com a ilha. Por exemplo, uma das sobremesas, “balada no Bois de la Chaize”, é uma representação do bosque local, com um gelado que leva resina de pinheiro, servido sobre “musgo” (sponge cake) de chá verde e “terra” de chocolate.
Na conversa com David Gelb (ver texto nestas páginas), o autor de Chef’s Table refere que um dos critérios para fazer parte da série se prende com a personalidade do chef e de uma boa narrativa que este tenha para contar. Alexandre Couillon tem essa história e coloca-a no prato com mestria. A mesma mestria com que Gelb e a sua equipa a servem no ecrã.
GUIA PRÁTICO
Como ir
Tanto a TAP como a Transavia voam regularmente para Nantes. Daqui a Noirmoutier distam 77km, que se percorrem de carro em pouco mais de uma hora ou de autocarro em 1h40. Na ilha existem alguns transportes públicos, mas a bicicleta é o meio ideal de locomoção.
Onde dormir
Não há grandes hotéis de luxo ou de cadeias conhecidas, mas há vários lugares confortáveis e com um certo charme, como o Ancre Marine, o La Chaize ou o La Villa en l’Île.
Onde comer
O La Marine (5 Rue Marie Lemonnier; tel.:02 51 39 23 09) é sem dúvida o principal restaurante da ilha. Contudo, para além deste duas estrelas Michelin, a ilha conta com um conjunto de pequenos restaurantes de cozinha simples e preço mais acessível que servem produtos da região.
A Fugas viajou a convite da Netflix
Fonte: Fugas
Quando David Gelb se senta ao nosso lado na mesa do restaurante La Marine, em Noirmoutier, não consegue evitar o contentamento: “Uau, finalmente estou aqui!” Gelb é o autor da aclamada série documental Chef’s Table, cuja terceira temporada, inteiramente dedicada a cozinheiros franceses, acaba de estrear na Netflix. O nova-iorquino, de 33 anos, não realizou o episódio dedicado ao chef local Alexandre Couillon, mas acabara de o editar e estava desejoso de observar in loco tudo o que vira no ecrã.
Noirmoutier é uma ilha pacata meio parada no tempo. Situada na região do País do Loire, na costa atlântica francesa, a sua paisagem natural e o aspecto cuidado e discreto do casario dão-lhe uma aura especial. Talvez porque o local se afaste da ideia comum que temos de uma estância balnear. Por aqui não há grandes hotéis, nem o turismo de massas associado. E ainda que a população (com pouco mais de oito mil habitantes) aumente exponencialmente em Agosto, o local mantém uma certa pacatez e um ambiente familiar.
A ilha é plana e pequena (45km2) e a paisagem uma recompensa que convida a pedalar. Por isso não é estranho que se dê maior uso à bicicleta em detrimento do carro e, não raras vezes, com a família atrelada. Aliás, este é o meio de transporte ideal para vaguear por vilarejos, atravessar campos e os seus canais, as salinas, o Bois de la Chaize, o pontão da Reserva Natural de Mullembourg ou uma das graciosas praias de areia fina e mar sereno azul. Em termos geográficos, estamos quase na costa oposta ao Mediterrâneo, embora a temperatura (incluindo a da água), a cor do mar e as casas de paredes brancas e telhados de tijolo, aproximem os dois territórios. Ou, pelo menos, mais do que poderíamos imaginar.
Da terra e do mar
Sabendo o propósito da viagem, o jovem motorista que nos conduz do aeroporto de Nantes ao nosso destino surpreende-nos com um conselho. “Não deixem de provar as batatas de Noirmoutier.”
Já no quarto do hotel, ao procurar restaurante para jantar num guia gastronómico local, lá encontro a menção especial à “mais marítima das batatas”, entre uma dúzia de especialidades e produtos de referência regionais. Ao que parece, os solos arenosos adubados com as algas recolhidas na maré baixa conferem ao tubérculo uma característica peculiar: o sabor ligeiramente salino. Entre as variedades cultivadas na ilha, destaca-se a la bonnote, tão valiosa e apreciada que o guia alerta para que se verifique a existência do logótipo da cooperativa agrícola local na embalagem, não vá estar-se a comprar uma imitação. É que a “Rolls Royce” da terra de Noirmoutier é recolhida apenas durante uma dezena de dias, em Maio, e o seu período de conservação é curto.
A noroeste da ilha, em L’Herbaudière, encontramos o principal porto de pesca local. Em tempos foi um grande centro da indústria conserveira de sardinha. Todavia, a escassez deste peixe encerrou o negócio e, hoje, os 60 barcos de pesca existentes dedicam-se, sobretudo, à apanha de variedades nobres, como o robalo, a dourada ou o linguado, e ainda a lagosta ou o lavagante.
Um pouco por todo o lado vêm-se placas toscas a anunciar a venda de ostras. Os registos revelam a sua introdução na área no inicio do século XIX, mas a actividade começou a desenvolver-se sobretudo após a Segunda Guerra Mundial. De sabor elegante e levemente iodado, as ostras de Noirmoutier apresentam uma tonalidade azulada, devido à micro-alga blue navicula que se desenvolve na zona. Estas ostras são “semeadas” no seu habitat natural, em redor da ilha, onde permanecem durante três anos. Depois desse período retiram-se para valas e passam à fase de maturação, sendo afinadas de acordo com as características pretendidas por cada produtor. Todos os anos saem de Noirmoutier cerca de mil toneladas do molusco. Contudo, este é ainda um trabalho com uma forte componente artesanal, tal como acontece com a actividade levada a cabo nas salinas de onde se extrai a delicada e clara flor de sal, rival da famosa vizinha de Guérande.
Comida simples
A consulta do guia de restaurantes locais leva-me para o centro histórico de Noirmoutier-en-L’Île, a principal localidade. É quinta-feira e, apesar de estarmos em época alta (Julho), são vários os restaurantes fechados. É o caso do Le Cass’poï, junto ao castelo, que oferece uma cozinha de mercado despretensiosa com produtos de temporada.
Procuro um lugar simples, dado querer guardar-me para a cozinha de Alexandre Couillon, do La Marine, no dia seguinte. A uma centena de metros dali, um pequeno bistrot, o Le Petit Blanc, dá sinais de vida. Ainda é cedo. A França joga nessa noite contra a Alemanha a possibilidade de disputar a final do europeu contra Portugal e, talvez por isso, consigo um dos poucos lugares disponíveis. O lugar serve comida lionnaise e é sem dúvida um bistrot: espaço apertado e aconchegante; ele na cozinha e ela na sala; menu fixo, escrito na ardósia, com seis ou sete propostas (para pedir duas ou três) e vinho da casa. Escolho a terrina de fígado de porco com pistácios e molho bearnaise, de entrada; um filete de dourada com gratinado de beringela como prato principal e o gâteau lyonnais et son coulis d’abricots de sobremesa. Bolo esponjoso com calda de açúcar e amêndoa, pera e molho de alperces, combinam? Sim, bastante. Tal como a experiência no geral. No fundo, era o que pretendia nessa noite: comida simples, bem elaborada e com sabor, vinho a jarro potável e serviço diligente. Tudo por menos de 30 euros.
Deixo o restaurante e pedalo até casa, ainda com tempo de sobra para parar num café. Acompanho um pouco do jogo, mas o local está lotado e faço-me ao caminho antes de terminar. A meio do percurso, soam foguetes de alegria. A França está na final. Que pena não ficar para ver esse jogo...
Couillon e a ilha no prato
As actividades ligadas à terra e ao mar, bem como o turismo, têm ajudado a reter uma boa parte da população de Noirmoutier durante todo o ano. É o caso dos Couillon.
O pai fora marinheiro e pescador e a mãe costureira. Quando Alexandre tinha seis anos, a família comprou um café a que chamaram La Marine. Abriam apenas no Verão e serviam pratos para turistas: peixe, marisco e tarte de maçã. Eram pratos bem simples, reveladores de que a mudança de vida dos progenitores tinha sido mais uma oportunidade surgida do que propriamente uma vocação.
Alexandre Couillon viveu na ilha toda a sua infância e boa parte da adolescência de uma forma muito livre, “como um Tom Sawyer”. Estudar não era a sua praia, o que o levou cedo, com 17 anos, a procurar um emprego de forma a canalizar toda a sua energia. Acabou por bater à porta de um chef bretão que lhe ensinou o ofício e lhe deu disciplina. Foi esse o momento da viragem, o momento em que decidiu que era aquela a direcção que queria tomar.
Um dia, estava a trabalhar na cozinha de Michel Guerárd, em Eugénie-les-Baines (o Les Prés d’Eugénie, três estrelas Michelin), quando recebeu uma chamada. Era o pai. Queria dizer-lhe que estavam a pensar vender o La Marine, mas que se quisesse poderia ficar com o restaurante. A sua reacção imediata foi dizer que não, uma vez que pretendia continuar a evoluir ao lado de grandes chefs. Contudo, ficou a matutar sobre o assunto e, com a insolência própria de quem tinha pouco mais de vinte anos, começou a pensar que aquela talvez fosse uma boa ocasião para se afirmar e, quem sabe, colocar Noirmoutier no mapa gastronómico. Fez então um pacto com a sua mulher, Céline, natural da ilha como ele e namorada desde os tempos da escola. Ficariam durante sete anos. Se passado esse tempo não resultasse, pegava nas coisas e procuraria emprego noutro restaurante. Assim foi. Ligou ao pai e seguraram o restaurante. Porém, não tinham grande noção no que se tinham metido. O francês queria fazer uma cozinha de autor mas Noirmoutier não era um destino gourmand e, após o Verão, os turistas desapareciam. Como se não bastasse, Couillon sentia-se perdido, sem um rumo a seguir.
Apesar das dificuldades, o restaurante foi-se impondo, ainda que tenuemente. Continuavam a trabalhar que nem uns loucos, sobretudo fora da estação alta, quando o staff era reduzido ao mínimo. Tinham passado seis anos e estavam prestes a desistir. Porém, quando se aproximavam do período limite chegou a boa notícia: o guia Michelin acabara de lhes atribuir uma estrela.
O galardão permitir-lhes-ia respirar, mas Alexandre Couillon não estava contente com a sua cozinha e começou a questionar-se. Achava que o que estavam a fazer era muito clássico, queria repensar tudo e ter uma proposta mais contemporânea e criativa.
Uma das decisões que tomaram foi a de construir um novo espaço, sendo que o antigo mudaria de nome, passava a chamar-se La Table d’Elise e teria uma proposta mais tradicional e acessível. Todavia, continuava a faltar uma ideia central para a cozinha do novo La Marine. Surgiam pratos novos, mas alguns deles confusos, com muitos ingredientes. Couillon continuava insatisfeito. Havia que simplificar e encontrar um caminho. Até que um dia, um erro feliz mudou tudo. Pedira a um estagiário que fizesse um caldo de lula mas esquecera-se de lhe dizer que deveria retirar a tinta, o que acabou por dar origem a um caldo intenso e escuro. Ao olhar para o resultado, o chef francês teve uma espécie de epifania: começou a lembrar-se do derrame do petroleiro Erika, um caso dramático que anos antes acontecera na ilha, com graves consequências nos recursos marítimos da área.
Couillon pegou no caldo, reduziu-o até criar um molho denso e deitou-o sobre uma ostra. Chamou-lhe “ostra negra Erika”. A combinação agradou-lhe, quer em termos de sabores, quer visualmente. Estava encontrado o caminho: criar e confeccionar pratos mais simples, com ingredientes locais e que contem a história da ilha. Em 2013, o La Marine conquistou a segunda estrela Michelin e Noirmoutier entrou no mapa.
À mesa do La Marine
A ostra Erika teria de ser um prato obrigatório no almoço entre a imprensa e David Gelb. De facto, trata-se de uma proposta extraordinária. Na sua apresentação minimalista (negro sobre branco), na textura densa (molho) e delicada (ostra) e no sabor intenso, mas elegante. Tinha sido precedida de outro prato brilhante, “conchas e crustáceos a bordo”, um caldo perfeito com os melhores mariscos que se apanham nas águas da região. Como se não bastasse, ainda chegou à mesa um lavagante grelhado, com cenoura e capuchinha. Porém, Alexandre Couillon também possui grande afinidade com peixes ditos menos nobres da zona, como é o caso da cavala — que comemos fumada e servida numa espinha limpa e ainda (triturada) em “trufa” com café —, ou do badejo de textura delicada, que nos serviu com curgete, melão e leite de cabra.
Os produtos da terra são igualmente a sua grande paixão, ou não tivesse uma horta própria que fornece ao restaurante quase tudo o que precisa. Não é a época da la bonnote, mas a batata teria obviamente de estar presente no menu, fosse numa textura cremosa, num dos snacks iniciais, ou como acompanhamento de uma pintada. Outro vegetal que merece a preferência de Couillon é a beterraba. No almoço tivemos direito a ela como elemento principal de numa pequena tartelette e, também, como acompanhamento de uma lula de textura e sabor exemplares.
Os pratos do chef francês seguem a linha evolutiva de uma cozinha mais naturalista centrada no produto e não tanto na técnica. Quer dizer, a técnica e uma certa complexidade estão lá, mas não para serem exibidas na cara do cliente. A parte doceira segue o mesmo conceito de união com a ilha. Por exemplo, uma das sobremesas, “balada no Bois de la Chaize”, é uma representação do bosque local, com um gelado que leva resina de pinheiro, servido sobre “musgo” (sponge cake) de chá verde e “terra” de chocolate.
Na conversa com David Gelb (ver texto nestas páginas), o autor de Chef’s Table refere que um dos critérios para fazer parte da série se prende com a personalidade do chef e de uma boa narrativa que este tenha para contar. Alexandre Couillon tem essa história e coloca-a no prato com mestria. A mesma mestria com que Gelb e a sua equipa a servem no ecrã.
GUIA PRÁTICO
Como ir
Tanto a TAP como a Transavia voam regularmente para Nantes. Daqui a Noirmoutier distam 77km, que se percorrem de carro em pouco mais de uma hora ou de autocarro em 1h40. Na ilha existem alguns transportes públicos, mas a bicicleta é o meio ideal de locomoção.
Onde dormir
Não há grandes hotéis de luxo ou de cadeias conhecidas, mas há vários lugares confortáveis e com um certo charme, como o Ancre Marine, o La Chaize ou o La Villa en l’Île.
Onde comer
O La Marine (5 Rue Marie Lemonnier; tel.:02 51 39 23 09) é sem dúvida o principal restaurante da ilha. Contudo, para além deste duas estrelas Michelin, a ilha conta com um conjunto de pequenos restaurantes de cozinha simples e preço mais acessível que servem produtos da região.
A Fugas viajou a convite da Netflix
Fonte: Fugas
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sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Doze spas nacionais trazem Ouro dos World Luxury Spa Awards
Os World Luxury Spa Awards 2016 premiaram 12 spas portugueses. O Sayanna Wellness do EPIC SANA Algarve foi o mais distinguido, vencendo nas categorias “Global Winner – Luxury Fitness Spa” e “Luxury Resort Spa – Portugal”, bem como o Grande Prémio “Overall Global Winner”.
O Conrad Algarve foi também um Global Winner, mas em “Luxury Country Spa”. Quanto aos vencedores de âmbito europeu, foram premiados o CitySpa Lisbon (“Luxury Day Spa”), o Vidago Palace Thermal Spa (“Luxury Mineral Springs Spa”) e o Gspa do Altis Grand Hotel (“Luxury Emerging Spa”). A este último foi ainda entregue o troféu de melhor “Luxury Fitness Spa” de Portugal.
No âmbito nacional foram igualmente premiados o Ayurveda cure center by Birgit Moukom (“Best Spa Manager”), o Sayanna Wellness do Myriad by SANA Hotels (“Luxury Boutique Spa” e “Luxury Urban Escape”), o Spirito Spa do Sheraton Lisboa (“Luxury Day Spa”), o Magic Spa do Pestana Park Hotel and Casino (“Luxury Destination Spa”), o spa do Porto Bay Liberdade (“Luxury Emerging Spa”), o Bspa by Karin Herzog do Altis Belém (“Luxury Hotel Spa”) e ainda o Stone Spa (“Luxury Wellness Spa”).
Os World Luxury Spa Awards são entregues com base na qualidade de instalações e serviço prestado pelos hotéis, sendo que o tamanho das propriedades não tem qualquer peso nas fases de nomeação e votação. Entre os objetivos destaca-se a celebração do serviço de excelência, encorajar a competitividade na indústria hoteleira de luxo e alertar para o valor e importância da prestação de um serviço de qualidade aos hóspedes.
Fonte: Welcome
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
O trivago escolheu os 10 melhores hotéis boutique de Portugal
Os hotéis Bela Vista (Algarve), Praia
Verde (Algarve) e Fortaleza Do Guincho (Lisboa) integram, por esta
ordem, a lista dos 10 Melhores Boutique Hotels de Portugal, elaborada
pelo trivago.
Trata-se de espaços exclusivos, com
grande caráter e individualidade, pautados pelo luxo, destaca este motor
de busca de hotéis, que atribui o 4.º, 5.º e 6.º lugares,
respetivamente, ao Cascade Wellness & Lifestyle Resort (Lagos), ao
Areias do Seixo (A dos Cunhados) e ao LX Boutique Hotel (Lisboa).
Quer
esteja à procura de um local charmoso no centro da capital, junto às
praias ensolaradas do Algarve, nas icónicas margens do Rio Douro ou
mesmo na pitoresca Ponta do Sol, na Madeira, todos estes hotéis gozam de
incríveis vistas, sublinha.
O Top 10 dos boutique hotels do país
fica completo com o Tivoli Hotel (Lisboa, 7.º lugar), Farol Design
Hotel (Cascais, 8.º), 1872 River House (Porto, 9.º) e Hotel da Vila
(Madeira, 10.º).
Fonte: Welcome
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sexta-feira, 6 de maio de 2016
Dez grandes viagens estrada fora
Tire férias e faça-se à estrada para dez das grandes viagens de carro que
pode cumprir pela Europa a partir de Portugal.
1. Porto-Amesterdão: A rota dos impressionistas
São pouco mais de 2000 quilómetros, mas
convém fazê-los com tempo e vagar, porque pelo meio tem muito que ver. Sugiro
que siga a rota do Douro até Valladolid ou à bela cidade de Burgos. Depois
aponta a sua montada ao País Basco francês e a Biarritz.
Como Bordéus está a caminho e passa pela
mais famosa região vinícola do mundo, vale a pena demorar um pouco e visitar
alguns dos célebres châteaux. A viagem pelo Centro de França e
pelas suas regiões mais campestres continua a ter um apelo único: cidades como
Poitiers, Limoges, Tours, Orléans e até Bourges devem fazer parte do seu
itinerário até à Cidade Luz.
Ir a Paris e não ficar lá a perder tempo
nos bistrots, no Quartier Latin ou nalguns
museus é mesmo um enorme desperdício de tempo de qualidade na vida. Entregue
dois ou três dias à joie de vivre parisiense antes de rumar ao
Norte de França e às Ardenas. Na Bélgica, programe a sua rota mais junto à
costa, com Brugges e Antuérpia a merecerem paragem e visita atenta. Finalmente,
desça abaixo do nível do mar e percorra a costa dos Países Baixos até
Amesterdão – aí, já sabe, faça o que lhe der na real gana…
Distância: 2025
km
Tempo de viagem: 22 horas
Custo estimado: 271 €
Percurso recomendado: Porto- Valladolid- Burgos - Biarritz - Bordéus - Tours - Paris - Antuérpia – Amesterdão
Tempo de viagem: 22 horas
Custo estimado: 271 €
Percurso recomendado: Porto- Valladolid- Burgos - Biarritz - Bordéus - Tours - Paris - Antuérpia – Amesterdão
2. Lisboa-Budapeste: Nas botas de Napoleão
até ao império austro-húngaro
Uma longa viagem até ao coração do império
austro-húngaro, subindo pela Península Ibérica no trilho das invasões
napoleónicas para depois franquear os Alpes como Aníbal, “O cartaginês” e os
seus elefantes, apontando a Viena para a marcha final sobre Budapeste.
Deve ir saboreando a viagem e parando em
Leão e Castela até ancorar em Biarritz. Depois, uma pequena etapa pelas vinhas
da região de Bordéus, para cruzar as belíssimas paisagens do centrão de França,
com passagem em Clermont Ferrand e paragem obrigatória em Lyon, capital
da nouvelle cuisine.
Segue-se a Suíça dos cantões, chocolates,
belos lagos e dos imponentes Alpes, feitos pela encosta norte. Breve incursão à
Alemanha para comer umas salsichas e beber uma boa cerveja bávara em Munique,
retemperando forças para a etapa final até Viena, a musical, cara e monumental
capital da Áustria. Finalmente, a viagem pelos vales verdejantes de Música no Coração até à capital dos
magiares – a bela Budapeste, onde um banho quente nas termas é o melhor prémio
para quem corta a meta. Uma road tripcheia de história, belas
aldeias, monumentais cidades, estradas cénicas e paisagens deslumbrantes.
Distância: 3074 km
Tempo de viagem: 31 horas
Custo estimado: 445 €
Percurso recomendado: Lisboa - Valladolid - Biarritz - Bordéus - Lyon - Genebra - Zurique - Munique - Viena – Budapeste
Tempo de viagem: 31 horas
Custo estimado: 445 €
Percurso recomendado: Lisboa - Valladolid - Biarritz - Bordéus - Lyon - Genebra - Zurique - Munique - Viena – Budapeste
3. Barcelona-Bilbao: Com o mar sempre à janela
Esta não começa exactamente em Portugal, mas faz toda
a costa da Península Ibérica. É uma espécie de “costa à cuesta”. Desde a
mediterrânica, quente e festiva cidade condal de Barcelona até ao frio mar da
Cantábria e à capital dos bascos. Pelo caminho percorre-se toda a costa sul de
Espanha pela auto-estrada do Mediterrâneo que dá acesso às famosas estâncias
turísticas, mas também a cidades e vilas pitorescas, como Almeria, por exemplo.
Paragem obrigatória para visitar o deserto de Tabernas e os estúdios onde foram
gravados inúmeros western-spaghettis.
Depois mantém-se o mais próximo possível da costa até
Cádiz e Huelva para entrar em Portugal pela Via do Infante até Faro. Um passeio
de barco pela ria Formosa e uns mergulhos para ganhar forças para subir pela
costa vicentina de Sagres a Sines, com paragem para um lanchinho de percebes em
Vila do Bispo. Mais dois dias para percorrer a costa portuguesa em ritmo
acelerado, porque aqui pode ir facilmente em qualquer altura do ano.
Adeus a Portugal em Caminha, para percorrer a costa da
Galiza, com paragens obrigatórias em Vigo e na Corunha. Delicie-se com as
paisagens fantásticas das estradas costeiras e com os mariscos galegos, a
merecer peregrinação. Finalmente, cumpre-se a rota do Cantábrico, primeiro com
uma paragem na vibrante e magnífica cidade de Oviedo, a jóia das Astúrias, para
finalmente entrar em território basco com visita ao Guggenheim de Bilbao e
final de jornada na burguesa San Sebastian. Não tente fazer esta no pico do
Verão, porque se vai arrepender. Junho é uma boa aposta.
Distância: 2962 km
Tempo de viagem: 36 horas
Custo estimado: 356 €
Percurso recomendado: Barcelona - Valência - Almeria - Cádiz - Faro -
Sines - Lisboa - Caminha - Vigo - Corunha - Oviedo - Bilbao - San Sebastian
4. Serra da Estrela-Alpes: E passagem pelos Pirenéus
Uma viagem para quem não tem vertigens e gosta de
ziguezaguear por estradas de montanha. Da serra da Estrela aos Alpes com
passagem pelos Pirenéus. Uma road trip de Inverno, mas que também pode ser feita na Primavera
ou até no Verão, onde a altitude dá frescura.
Com partida do ponto mais alto de Portugal
continental, a Torre da serra da Estrela para efeitos simbólicos pode traçar
uma recta pela grande Mancha e pernoitar em Zaragoza para depois iniciar a
travessia dos Pirenéus por Andorra-a-Velha ou por Jaca.
Se quiser dormir uma noite nos Pirenéus, o Vale de
Benasque parece um Shangri La encantado, um paraíso protegido pelos altos picos
pirenaicos. Inicia depois a descida até aos médios Pirenéus franceses e à
acolhedora cidade de Toulouse. Daí atravessa o Sudeste de França até ter os
primeiros maciços alpinos no horizonte. Grenoble ou Lyon são boas cidades para
retemperar forças e iniciar a escalada dos Alpes franceses, imaginando o
esforço prodigioso dos ciclistas da Volta a França naquelas etapas para super-homens.
Pode e deve demorar o seu tempo a percorrer a cordilheira dos Alpes, quer pela
vertente Norte, quer pela vertente Sul. Aí a escolha é sua, ou prefere falar
alemão ou francês e italiano.
Marque o final da sua odisseia alpina para Innsbruck,
cidade-planalto e que dá acesso a algumas fabulosas estâncias de esqui. Se
ainda tiver energia e dias livres, mais duas centenas de quilómetros até
Salzbugo merecem o derradeiro esforço.
Distância: 2404 km
Tempo de viagem: 27 horas
Custo estimado: 351 €
Percurso recomendado: Covilhã - Madrid - Zaragoza - Toulouse - Grenoble -
Vaduz – Innsbruck
5. Faro – Marraquexe: África aqui tão perto
Esta não é uma road trip europeia, mas uma proposta irrecusável para ir a
África e ao deserto, a uma distância muito inferior às outras rotas. Distância
inferior e custos inferiores, mesmo considerando o preço do ferry
boat que pode apanhar em Algeciras, depois de fazer uma etapa sem
paragens a partir de Faro.
Uma vez tratados os procedimentos alfandegários está
já em solo marroquino e em África e deve aproveitar para passar a primeira
noite em Tânger, cidade que foi um famoso refúgio para escritores, pintores e
artistas. Pode levar no bolso o caderno de desenhos de Delacroix com as suas
impressões marroquinas. A partir de Tânger tem duas alternativas para fazer a
viagem até Marraquexe – ou vai pela costa, repleta de sinais da presença
portuguesa, ou vai pelo interior e pelo Atlas para poder ir ver um pôr do sol
no deserto. Também pode ir por um lado e vir pelo outro, desenhando assim o
grande anel de viagem em Marrocos.
Na mais movimentada auto-estrada costeira pode e deve
passar uma noite em Casablanca e ir ao Rick’s Cafe que está quase como Humphrey
Bogart o deixou. Depois segue até Safi e daqui sempre pela belíssima estrada costeira,
com o mar na janela direita do carro. Próxima paragem obrigatória, Essaouira,
cidade fundada por portugueses e uma das mais charmosas estâncias balneares do
país. De Essaouira a Marraquexe são apenas três horas de viagem e pode chegar
bem a horas de beber um thé à la menthe no Hotel Mamounia (o preferido de
Churchill) ou uma laranjada ao pôr do sol da vibrante Praça Jemaa El Fna,
Património da Humanidade.
Mas para sentir a verdadeira atmosfera berbere de
Marrocos e se deslumbrar com grandes estradas, paisagens e cidades monumentais
o melhor percurso é a partir de Tânger seguir para Leste em direcção ao
deserto, com paragens recomendadas na cidade azul de Chefchouaen, erguida num
dos picos das montanhas do Riff. Daí aponte os cavalos às cidades imperiais de
Meknès e Fez, com a sua labirintica medina a desafiar o seu sentido de
desorientação.
Para ter um “cheirinho” do deserto deve reservar dois
dias para visitar as fantásticas dunas do Erg Chebbi e daí seguir para sul e
para Ouazarzate pela estrada que vai passar pela incrível garganta do Todra. Em
Ouazarzate, depois de visitar os estúdios de cinema onde foram gravados grandes
épicos de Hollywod, segue-se a transposição do Atlas, numa viagem desafiante e
que exige toda a atenção do mundo, já que conduzir em Marrocos é só por si um
desafio. A rota dos kashbahs vai levá-lo
a belas cidades como Ait Benhaddou, onde foram filmadas cenas de O
Gladiador, para finalmente chegar à cosmopolita e esfuziante cidade
vermelha de Marraquexe.
África aqui tão perto. Do que está à espera?
Distância: 1025 km
Tempo de viagem: 12 horas
Custo estimado: 145 € (sem ferry boat)
Percurso recomendado: Faro - Algeciras - Tânger - Chefchouaen - Fez - Erg
Chebbi - Ouazarzate – Marraquexe
6. Lisboa - Nápoles: La dolce vita do
Atlântico ao Mediterrâneo
Se gosta de mar e de estradas costeiras, esta pode ser
a mais espectacular road trip para um
Verão tórrido, desde que opte por fazer a viagem sempre junto à costa, do
Atlântico ao Mediterrâneo. Percorrer o Sul de Espanha é já em si uma
grande road trip. Sugiro que faça duas ou três paragens pelo
caminho – por exemplo em Málaga (terra de Picasso), Almeria (terra de western
spaghettis e do único deserto da Europa) ou em Figueres (terra de Dali
a norte de Barcelona). Quando passar a fronteira com França continue a seguir a
linha de costa até Marselha e o seu gigantesco porto e bas fond nocturno.
Depois vista o seu melhor fato de linho e meta o borsalino estiloso e rume à
atraente e milionária Côte d’Azur.
Ficar em Cannes, Nice ou até no Mónaco vai fazê-lo
sentir uma estrela de cinema, e só isso vale a pena. Segue-se depois a bela
Itália, pela Riviera italiana, que já viu dias de maior fausto, mas que ainda
assim tem todo o encanto e monumentalidade de cidades como Génova.
Deve arranjar tempo para visitar as Cinque Terre, um
dos mais belos pedaços de orla costeira da Europa, com vilas piscatórias
alcandoradas como presépios sobre o mar. Ir beber um Martini a Portofino também
só fica bem no seu instagram.
Antes da última etapa deve saborear la dolce vita em Roma, para seguir até
Nápoles. Como se dizia antigamente, “ver Nápoles e depois morrer”. Não é caso
para tanto, mas se sobreviver pode sempre aproveitar para uma breve incursão à
magnífica costa amalfitana e visitar as ruínas de Pompeia, como Ingrid Bergman
em Viagem a Itália, obra-prima do seu marido, Roberto
Rosselini.
Distância: 2714 km
Tempo de viagem: 28 horas
Custo estimado: 410 €
Percurso recomendado: Lisboa - Cádiz - Almeria - Barcelona - Marselha -
Cannes - Génova - Roma – Nápoles
7. Porto-Inverness: Do vinho do Porto ao scotch
whisky
Esta é uma grande rota para os apreciadores de
prazeres dionisíacos e amantes da bebida, por isso já sabe, sorteie sempre quem
guia antes de cada etapa.
A viagem pode e deve começar com um Porto de Honra nas
caves de Gaia, para depois seguir o curso do rio Douro e da região vinhateira,
Património da Humanidade. Mantendo-se na peugada da Ribera del Duero, em
Espanha vai poder atravessar a conhecida região de vinícola da Rioja, que
merece paragem retemperadora em Logroño.
Se ficou impressionado com a beleza das paisagens e a
qualidade dos vinhos, espere até atravessar a fronteira com França e passar por
Bordéus. Nenhuma região do mundo produz tantos vinhos de altíssima qualidade
como a cidade girondina e as suas mais de 20 sub-regiões. Pode perder por ali
um bom par de dias que não dará o tempo por mal empregue. Depois segue até Le
Mans ou Caen e daí até a Calais, para atravessar o Túnel da Mancha, que é sempre
uma grande experiência, antes de desembarcar na velha Albion. Londres é
incontornável por todos os motivos e mais algum, o que dispensa mais
explicações. Depois
delicie-se com as magníficas paisagens e pequenas cidades do countryside inglês
até Glasgow ou Edimburgo (a escolha é sua).
Aperte bem o cinto e o kilt e prepare-se para viajar por
algumas das mais belas estradas da Europa e para travar conhecimento com o
lendário humor escocês. Na sua cavalgada para as Highlands pode fazer metade do
chamado “anel da Escócia”, que o leva pela costa este até Saint Andrews -
cidade berço do golfe - ou às mais industriais Aberdeen ou Dundee. Finalmente,
suba às terras altas e visite as mais famosas destilarias do mundo, provando o
famoso whisky escocês. Se provar os suficientes estará mais
apto a avistar a simpática Nessie, que é como os locais chamam o
monstro do Loch Ness.
Finalmente, termine a sua longa peregrinação como
começou, a beber um Macallan Rare Cask num acolhedor hotel da bela Inverness –
recomendo o Inverlochy Castle, para poder beber que nem um rei.
Distância: 2890 km
Tempo de viagem: 31 horas
Custo estimado: 343 €
Percurso recomendado: Porto- Logroño - Bordéus - Caen -Londres -
Leeds -
Edimburgo - Aberdeen – Inverness
8. Lisboa-Moscovo: A grande transeuropeia
Que tal
repetir a inédita viagem do jornalista da RTP, Carlos Fino, que em 1982 uniu
Lisboa a Moscovo por estrada, mostrando que era possível “furar” a cortina de
ferro?
Esta é sem
dúvida uma das grandes odisseias motorizadas que um português pode fazer pela
Europa. O jornalista Filipe Loureiro fê-la, por exemplo, ao volante de um
velhinho e estimado Mini, por isso não há que ter medos, apenas muito tempo e
alguns rublos, porque a viagem é longa - ida e volta são mais de 10 mil
quilómetros.
Pode
escolher vários itinerários, mas se quer um sabor pleno do Centro da Europa e
do grande Leste, a marcha deve ser feita até Bruxelas, e a partir daí
atravessar a Alemanha em direcção à Polónia ao som de Wagner. Woody Allen dizia
que quando escutava Wagner lhe apetecia invadir a Polónia, faça pacificamente o
mesmo. E nesta marcha é obrigatório recordar o período mais negro da história
da Europa e visitar os famigerados campos de concentração nazis - Auschwitz ou
Dachau.
Na Polónia pode e deve parar em Varsóvia ou, melhor
ainda, na espectacular cidade de Cracóvia, preparando-se para mergulhar no
profundo Leste europeu. A travessia da Bielorrússia, com magníficas paisagens e
longas estradas desertas, promete ser um dos pontos altos da sua viagem, antes
de entrar em território russo e desfilar vitorioso, ao som de Stravinsky, na
Praça Vermelha em Moscovo. Não faça como Napoleão e Hitler e deixe o Inverno
passar para se aventurar nesta grande jornada pela Europa Central e do Leste. Se
for no Inverno, pelo menos leve um dos lendários gorros à Carlos Fino.
Distância: 4582 km
Tempo de viagem: 51 horas
Custo estimado: 514 €
Percurso recomendado: Lisboa- Madrid- Barcelona- Paris- Bruxelas- Berlim-
Varsóvia- Minsk- Moscovo
9. Cabo da Roca- Cabo Norte: Europa de ponta a ponta
Se os americanos têm a grande Panamericana que atravessa o continente, do
Alasca à Terra do Fogo, os europeus têm a rota de cabo a cabo. O desafio aqui é
unir por estrada o ponto mais ocidental da Europa continental - o cabo da Roca
– ao cabo Norte, na Noruega. Do ponto mais ocidental ao ponto mais a norte do
continente europeu.
O primeiro
português a fazê-lo por estrada foi o decano jornalista e viajante Vasco
Calixto, já nos anos 1960. Há também quem o faça de moto ou até de bicicleta,
como o ciclista galego Borja Delacasa, mas não sugiro nada tão radical.
É uma extraordinária viagem, que pede tempo e um bom punhado de euros no bolso,
já que o custo de vida vai subindo nas latitudes mais a norte. Recomendo que
atravesse Espanha rapidamente (está aqui ao lado e pode ir lá num saltinho mais
vezes) e que faça França pelo menos conhecido interior - por Lyon e Dijon
(comprar um frasquinho da famosa mostarda).
Desta vez, e só desta vez, pode flanquear Paris (os voos para lá estão
baratinhos) e seguir pela Alsácia-Lorena em direcção a Dusseldorf e Hamburgo,
vibrante cidade portuária alemã com uma das mais animadas vidas nocturnas da
Europa.
A partir
daqui entra em território viking e é bom que esteja preparado para a longa
maratona que se segue. Se a vida nocturna de Hamburgo não faz o seu género,
pare em Copenhaga, a cidade mais feliz do mundo, e vá retribuir a visita que o
escritor Hans Christian Andersen fez a Portugal. Em seguida, atravesse a
fantástica ponte que liga a capital da Dinamarca a Malmo, já na Suécia.
Agora tem duas alternativas para a etapa final, e qual delas a mais tentadora.
A primeira é seguir por Gotemburgo até Oslo, capital da Noruega, e daí até
Trondheim e depois Alta, ou então ir pela estrada costeira do golfo da Bótnia,
de Estocolmo até Skelleftea, e a partir daí inverter para a fronteira com a
Noruega em direcção à distante cidade de Alta, já bem perto do
Nordkapp. Pode optar por um percurso à ida e outro à vinda e assim a
escolha já não é tão terrível.
No cabo Norte vai ver o mais magnífico pôr do sol da
sua vida, mas atenção que por estas paragens o sol dura pouco e não vai querer
nunca regressar do Nordkapp de noite, porque, garanto-lhe, é uma experiência
aterradora no Inverno, que só recomendo a pilotos experimentados com a coragem
de um viking e pneus com pregos como deve ser.
Distância: 5404 km
Tempo de viagem: 64 horas
Custo estimado: 634 €
Percurso recomendado: Cabo da Roca - Madrid - Lyon - Hamburgo - Copenhaga
- Estocolmo - Skelleftea - Alta - Nordkapp
10. Lisboa-Istambul: Expresso do Oriente
O expresso do Oriente, mas por estrada – este é o
derradeiro desafio e a grande road trip que
um português pode fazer na Europa. Ligar Lisboa a Istambul por estrada, uma
odisseia que muitos tentaram e poucos conseguiram. Miguel Afonso
Carranca, motard e aventureiro, fez a
viagem numa velha moto e sobreviveu para a contar (já a moto…).
Esta é uma viagem que exige tempo, férias grandes e à
grande e sobretudo um bom espírito de aventura. Recomendo que faça a jornada
até ao Sul de França e à fronteira com Itália o mais rapidamente possível,
porque essa road trip pode fazê-la mais
facilmente noutra altura.
O Norte de
Itália já é outra história. Pela sombra dos Apes vá direitinho até Milão para
ver como param as modas. Depois, siga até Veneza, com paragem obrigatória em
Pádua e na Verona de Romeu e Julieta.
A partir de Veneza é quando a verdadeira aventura
começa, a chamada aventura balcânica, que só por si merecia uma longa e
exclusiva road trip.
Pode optar
pela investida mais radical (e demorada) seguindo junto à costa do Adriático e
percorrer a bela faixa costeira de Montenegro e da Croácia até Tirana, a
colorida capital da Albânia. Pelo caminho, paragem obrigatória na histórica e
flagelada cidade de Dubrovnik que ainda ostenta as terríveis marcas da guerra
com a Sérvia.
Depois,
atravessa a Macedónia até Tessalónica, no Norte da Grécia, para seguir pela
costa do Mar Egeu até à antiga Constantinopla, porta do Oriente, a assombrosa
cidade de Istambul.
A
alternativa a este percurso, mais directa, mas nem por isso menos encantadora,
é a partir de Trieste seguir até uma das mais belas e romântica cidades dos
balcãs, Lujbliana, capital da Eslovénia, e tomar a A3 que o vai levar até
Belgrado, capital da Sérvia, que também merece paragem.
A partir
daqui é bom que a sua linguagem gestual esteja bem afinada, porque inglês ou
francês é coisa que poucas pessoas falam. Atravessar a Sérvia e depois a
Bulgária até Sofia vai deixá-lo a pensar que devia ter metido um período
sabático lá no escritório, tamanha a diversidade que aguça a curiosidade, mas
como a vida é feita de escolhas, vá escolhendo pelo caminho até chegar a
Istambul e beber um chá num dos inúmeros terraços sobre o Bósforo. Do outro
lado está a Ásia e um outro mundo de aventuras para fazer, para quem tem um
endiabrado Marco Polo escondido dentro de si…
Distância: 4101 km
Tempo de viagem: 43 horas
Custo estimado: 542 €
Percurso recomendado: Lisboa-Barcelona-Marselha- Milão - Veneza - Trieste
- Lubjlana - Belgrado - Sofia - Istambul
Fonte: Fugas
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Os 15 novos brunches de Lisboa e Porto
Há sugestões a partir 7€, à carta ou em buffet.
Abriram todos nos últimos meses.
Um dos mais recentes espaços de Lisboa com brunch é o
Querido Bistro. Abriu junto à Assembleia da República, em São Bento.
Durante a semana serve pequeno-almoços idênticos aos de um hotel e o brunch é
aos sábados, também em modo buffet.
No Porto, há menos opções — parece que o brunch não
atraiu muito os responsáveis dos novos restaurantes da cidade. Ainda assim pode
provar a refeição na Casa de Chá Mil Folhas.
Consulte o seguinte link e saiba
mais: http://www.nit.pt/article/04-22-2016-os-15-novos-brunches-de-lisboa-e-porto
Etiquetas:
brunch; portugal; lisboa; porto
sexta-feira, 22 de abril de 2016
"As 5 coisas de que eu mais gosto em Berlim"
Afonso
Rocha, 18 anos, estudante de música na escola Hochschule für Musik Hanns
Eisler. Vive em Berlim desde Setembro de 2015. Fique a conhecer aquilo
que Afonso destaca desta magnífica cidade.
1.
Riqueza cultural
Riqueza cultural
Distinguida como uma das principais e mais desenvolvidas
cidades europeias, Berlim é uma cidade que oferece uma diversidade e qualidade
cultural notáveis. A Ilha dos Museus, constituída por cinco museus e situada
bem no centro de Mitte, é um ponto-chave para quem decidir visitar esta capital
europeia.
2.
Conteúdo histórico
Conteúdo histórico
A Alemanha foi um dos principais intervenientes naquele
que foi um dos maiores massacres da História da Humanidade, a Segunda Guerra
Mundial. Em Berlim, é possível estar em contacto com pequenas partes do muro,
visitar o Memorial do Holocausto e estar a poucos quilómetros de um dos mais
conhecidos campos de concentração: Sachsenhausen.
3.
Música
Música
Sendo músico, a oportunidade de estar em contacto com uma
das melhores orquestras do mundo, a Orquestra Filarmónica de Berlim, e com
músicos do mais alto nível e renome internacional, é uma experiência
extremamente enriquecedora e gratificante.
4.
Espaços verdes
Espaços verdes
Apesar de ser uma das cidades mais importantes e
influentes da Europa, e conter quase quatro milhões de habitantes, cerca de 1/3
de Berlim é composto por espaços verdes, lagos, parques, rios, Natureza…
Mauerpark e Tiegarten são alguns dos excelentes exemplos destes espaços verdes
em Berlim. Aconselho vivamente a visita ao Zoologischer Garten para um dia bem
passado em redor dos animais!
5.
Facilidade de movimentos
A cidade de Berlim está incrivelmente bem organizada
relativamente à sua rede de transportes. Consegue possibilitar-nos, através do
comboio, metro, eléctrico e autocarros, várias opções para alcançarmos o nosso
destino. Além disso, a cidade tem a capacidade de receber os amantes do
ciclismo, proporcionando-lhes vias de enorme qualidade.
Fonte: Fugas
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