segunda-feira, 4 de maio de 2020

A Laura foi à descoberta da Terra do Sol Nascente - parte 4

A Laura decidiu ir à descoberta da cultura ancestral do Japão no passado Setembro. Hoje descobrimos o que afinal aconteceu ao tori de Miyajima e relembramos Hiroshima, um exemplo de resiliência e de esperança. Em nome próprio, a Laura conta as suas aventuras na Terra do Sol Nascente. Miyajima e o tori "desaparecido", e Hiroshima cheia de esperança Hoje, 25/09 (4ªfeira), acordámos cedo e fomos para o ponto de encontro para a visita guiada em grupo a Miyajima e Hiroshima, perto da estação de Quioto. Não pudemos tomar o pequeno-almoço no hotel, porque a visita começava às 7h50 e, aparentemente, os pequenos-almoços só começam às 7h (em Osaka também era assim), mas prevenimo-nos na noite anterior e fomos a um supermercado. A partir do ponto de encontro fomos para a estação de Quioto para apanharmos o shinkansen para Hiroshima. É cerca de 1h30 de viagem, pelo que chegámos pelas 10h. O grupo foi recebido pela guia na plataforma da estação de Hiroshima e foi encaminhado para o autocarro em que iríamos fazer a visita. Fomos directos apanhar o ferry para Miyajima (25-30 minutos desde a estação) que demora menos de 10 minutos. Como saberão, Miyajiima é famosa pelo seu tori e shrine dentro de água que proporciona uma imagem fabulosa (e fotografias também!). Só que, adivinhem só... não só estava maré baixa, como o tori estava em processo de restauro! Ainda assim, valeu muito a pena a visita e só tivemos pena de não ter mais tempo para explorar (apesar de a ilha ser pequena).

Photo by Laura Filipe

Vimos o shrine por dentro, o tori (ainda que totalmente coberto) e babámo-nos mais um pouco com os veados selvagens que vivem em Miyajima. Pois, eu também pensava que só existiam em Nara. Mas aqui não é permitido alimentá-los e há que ter alguma atenção, porque os veados daqui são conhecidos por tentar roubar sacos de plástico em busca de comida - ainda assim, são dóceis e deixam fazer festinhas. No final da visita ao shrine, aproveitámos o tempo livre para passear mais um pouco e almoçar. Experimentámos okonomiyaki, uma massa com vários toppings, tudo salteado - muito saboroso - e aqui a especialidade é okonomiyaki de marisco, especialmente de ostras (que na ilha são comidas cozinhadas em vez de cruas). Mas como nenhum dos dois é amante de ostras, optámos pelo standard. Fizemos depois a viagem de ferry e autocarro de regresso a Hiroshima para visitar o Parque e o Museu em homenagem às vítimas da bomba atómica. Começámos pelo Parque, em que vimos o A-Bomb Dome, um dos edifícios que, apesar de estar praticamente no hipocentro da explosão, sobreviveu e foi preservado pela cidade. Não sei explicar a sensação de olhar para as entranhas de um edifício outrora perfeitamente funcional. Foi impressionante também ver um tori de pedra que sobreviveu à explosão.

Photo by Laura Filipe

Ficámos a saber que a explosão ocorreu pertíssimo de uma escola primária e que muitas crianças morreram. Por esse motivo, e, em especial, por causa de uma menina chamada Sadako (que estando extremamente doente, todos os dias fazia passarinhos de origami para que o seu desejo de recuperação se concretizasse, embora sem sucesso...) foi inaugurado o monumento de homenagem a todas as crianças que sofreram com a bomba atómica. Ainda hoje, crianças e adultos colocam corrente de passarinhos de papel no monumento, e um pouco por todo o Parque que são, gradualmente, recolhidos e reciclados pela cidade e transformados em postais. Ao chegarmos, um grupo de crianças em visitas de estudo (com os seus adoráveis uniformes) cantavam em frente ao monumento. Embora apenas percebesse palavras soltas, a mensagem era de esperança por um futuro com mais amor e, sobretudo, paz. Ainda agora, ao relembrar este momento, me sinto emocionada pela pureza das vozes daquelas crianças que cantam pelas que perderam as suas.

Photo by Laura Filipe

Continuámos a caminhar pelo Parque que tem um sino que é tocado pelos visitantes a desejar a paz mundial. Existe também uma vala comum para as pessoas que estavam demasiado desfiguradas para serem reconhecidas e que foram ali colocadas a repousar sob o olhar de Buda, para que as suas almas fossem salvas e pudessem encontrar paz. Existe ainda uma parte muito bonita do Parque (já em frente ao Museu) com uma chama que arde eternamente enquanto existirem bombas nucleares no mundo. A visita a Hiroshima não é fácil, mas o "pior" ainda estava para vir. Seguimos para o Museu da Paz. Não sei o que esperava, honestamente, mas não estava preparada para o que encontrei. Nunca percorri um museu em que o silêncio fosse tão absoluto e, ao mesmo tempo, tão ensurdecedor. Em que os semblantes passavam de incrédulos a tristes com cada passo. O Museu explora os acontecimentos do dia do bombardeamento e as consequências dos dias seguintes devido à radiação, com histórias dos sobreviventes e dos que não sobreviveram. As fotografias são explícitas, nuas, cruas e não poupam ninguém. Não há panos quentes, apenas factos. É um murro no estômago e um aperto no peito que dura cerca de 1h30. Não será uma visita para toda a gente, mas é um confronto importante, pois somos obrigados a sentir o desespero daquelas pessoas. E é importante para que não existam mais "Hiroshimas". No entanto, o Museu termina com uma nota de esperança, relatando casos de sobreviventes que refizeram as suas vidas. A própria cidade é um símbolo de esperança, resiliência e recuperação, já que começaram a desenvolver a cidade quase de imediato após o bombardeamento (ironicamente, as suas fábricas não foram atingidas).

Photo by Laura Filipe

Ao sairmos do Museu fomos agraciados com um belíssimo pôr-do-sol. Regressámos de autocarro até à estação de Hiroshima e de shinkansen até Quioto. Fomos jantar algo simples e rápido e preparar a mala para as próximas 4 noites sem a bagagem principal (que seguirá amanhã, 26/09, directa para o hotel de Tóquio).

segunda-feira, 27 de abril de 2020

A Laura foi à descoberta da Terra do Sol Nascente - parte 3

A Laura decidiu ir à descoberta da cultura ancestral do Japão no passado Setembro. Já começámos antes a contar a história desta viagem. Hoje vamos descobrir o paraíso dos veados sagrados, aprender a arte ancestral das cerimónias de chá e visitar Himeji. Em nome próprio, a Laura conta as suas aventuras na Terra do Sol Nascente.


Descobrir Nara, o paraíso dos veados sagrados

Chegados a Nara, subimos a rua à saída da estação até uma passagem subterrânea que vai dar à zona noroeste desta rua que, mais à frente, se liga à rua do Nandai-mon Gate, além do qual está o Templo Todai-ji.

Pelo caminho começaram a aparecer os famosos veados sagrados, e são amorosos!


Photo by Laura Filipe

Podem comprar-se bolachas por 150 JPY para lhe dar e eles ficam doidos e andam atrás das pessoas e a puxar a roupa ou a dar pequenas marradinhas, mas sem qualquer agressividade. Estão completamente habituados às pessoas e não têm medo nenhum. São muito espertos - se mostramos as mãos vazias, param de nos seguir e vão procurar outras vítimas.

O Templo Todai-ji é um espanto por fora e tem um Buda impressionante no seu interior. Passámos o resto do dia a explorar o Nigatsu-do Hall, o Kasuga-Taisha Shrine e o Templo Kofuku-ji. E, claro, a ser chantageados por veados até cedermos e darmos mais bolachinhas - e um bocado do nosso itinerário da viagem!


Photo by Laura Filipe

Nara vê-se bem num dia. Chegámos por volta das 10h e regressámos pelas 17h20. Mas anda-se que se farta!

O Nigatsu-do Hall está numa localização giríssima no topo da colina. O Kasuga-Taisha Shrine é um complexo ainda grande, muito bonito e com uma sala escura cheia de lanternas iluminadas que faz um efeito mágico.

Ao chegar a Nara é aconselhável verificar logo os horários dos comboios de regresso, para não acontecer como a nós que ficámos quase 1 hora à espera do seguinte.

Regressados a Quioto, fomos gastar dinheiro ao Pokémon Center (eu sei...) e depois decidimos que queríamos ir ver Gion à noite, o que se revelou uma aventura.

Primeiro não encontrávamos o local dos city bus que vão para Gion a partir da estação de Quioto - e acreditem quando vos digo que se anda quilómetros dentro desta estação! Então, decidimos apanhar o metro para Karasuma, de onde sabíamos que saíam os autocarros. Surpresa das surpresas: os city bus eram desse lado da estação!

Bom, chegados a Karasuma, apanhámos alegremente o autocarro, só que... no sentido contrário. I know, right!?

Voltámos para trás, apanhámos o comboio para Kawaramachi na Hankyu Railway e, pronto, lá fomos ver a rua principal de Gion que estava iluminada, mas muito sossegada. E não vimos geishas.

Dizem que as pessoas quando estão de férias fora do seu país perdem uns pontos de QI, não é? Comprova-se a 100%.

Trinta mil passos depois (e não estou a exagerar, a média até agora são uns 25 mil por dia), chegámos finalmente ao hotel para descansar. O nosso cartão SIM continua sem funcionar, mas já nos resignámos e vamos continuar a viagem the old fashioned way, que até tem mais encanto.

Amanhã vamos ter a cerimónia de chá de manhã (hopefully não nos vamos enganar no sentido do autocarro) e depois seguimos para Himeji de shinkansen.


A cerimónia de chá e o Castelo de Himeji

Ontem, 24/09 (3ªfeira), foi dos dias em que acordámos mais tarde. Os nossos dias têm começado sempre muito cedo.

Tomámos o pequeno-almoço e fomos de transportes até Gion, onde teríamos a experiência da cerimónia de chá. Não, não nos enganámos no sentido do autocarro.

A cerimónia foi numa casinha muito pequenina, num pequeno beco perto do Templo Chionin - que fomos espreitar porque chegámos 30 minutos antes da hora marcada para a cerimónia, e que é muito giro, especialmente porque não tinha hordes de turistas. Consegue apreciar-se o espaço e a aura espiritual do sítio e imaginar como seria há séculos atrás.


Photo by Laura Filipe

Fomos recebidos por uma senhora dos seus 60 anos, vestida com um kimono, que nos pediu para nos descalçarmos e para nos sentarmos no chão de frente para os utensílios utilizados para a cerimónia. Começou por explicar o significado por trás da cerimónia de chá e o que os convidados deviam levar consigo. Depois explicou cada um dos utensílios utilizados.

Seguiu-se a demonstração.

Em completo silêncio, a nossa anfitriã executou a sequência intrincada e precisa de movimentos que compõem a cerimónia. É quase hipnotizante. A senhora era de uma enorme graciosidade na fala e nos gestos. Serviu-nos o chá, que é à base de matcha (o único utilizado para estas cerimónias, e só em ocasiões especiais) e depois explicou todo o processo que tinha feito. Em seguida, convidou-nos a preparar o nosso próprio chá (que, modéstia à parte, ficou muito saboroso), e mostrou-nos o "ritual" que os convidados devem seguir para beber o chá.

Uma experiência de cerca de 1 hora que vale muito a pena. E vale a pena que seja feito em privado, porque é muito intimista.

Terminada a cerimónia fomos para a estação de Quioto, almoçámos, e pelas 13h30 apanhámos o shinkansen em direcção a Himeji. A viagem é menos de 1 hora e o comboio mais parece um avião. Só não fiquei totalmente rendida, porque os meus ouvidos sofreram mais do que numa viagem de avião. Mas há que admitir que é um meio de transporte muito conveniente.

Visitar Himeji por nós próprios é extremamente fácil. Saindo da estação, é seguir sempre em frente pela rua principal - cerca de 1km - e chegamos ao Castelo.


Photo by Laura Filipe

Apesar de ter uma parte em processo de restauro - o Governo Japonês tem por hábito restaurar regularmente os seus monumentos, e não apenas quando estão com problemas - e, por isso, coberta por andaimes e rede, o Castelo é realmente impressionante e merece bem que se "perca" uma tarde para visitar. O interior também está muitíssimo bem preservado e leva-nos numa pequena viagem no tempo.

Optámos por comprar os bilhetes para o Castelo e o Jardim Kokoen. O Jardim vale muito a pena porque é lindíssimo, com pequenos lagos e koi (carpas). Vimos o jardim já um pouco a correr para não nos atrasarmos para o comboio de regresso às 18:03, mas vale a pena ver com um pouco mais de calma. Diga-se que o Jardim acabou com o que restava do meu cartão de memória de 32GB. Quase 800 fotografias em 4 dias. Será um exagero?


Photo by Laura Filipe

No caminho de regresso à estação aproveitámos para provar uma iguaria típica, uma espécie de croquete gigante em espetada com o interior recheado de queijo - uma delícia!

Regressados a Quioto fomos experimentar os pratos de caril que os Japoneses também gostam, e recomendo vivamente. Não sou uma grande apreciadora de caril, mas gostei deste.

Depois fomos direitinhos para o hotel, porque foram mais 25 mil passos, e tínhamos de acordar cedo no dia seguinte para a visita a Miyajima e Hiroshima.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

A Laura foi à descoberta da Terra do Sol Nascente - parte 2

A Laura decidiu ir à descoberta da cultura ancestral do Japão no passado Setembro. Já começámos antes a contar a história desta viagem. Hoje seguimos para Quioto, a antiga capital do Japão. Em nome próprio, a Laura conta as suas aventuras na Terra do Sol Nascente.


A aventura continua em Quioto

Ontem (22/09, 2ªfeira), partimos bem cedo para Quioto. Encontrámo-nos com a guia às 7h30 no hotel e fomos para a estação de Osaka para apanhar o comboio.

A guia deu-nos os cartão ICOCA (cartões de transporte, iguais aos SUICA que se obtêm em Tóquio) e mostrou-nos como carregar o cartão e verificar o saldo. É muito fácil de usar e dá para praticamente tudo (comboio, metro, autocarro...). Só não dá para a Japan Rail e o shinkansen (comboio-bala).

A viagem de comboio foi curta e muito agradável. Não há dúvida que o Japão tem uma óptima rede de transportes públicos.

À chegada a Quioto, a guia levou-nos ao serviço de entrega de malas e as malas de porão seguiram directamente para o nosso hotel para que pudéssemos fazer a visita guiada livremente. Mais um óptimo serviço!

Começámos a visita por Fushimi-Inari, o shrine dos toris vermelhos - é lindíssimo! - e as ruas à sua volta que são ruas típicas japonesas com as fachadas das casas em madeira.


Photo by Laura Filipe

Seguimos para o Templo Kyiomizu-dera (Pure Water Temple) que, apesar de estar com a fachada em obras, é espectacular e tem uma vista magnífica sobre a cidade. Quioto, apesar de grande, não tem arranha-céus porque, por lei, não é permitido construir edifícios muito altos para preservar a skyline da cidade. O edifício mais alto é a Torre de Quioto.

Explorámos depois as ruas do bairro de Higashiyama que são muito típicas e estão cheiinhas de meninas e meninos vestidos com kimonos - e até tivemos a sorte de ver um casal a ser fotografado em trajes tradicionais de casamento. O Japão é também conhecido pelo chá matcha e neste bairro podem provar-se amostras de diferentes doces de matcha e outros doces tradicionais.


Photo by Laura Filipe

Daqui fomos ver a rua principal de Gion, com as suas lanternas vermelhas e as casas das maikos e geishas.

Por ser Domingo e o equinócio, muitas pessoas dirigiram-se aos shrines, templos e cemitérios para rezar e honrar os seus antepassados.

Após o almoço, seguimos caminho para Kinkaku-ji, também conhecido como Golden Pavilion, que era parte da residência de um shogun que, nitidamente, gostava de se exibir. O Golden Pavilion, como o nome indica, é todo dourado é está no meio de um lago, criando uma imagem lindíssima com o seu reflexo na água. É um local muito turístico, mas vale muito a pena. Não se visita por dentro, a não ser com uma autorização muito especial.


Photo by Laura Filipe

A paragem seguinte foi Arashiyama, local da floresta de bambu e do Templo Tenryu-ji. Azar dos azares: começou a chover a cântaros quando chegámos à floresta de bambu e só vimos o início do percurso, que parece ser espectacular. Em vez disso, fomos ver o jardim e o Templo, que está à beira de um pequeno lago e que, mesmo (e especialmente!) com chuva, tem um ambiente muito tranquilo. Daí, com o abrandar da chuva, fomos ver a ponte Togetsku-kyo que, enquadrada na paisagem verde de Arashiyama, é o local preferido de muitos japoneses para encontros românticos.


Photo by Laura Filipe

Regressámos ao hotel para fazer check-in e refrescarmo-nos um pouco antes do jantar com Maiko.
Note to self: nunca marcar quartos semi-duplos no Japão - temos de pedir licença para pôr um pé à frente do outro.

Pelas 18h10, fomos com a guia até ao local do jantar com Maiko, altura em que nos despedimos dela.

Não acho que estas experiências com Maiko valham muito a pena, só para alguém que tenha uma imensa curiosidade em ver uma Maiko de perto. É extremamente turístico. Não me senti de todo à vontade. E a comida também não era nada de especial, acabámos por ir comer qualquer coisa a outro lado quando saímos.

Regressámos ao hotel e fomos rever a melhor maneira de chegar a Nara no dia seguinte, porque apesar das explicações da guia, ficámos um pouco confusos entre o metro e o comboio. Lá percebemos que a melhor maneira de chegar a Nara é através da Kintetsu Line que parte da estação de Quioto. A JR Line também funciona, mas não fica tão central em Nara. Deve apanhar-se o comboio express que dura cerca de 45-55 minutos e é directo.

Foi o que fizemos no dia seguinte, 2ªfeira, 23 de Setembro.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

A Laura foi à descoberta da Terra do Sol Nascente - parte 1

Após uma viagem pela natureza da Costa Rica em 2018, a Laura decidiu ir à descoberta da cultura ancestral do Japão no passado Setembro. Sempre disse que seria a viagem da sua vida - será que superou expectativas? Vamos começar: em nome próprio, a Laura conta as suas aventuras na Terra do Sol Nascente.


A tão aguardada partida (e chegada)

Konichiwa, mina-san! Que é como quem diz "olá a todos!".

Ainda nem acredito bem que estou no Japão. Era uma viagem com que sonhava há anos e que nunca pensei fazer tão cedo. É um sonho tornado realidade.

Os voos correram muito bem. O aeroporto de Osaka é feio, mas é funcional e os trâmites legais não são muito demorados. Encontrámos a nossa guia à saída, comprámos um cartão SIM com dados e fomos apanhar o autocarro que nos deixou a menos de 10 minutos a pé do hotel. Chovia um pouco quando chegámos, mas sem ser incomodativo. O hotel é simpático, muito limpinho e bem localizado, a cerca de 10 minutos a pé da estação de Osaka (que seria o ponto de encontro da visita guiada do dia seguinte).

Chegámos ao hotel pelas 20h30, pelo que só tomámos um duche, trocámos de roupa e fomos em busca de um sítio para jantar.


Photo by Laura Filipe

Embora Osaka seja cheia de ruas e avenidas largas, e prédios altos que nos fazem sentir umas míseras formiguinhas, o encanto está nas ruas mais estreitas e cheias de restaurantes e sinais e placas luminosas, tal e qual como se vê nos filmes. Foi numa destas ruazinhas que encontrámos um pequeníssimo restaurante de ramen, onde só estavam japoneses (acabados de sair do trabalho), a jantar e a conviver. O empregado não falava uma ponta de inglês, mas entre o nosso japonês e gestos lá nos indicou qual a melhor opção - ramen de amêijoas. E tenho a dizer-vos que foi uma delícia (não só a comida, como este primeiro vislumbre da vida dos locais).


Primeira visita em Osaka

No dia seguinte (21/09, Sábado), encontrámo-nos com a guia na estação de Osaka. A cidade é mais bonita à noite toda iluminada, mas para os apreciadores de arquitectura vale a pena visitá-la de dia.


Photo by Laura Filipe

Começámos por visitar o Umeda Sky Building, que além de um exemplo de arquitectura moderna, permite uma observação de 360º de Osaka - a cidade é arranha-céus a perder de vista. Depois tivemos um early lunch, após o que fomos visitar o Castelo de Osaka, utilizando o metro.

O Castelo é lindíssimo por fora, e por dentro tem exposições sobre a História do Castelo e de Osaka.

Photo by Laura Filipe

Terminámos a visita com um cruzeiro e cerca de 1 hora pelo rio. Creio que teria sido mais interessante ter tido mais tempo no Castelo, e o cruzeiro é, honestamente, dispensável. Osaka é bonita no seu todo, não pelas partes que a compõem, pelo que o cruzeiro não acrescentou nada.

Regressados ao hotel, após breve visita ao Pokémon Center (no Japão, sê criança), tentámos activar o cartão SIM, mas sem sucesso.
Mesmo sem acesso a dados, decidimos ir visitar o bairro de Dotonbori the old fashioned way, com mapa na mão e a confirmar o caminho com as alminhas caridosas que acederam a parar. Rapidamente nos disseram que estávamos longíssimo a pé, e aconselharam-nos a apanhar o metro. E foi a melhor decisão! O metro funciona às mil maravilhas e é muito fácil de entender, mas anda-se imenso (!) dentro da estação para trocar de linha.

Dotonbori é o local ideal para foodies e pessoas que procuram divertimento.

E é tudo o que imaginava do Japão moderno: restaurantes grandes e pequenos em caves e em primeiros andares, street food, ruas iluminadas com lanternas vermelhas e outras sinaléticas e luzes néon; lojas de brinquedos, lojas de jogos de arcada... mas o melhor são as pessoas. Os homens parecem não saber comprar fatos do seu tamanho, as mulheres não conjugam as cores e chinelam sapatos demasiado grandes para os seus pés; as meninas em idade escolar andam com os seus uniformes de saias plissadas; há cortes de cabelo para todos os gostos, mas não há tatuagens e piercings; há bebés e crianças com caras adoráveis, e casais que passeiam de mãos dadas; há mulheres adultas com malas em formato de pikachu e homens adultos que seguem jogos de dança com coreografias femininas - não há vergonhas, há muita gente na rua a rir e a divertir-se.

Claro que tivemos de provar street food, mais precisamente takoyakis (uma espécie de bolinhos de polvo), e fomos experimentar aqueles jogos em que se tenta apanhar um peluche com uma garra. Sem sucesso, lamento informar...

Dotonbori merece a visita de quem tenha algum tempo em Osaka, porque contra-balança a ideia do japonês workaholic e sério, e dá-nos o outro lado.

Amanhã partiremos para Quioto bem cedo para continuarmos a explorar esta cultura centenária.

É em alturas como esta, enquanto escrevo este relato no silêncio da noite, após um dia muito bem passado, que me apercebo do quão privilegiada sou pela vida que tenho e por poder viajar pelo mundo e conhecer outras culturas - esta é, definitivamente, a verdadeira riqueza.

Arigato!

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Guia para bem cumprimentar em todo o Mundo - 5

Alguns cuidados


Na América Latina, é normal cumprimentar alguém que acaba de conhecer com um beijo, sendo isso equivalente a um aperto de mão na América do Norte. “Estranhamente, há uma correlação inversa (em muitos lugares) entre o número de beijos e o quão próximo e íntimo se é de uma pessoa”, diz Scott. “É como se o segundo beijo, de alguma forma, anulasse o significado do primeiro beijo. Em vez de ser um sinal de intimidade, é como um ritual.” A dinâmica de género também é considerada importante. Na Europa e na América Latina, cumprimentos com beijos entre mulheres e mulheres, e entre mulheres e homens são amplamente aceites. Como seria de esperar, beijos entre homens e mulheres são desaprovados em regiões mais conservadoras, enquanto um beijo na bochecha entre homens já pode ser bem-visto. 

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Guia para bem cumprimentar em todo o Mundo - 4

A prática


Um beijo, pelo nome, tem diferenças encantadoras: chama-se el beso em Espanha, beijinhos em Portugal, beijos no Brasil e beso beso nas Filipinas - mas a logística é simples: tocar a sua bochecha direita na da outra pessoa antes de se mover para o outro lado. A principal excepção é a Itália, que inicia o beijo pelo lado esquerdo. Enquanto algumas culturas aplicam mesmo os lábios nas bochechas, é melhor abster-se disso. Em vez disso, toque com as bochechas e beije o ar – com um som suave, e não o bombástico "muah"! – evitando qualquer troca de saliva. Porquê? “Alguns diriam por causa do batom”, diz Scott. “Outros diriam para evitar a propagação de germes”. Enfim - percebeu, certo?

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Guia para bem cumprimentar em todo o Mundo - 3

A teoria
Não só é importante saber em que ocasião terá de virar as bochechas, mas também perceber quantos beijos esperar. Só em França, o número de beijos varia de região para região, de acordo com uma pesquisa feita em 2014 a 100.000 cidadãos: os parisienses consideram que a norma são 2 beijos, na Provença são 3 e no Vale do Loire são 4. Aqui está o número habitual em alguns países:
Um beijo: Colômbia, Argentina, Chile, Peru, Filipinas.
Dois beijos: Espanha, Itália, Grécia, Alemanha, Hungria, Roménia, Croácia, Bósnia, Brasil (apesar de, como na França, o número poder variar de região para região) e alguns países do Médio Oriente (excepto quando é um cumprimento entre sexos diferentes).
Três beijos: Bélgica, Eslovénia, Macedónia, Montenegro, Sérvia, Holanda, Suíça, Egipto e Rússia (acompanhado com um abraço apertado).

sábado, 19 de outubro de 2019

Guia para bem cumprimentar em todo o Mundo - 2

As origens
No seu novo livro "One Kiss or Two: In Search of the Perfect Greeting", Andy Scott especula sobre a origem da tradição do beijo na bochecha, e remete para o beijo na boca sagrado que está enunciado na Bíblia. Com o tempo, é possível que esta saudação tenha evoluído para um beijo na bochecha, o que explicaria o porquê de este ser tão popular nos países católicos. Apesar desta prática ser comum também em sítios como o Médio Oriente e a Ásia, é omnipresente na América Latina e na Europa Continental. Scott diz que este era um costume camponês, que foi adoptado pelas elites quando as classes mais baixas começaram a migrar para as cidades.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Guia para bem cumprimentar em todo o Mundo - 1






Guia para bem cumprimentar em todo o Mundo

Ao contrário de um simples aperto de mão ou abraço, as circunstâncias que justificam o beijo diferem de cultura para cultura: em Espanha, como em Portugal, é comum dar um beijo em cada bochecha; em algumas partes da Ásia Menor, costuma-se beijar até oito vezes. Assim percebemos que os beijos na bochecha são mais arte do que ciência. Para os viajantes, uma compreensão básica de como isto funciona é essencial - porque o movimento errado pode ofender alguém. Abaixo segue um guia para evitar que seja apanhado desprevenido com um beijo de um local bem-intencionado. Boas saudações!

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Street art: viagens urbanas - 4

Cidade do México


Densamente povoada, cosmopolita e com muito a dizer, a Cidade do México tem uma longa tradição de muralismo com início em 1920 pelo trabalho do artista mexicano Diego Rivera. Hoje, aqueles que seguiram esta arte querem aproveitar o espaço nas paredes da cidade para abordar questões controversas. Mas não só. Muitos dos murais modernos da Cidade do México continuam a evocar antigas divindades aztecas, enquanto outros ecoam o activismo político e social do movimento muralista. Ainda há muito mais arte abstracta para ser apreciada em torno da cidade. Por isso, a caça à arte de rua na Cidade do México nunca é entediante:
- Centro histórico: Aqui encontrará a maioria das peças na parte oeste da rua, bem como nas ruas próximas, de Eje Central Lazaro Cardenas, ao sul do Parque da Alameda Central. Muitos dos melhores murais ficam mesmo à frente de bares e cafés ao ar livre.
- Parque Chapultepec: O maior parque da cidade pode não parecer um local óbvio para a arte urbana, mas contém uma atracção importante para os aficcionados da arte: um trabalho notável de Diego Rivera já que criou uma fonte de azulejos completa com tanques de água pintados.