Mostrar mensagens com a etiqueta moçambique. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta moçambique. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 12 de março de 2019

A viagem da Raquel em Moçambique - parte 4



Photo by Raquel Ribeiro

No Ibo, quando não canta o muezzin, cantam as cigarras e até as estrelas, prazenteiras com a brisa levezinha.

O quarto é despojado e fresco, com um mobiliário prodigiosamente antigo, cheio de classe e nenhum peso visual ou cinético, apesar da sua imponência histórica.

Photo by Raquel Ribeiro

Viemos por portugueses para portugueses. Séculos depois do Vasco chegaram o Zé e companhia, e com o mesmo pragmatismo fizeram coisas (o que não é de somenos nestas terras de existências e materiais caducos) e fizeram-nas bonitas.

Photo by Raquel Ribeiro

É por ser melhor (mesmo que apenas por instantes) do que estar em casa, sem estar longe da sua alma, que cá estamos, entre os mangais que ainda se viram para a Índia na hora da sua oração.

No Ibo ficámos no carismático Ulani Lodge, gerido pela Paula e pelo Zé, que são dos anfitriões que recordo com mais carinho por esse mundo fora.

Photo by Raquel Ribeiro

terça-feira, 5 de março de 2019

A viagem da Raquel a Moçambique - parte 3

Eu podia dizer algo diferente só porque é Natal e não quero incomodar.

Mas a verdade é que isto é maravilhoso, tudo, toda a possibilidade de vivê-lo sem qualquer lastro nem encenação.
E nem acredito conseguir dizer que viajar ainda me surpreende, que Moçambique é dos 5 sítios mais lindos onde já estive (e não fiz o resto do ranking, atirei só o palpite, se calhar é um dos 3 ou 2) e que me sinto absolutamente feliz aqui.

Eu vim cheia de raiva e cansada de pessoas, achava que só queria estar sozinha, em silêncio.

E hoje passei a tarde na praia do Tofo com todos os domingueiros em redor, todos os pretos de todas as cores, que os pretos têm cores variadas, e saltei nas ondas com a minha mãe pela mão e o meu pai a perder os calções a cada mergulho e, porra, que bem que estavam ali os pretos a serem alegres pela humanidade macambuzia toda, e que bem que me soube poder partilhar disso.

Photo by Raquel Ribeiro

Eu que estava insensível às bugigangas étnicas, que só associava ao hedonismo de as levar para casa e poder bufar, de pequena-burguesia, que já não tenho espaço, que a bagagem na TAP é cara e outras cretinices de quem goza com os pobres, achando genuinamente ser só uma remediadazinha, sangro em silêncio por cada par de olhos que me mostrou a sua arte (tão mais bonita e valiosa do que 2/3 das inutilidades com as quais gastei o dinheiro que agora digo que não tenho, lá na enfadada Europa) e a quem digo mentiras como "não quero" ou "não posso".

 Photo by Raquel Ribeiro


Quem faz arte assim merecia mais do que ser despachado pelo turista, que ainda traz as suas futilidades agarradas à maldita brancura da pele e ao daltonismo da sua triste escala de valores.

Moçambique não está "todo destruído", não, "eles" não deram "cabo disto tudo", nem têm "ódio ao tuga", aliás, eles nem sabem de que país vimos quando falamos português com eles. Não há violência, nem sequer se tranca as portas das casas e dos hotéis. A limpeza das ruas, das aldeias e das roupas das pessoas faz da Lisboa contemporânea, por comparação, um esterco. E a liberdade de opinião é reprimida pelos mandantes do seu próprio sangue, mas eles têm a coragem de falar sobre tudo connosco.

Photo by Raquel Ribeiro

Ter tido uma guerra com este país foi de um profundo mau gosto e tê-lo abandonado aos chupistas que os governam, a pretexto de uma falsa liberdade, ainda é um crime.

Serei melhor depois de vir aqui.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

A viagem da Raquel a Moçambique - parte 2

Photo by Raquel Ribeiro

Colunas de mosquitos formam-se nas margens do lago Niassa, mas muito longe, do lado do Malawi. Não chegarão cá. 
Hoje de manhã não há vento. As águas do lago estão translúcidas. Percebe-se onde estão as rochas e os troncos de árvores apodrecidos.
Os improváveis gatos europeus de cauda farfalhuda escondem-se no capim metamorfoseados de parentes primevos.
Ontem à noite ouvi histórias de aventura e resistência de quem cá vive emigrado há décadas. Fui para a cama ler um livro americano enquanto ouvia os batuques de festa na aldeia. E todas as inspirações contraditórias e estranhas que me assomavam aumentavam o sentimento da Africa para sempre impenetrável, misteriosa e indecifrável. 
É difícil comunicar, é duro mudar e é frustrante tentar mudar os outros aqui. Percebe-se o abandono, a resignação ou, em alternativa, a loucura. 
E respeita-se a imobilidade da sobrevivência, a rotina dos ciclos. 

Somos tratados com carinho pelos "papás" honorários do Mbuna Bay Lodge, Rebeca e André, e a sua equipa.
Há quem esteja aqui há meses.
Não temos pressa de ir embora.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

A viagem da Raquel a Moçambique - parte 1

Email enviado pela Raquel aos colegas da TravelTailors:

Voo TAP impecável, aparelho novo muito silencioso.

Aeroporto de Maputo pequeno mas decente. Quem tiver que apanhar voo doméstico a seguir, mais vale tratar do que precisa no terminal internacional (é ao lado, mas tem mais serviços).  No terminal doméstico há um café e um restaurante, ambos simpáticos e que servem bem. Só há câmbios no terminal internacional. 

O visto à chegada é tão óbvio que ninguém pergunta nada. É um pouco demorado simplesmente porque é Africa, há fila, the usual, não porque alguém complique. Custa 50 USD sharp (não 51, como alguém me disse).

É vital trocar dinheiro aqui no terminal internacional ou levantar num ATM. Deve evitar-se por os pés no banco em absoluto. Contei 20 carimbos ao funcionário, além de 30 minutos. O único sentimento que desperta é "foi para isto que quiseram a independência?". Ou, como o meu pai disse, já danado, "em Portugal isto levava 2 minutos". Tive que o arrastar de lá para fora. Portanto, havendo clientes com passado colonial, evitar completamente confronta-los com estas evidências mais pungentes de burocracia é um must.

Trazer dólares para Moçambique é um problema como só vi na Birmânia, se não mesmo pior. As notas têm que ser recentes, imaculadas e ninguém, nem bancos aceitam notas pequenas, ie, de menos de 20 dólares. Esqueçam gorjetas em notas de 1 USD que são critério mundial. A população não consegue trocar.

Com uma escala de 4h em Maputo dá para uma volta à cidade de carro. É perto e fica em cerca de 50 USD se for de 2h30, com paragens. Não é uma cidade bonita em termos de monumentos, mas também não é confusa nem feia como outras cidades africanas. Um português com interesse em história, ou passado familiar em Moçambique, gostará de ver.

Tudo limpo. Maputo, Inhambane, as estradas, as aldeias. Esta é a primeira e mais forte impressão para o viajante europeu que espera a pior das Africas. Moçambique é muito melhor em limpeza, estradas, aspecto e simpatia / dignidade das pessoas do que os vizinhos Tanzânia e Quénia. Não tem mesmo nada a ver. No dia em que a Gorongosa estiver em pleno, é mandar a malta para aqui (as casas de banho até têm papel higiénico).

O voo doméstico atrasou 2H e é habitual. Fretado a uma companhia sul africano. O piloto acelerou tanto na hora de aterrar que nem sei como parou.

Zona de Inhambane e Tofo muito bonita, mais para turismo independente e quem gosta de autenticidade. Ficámos num boutique de 6 quartos lindíssimo - Baía Sonâmbula, com um gerente italiano  também lindíssimo (falava português impecável porque teve uma namorada de Faro), tudo de bom gosto, serviço imaculado, semelhante ao Mucumbli de S Tomé, com motivos africanos na decoração e peq almoço maravilhoso. 

Photo by Baia Sonambula
Praia bonita, com ondas pequenas e regulares. Muito frequentada por sul-africanos (já se notaram, embora a enchente, o horror, sejam a partir de dia 21 de Dezembro). Muitos têm casa aqui. São simpáticos, descomplicados, mas bebem como esponjas e tornam-se barulhentos.

Toda a gente (local) se nos dirige em inglês. Quase apanham um susto quando falamos português, mas ficam felizes por poder falar a mesma língua connosco. 

Pessoas simplesmente adoráveis.

Guia-condutor Sergio óptimo, inteligente, discreto, muito sincero a falar do país e capaz de conversas interessantes. Recebe muitos franceses e alemães. 

Hoje, viagem de 400km por terra até Vilanculos (gostei muito, quem quer ver a paisagem a mudar, as aldeias, as pessoas, deve fazê-lo e a estrada está muito boa) e espera breve no hotel Dona Ana (muito bom ter aqui este apoio, os clientes não esperam perdidos na rua) antes de embarque para o Anantara Bazaruto

Photo by Raquel Ribeiro

Viagem de 45 min de barco tipo pequeno iate. Avistamos golfinhos... 

Recepção sumptuosa, rapidamente convertida numa simpatia mais próxima por causa da língua e das minhas piadas. 

Resort grande, muito mais para famílias do que lua de mel, a meu ver. Quartos familiares bem grandes no topo da colina, geminadas com outras, o que significa que estávamos na nossa mini piscina privada ao por do sol quando começámos a ouvir a música alta dos nossos vizinhos sul-africanos. Há beach villas junto à água que me parecem mais giras, mas só amanhã visitarei.

Photo by Raquel Ribeiro


Ilha bastante grande e habitada por outras pessoas nativas.

Bem cuidado, staff amoroso, comida óptima, mas ainda assim um grande resort internacional, sem especial africanidade, quartos enormes mas com alguns detalhes demodés. 

Água quente e bonita, mas sem peixes (para snorkeling há que ir em tours especiais a pagar à parte).

Photo by Raquel Ribeiro


Segurança total em todo o lado, não por presença policial mas por pura e simples paz de alma. Zero violência e intimidação. As pessoas deixam as portas abertas. 

Não vejam as notícias, que esses gajos só tem é inveja. Fechem essa agência e venham para aqui, que é bonito, pá. 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Moçambique Inédito - 13 dias

Viajar por Moçambique é entrar na história e cultura do seu povo. Um país que tem 2.700 km de costa com praias de areia fina e branca. Conheceremos as etnias mais importantes do país, sentiremos o rugir dos leões no Parque Nacional da Gorongosa e nadaremos nas águas cristalinas no oceano Índico. Uma viagem surpreendente.


Mais informações


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Moçambique Inédito - 13 dias

Viajar por Moçambique é entrar na história e cultura do seu povo. Um país que tem 2.700 km de costa com praias de areia fina e branca. Conheceremos as etnias mais importantes do país, sentiremos o rugir dos leões no Parque Nacional da Gorongosa e nadaremos nas águas cristalinas no oceano Índico. Uma viagem surpreendente.
 
Mais informações