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terça-feira, 4 de junho de 2019

Mapa do mundo literal mostra o significado dos nomes dos países


Numa altura em que as viagens são cada vez mais frequentes, uma investigação convida a descobrir o que significa cada um dos nomes dos países.



Photo by SAPO Tek

O  mapa da tradução literal dos nomes dos países procura essa abordagem diferente, com a descoberta de mais informação sobre as pessoas que viviam nesses territórios e quem os explorou, que está presente na escolha das designações. Ao perceber a etimologia, a origem das palavras, pode ficar com uma nova visão sobre um destino de viagem e por isso David Boyd publicou este mapa, e também o documento de investigação que lhe deu origem.
Da Ásia à Europa, passando por África, América Latina e América do Norte, as origens dos nomes estão colocadas em mapa, e é interessante perceber como os Francos e o Caminho do Norte foram inspirações para as designações de países europeus, enquanto a Terra dos Índios ou o povo que nasceu junto ao rio levaram à escolha de nomes no continente asiático e na América do Sul.

América do Norte

Photo by SAPO Tek
América do Sul
Photo by SAPO Tek
Europa
Photo by SAPO Tek
África
Photo by SAPO Tek
Oceania
Photo by SAPO Tek
A origem da investigação pode também ser consultada num documento que foi disponibilizado online, com a indicação das fontes para quem quiser ir além dos nomes.
Fonte: SAPO Tek | Veja o artigo original aqui.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Gosta de viajar com os seus animais de estimação? Estes são os melhores países para o fazer!

Viajar com os animais de estimação está a tornar-se cada vez mais comum. Alguns países já têm hotéis que estão a incluir na sua oferta de serviços a possibilidade dos viajantes ficarem com o seu amigos de quatro patas. 


O relatório de 2017 da Trabber avaliou 50 mil hotéis em 30 países e revelou um crescimento lento, mas constante na procura de hotéis que aceitam animais de estimação. Segundo os especialistas, os viajantes estão dispostos a pagar mais por hotéis que recebam cães e gatos. Neste sentido, a Europa é um paraíso para estes viajantes. Na Alemanha, França, Itália e Áustria, mais de 40% dos hotéis aceitam animais de estimação. O quinto lugar neste ranking é o Canadá (34%). No Brasil a percentagem desce para os 18% e no México apenas 13% dos alojamentos, sendo que neste caso a maioria destes visitantes são do próprio país, visto que passar as fronteiras mexicanas com animais exige muita burocracia. Na Colômbia e na Argentina, menos de 1 em cada 10 alojamentos turísticos oferece essa opção. Chile (7%) e Peru (5%) estão no fim da lista.

No que diz respeito às grandes cidades,  Berlim está no topo com 55% dos alojamentos a aceitarem animais de estimação, em Paris este número desce para 37%, em Toronto para 35%, em Nova Iorque para 32% e 29% em Roma. No Rio de Janeiro o número é  ainda mais reduzido (20%) e ainda menor na Cidade do México (13%). Em geral, o estudo também destaca que as cidades costeiras e hotéis de férias têm tendência a aceitar cães e gatos com mais frequência, enquanto que os hotéis nas cidades e destinados a viajantes de negócios são menos propensos a aceitar animais.

Os 10 melhores países para viajar com animais de estimação (em % de hotéis que recebem estes animais)

Alemanha: 49,14%

Itália: 46,53%

Áustria: 44,23%

Canadá: 34,35%

EUA: 30,64%

Holanda: 28,82%

Rússia: 25,73%

Grécia: 21,72%

Marrocos: 21,36%

Brasil: 18,11%

Veja o artigo original aqui.
Fonte: TourismReview

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Lagoa Azul, na Islândia, vai ter um hotel de luxo

É uma das principais atracções turísticas da ilha e este Outono vai ter mais um motivo de visita. O Moss Hotel & Lava Cove promete “um novo horizonte” de luxo na Lagoa Azul, com hotel, spa e restaurante.

Fonte: Fugas - PÚBLICO



À palavra Islândia cola-se quase sempre a mesma imagem: uma imensa piscina de água azul turquesa entre o negro das rochas vulcânicas, com uma nuvem de vapor quente a transformar turistas em fantasmas de cara coberta de lamas alegadamente medicinais. O spa geotermal da lagoa Azul, a 20 minutos do aeroporto internacional e a uma hora da capital, Reiquejavique, é um dos locais mais visitados da Islândia e paragem obrigatória durante umas férias na ilha. No Outono, nasce o primeiro hotel de luxo junto à estância termal.

Chama-se Moss Hotel & Lava Cove e vai ser construído sobre um fluxo de lava com cerca de 800 anos, localizado na zona sudoeste da lagoa. O novo complexo turístico divide-se em quatro áreas. O Moss Hotel, composto por 62 quartos e suítes de luxo, lounge e biblioteca; o Lava Cove, um spa subterrâneo com salas de relaxamento, massagens e tratamentos e uma sauna com “vista para as águas místicas” da Lava Lagoon, a piscina de água quente privada da unidade, criada numa cavidade vulcânica que “é uma extensão da Lagoa Azul”.

Já o restaurante Moss, onde a “herança culinária local é reinventada pela equipa de chefs”, vai estar dividido entre sala de refeições, um lounge com vista para a paisagem vulcânica, uma “mesa do chef”, onde um menu de sete pratos será “preparado à frente do cliente”, e uma adega construída no interior de uma cavidade vulcânica. Os quartos dividem-se em cinco tipologias, todos com uma parede de vidro e varanda ou terraço sobre a paisagem. 


O futuro complexo turístico promete ser "um novo horizonte de assombro" e uma alternativa de luxo às hordas de turistas que acorrem diariamente à lagoa Azul. O país recebe milhares de turistas por ano, um boom que levou o governo islandês a anunciar na semana passada, em entrevista citada pela Bloomberg, estar a ponderar restrições ao fluxo de turistas, pondo em cima da mesa limitar ou cobrar pelo acesso aos locais mais visitados do país ou criar novos impostos para o sector.





segunda-feira, 15 de maio de 2017

TV e cinema: os lugares mais icónicos onde já fomos sem sair do sofá

A televisão e o cinema já nos transportaram para os sítios mais inimagináveis possíveis. Mas enquanto muitos destes cenários podem ser fantasia, muitos deles são lugares que pode mesmo visitar. Traçámos um mapa dos destinos icónicos, desde os anos 50 até à atualidade. Se não ficar a desejar ser ator para passear por todos estes sets, vai ficar inspirado para uma próxima viagem! 

fonte: LonelyPlanet 


Anos 50 

Recomendamos as cenas na praia muito giras de o Sétimo Selo, na Suécia, um passeio até Roma e a Basílica di Santa Maria in Cosmedin, do filme Roman Holiday ou a Baía de são Francisco, cenário de Vertigo. 

Skane, na Suécia


Anos 60 

Um castelo que podia ter saído de um conto de fadas na Alemanha inspirou o cenário para o filme Chitty Chitty Bang Bang. De facto, foi mesmo a inspiração para o castelo do filme A Bela e Monstro, Disney, em 1959. 

Anos 70 

Khao Phing Kan deixou de lado o seu próprio nome e passou a ser conhecida pelo epíteto “A Ilha do James Bond”. E a culpa é do filme dirigido por Guy Hamilton. Nós continuamos com a certeza de que, independentemente do nome, esta ilha vale uma visita!

A "ilha do James Bond" 


Anos 80 

Silverton: ou a luz é muito interessante cinematograficamente, ou é uma localização cliché para uma típica cidadezinha abandonada. Já foi palco das filmagens de The adventures of Priscilla, Queen of the Desert e Mad Max 2. Se isto não for bem o que procura, há sempre a hipótese de visitar a Irlanda e as Falésias de Moher, onde se gravou The Princess Bride. 

Panoramica das Falésias de Moher


Anos 90 

Itália é conhecida pelas cidades de Veneza, Roma, Florença, a Costa Amalfitana e Cinque Terre. Mas o filme The Talented Mr Ripley mostrou que há beleza para além disso e levou os espetadores até Ischia, uma bela ilha no golfo de Nápoles.

Ischia, no golfo de Nápoles


O novo século

A localização de um drama gangster pode não ser o melhor sítio para ir de férias, mas com certeza que as Favelas do Rio de Janeiro filmadas em City of God podem ser o ponto de partido por um passeio no Brasil. Se prefer não arriscar, Shinjuku no Japão é um sítio giro que ambientou Lost in Translation. 

Pós-2010 

Parte do apelo de Downtown Abbey foi a celebração de uma era de regras e diferenças sociais rígidas e acentuadas entre aristocratas e serventes. Mas o drama foi bem ambientado em Hampshire, Inglaterra. E ainda que possa visitar estes lugares fantásticos em dias específicos do ano, a aristocracia inglesa e não desapareceu e a casa ainda pertence ao Conde de Carnarvon. 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Dois dias em Milão

O que fazer em Milão? Fique aqui com estas sugestões dos principais pontos turísticos da cidade da moda italiana.
Fonte: Fugas - Público, joaotiagoliveira.com
Duomo di Milano 

Duomo di Milano
A catedral de Milão é dos edifícios mais imponentes que vais ver nesta cidade. Começou a ser construída no século XIV. Com base no estilo gótico, da praça vê-se um edifício como um monte de rendilhados, enorme, branco e imponente. É impossível passar despercebido. Entrando, bate-nos o frio seco das catedrais. São todas assim. As cinco naves e os vitrais tornam-na um sítio agradável para visitar. Em torno da catedral podes passear. As ruas largas e sem muito trânsito convidam a isso mesmo — um passeio. Nem todas as zonas da catedral são grátis.

Galleria Victtorio Emanuele
Colada à praça da catedral encontras esta galeria. Cheia de lojas, algumas incomparavelmente caras, fazem desta galeria um atractivo para turistas. A arquitectura do local torna-a mui bella: as clarabóias fornecem a luz necessária e os rendilhados continuam, como que ligando com o Duomo, logo ali ao lado. O chão, lustroso e trabalhado, transporta para uma época em que apenas a alta burguesia passeava por aqui.

Galleria Victtorio Emanuele


Passeio a pé pela Via Dante até ao Castelo de Sforesco
A Via Dante é uma rua pedonal inteiramente dedicada a lifestyle. Restaurantes com esplanadas, gelatarias sensacionais, lojas e um sol de Verão que te obriga a ir pela sombra (ou a comer um delicioso gelado!). Pode ir com calma e aproveitar para descansar a mente. No fim desta rua, sugerimos uma ida ao Castelo de Sforesco. Alberga diversos museus e a entrada é paga. No entanto, é recomendável ver a famosa obra de Miguel Ângelo — a Pietà. Num dia de sol aproveite também para dar uma volta pelo exterior, visto que tem bastantes espaços verdes. 

Santa Maria delle Grazie e A Última Ceia
Nota-se que Milão é uma cidade moderna. não há muitas ruas medievais, mas bairros organizados em ruas direitas. Por isso é fácil navegar e guiar-se pelo mapa. Depois de saíres do Castelo de Sforesco, procure por esta pequena igreja e convento dominicano. Ainda são alguns minutos a pé, mas vai valer a pena. Incluída no património da UNESCO, encontras uma pintura de Leonardo da Vinci, A última Ceia. Pode recorrer a um guia para lhe explicar o significado deste quadro que foi pintado numa parede do refeitório. Durante a Segunda Guerra Mundial, depois de intensos bombardeamentos a esta cidade, foi uma das paredes que sobreviveu a este ataque dos Aliados. Para proteger esta pintura foram colocados sacos de farinha que ajudaram a conservar a pintura.

Gastronomia

Comer em Milão é um pouco mais caro do que comer em Portugal. Encontrar locais a um preço acessível para provar uma pizza, por exemplo, não é impossível. Os gelados, esses, são mais caros, mas realmente deliciosos. Pode sempre optar por um granizado que vai refrescar na mesma num dia de intenso calor.

domingo, 26 de março de 2017

Novo projecto quer levar a conhecer Portugal através da Ciência e da Cultura

Ciência Viva e Fundação Vodafone acabam de lançar um programa de “turismo do conhecimento”. Projecto inclui cartão com descontos, um guia interactivo e uma aplicação móvel.

Estremoz, onde poderá encontrar um dos percursos

Os Circuitos Ciência Viva querem pôr os portugueses a conhecer o país “através da ciência e da cultura”. Uma ida à praia que acaba por proporcionar a descoberta de pegadas de dinossauros em Lagos, um passeio por Estremoz que se transforma numa viagem por pedreiras, castelos e pelo sistema solar, uma caminhada pelo centro de uma cidade que surpreende com uma arte em vias de extinção.

Para já existem 18 circuitos disponíveis, com “54 percursos e mais de 200 etapas para explorar”. Cada roteiro parte de um dos centros de Ciência Viva espalhados pelo país: Açores, Alviela, Aveiro, Bragança, Coimbra (existem dois centros, mas apenas um circuito no concelho), Constância, Estremoz, Faro, Guimarães, Lagos, Lisboa Centro, Lisboa Oriente, Lousal, Porto, Proença-a-Nova, Sintra, Tavira e Vila do Conde. O centro de Ciência Viva de Porto Moniz, na ilha da Madeira, é o único sem um circuito associado.

O novo “programa de turismo do conhecimento” inclui um cartão, um guia interactivo e uma aplicação móvel (disponível para Android e iOS). O primeiro é o epicentro do projecto. É válido por um ano para “dois adultos ou um casal e os filhos até aos 17 anos” e dá entrada gratuita nos 20 centros Ciência Viva e acesso a descontos “em mais de 100 instituições de ciência, cultura e lazer” – incluindo museus, monumentos, parques e reservas naturais, grutas, minas, jardins zoológicos e aquários, entre outros – e em entidades parceiras do projecto – como unidades de alojamento, empresas de transporte ou estabelecimentos de restauração.

A activação do cartão abre ainda portas a tudo o resto, seja através do site do projecto ou da aplicação móvel: detalhes sobre os circuitos sugeridos, mapas interactivos dos percursos, “desafios aos exploradores”, partilha das experiências vividas e acesso às tarifas promocionais. É ainda possível consultar uma agenda de actividades nos diferentes destinos, de acesso livre nas duas plataformas. O kit circuito custa 50€ - traz um cartão, um guia e um pequeno caderno de bolso.

A capital também vai acolher percursos desta iniciativa

Os Circuitos Ciência Viva são uma iniciativa daquela instituição nacional, em parceria com a Fundação Vodafone. “Sentimos que podíamos ser os catalisadores de um projecto inovador de turismo do conhecimento”, afirma Rosália Vargas, presidente da Ciência Viva – Agência Nacional para a cultura Científica e Tecnológica, defendendo que “este é um projecto de natureza sustentável” que “traz um olhar de futuro, ao mesmo tempo que valoriza a tradição e o património”.

Para Mário Vaz, presidente da Fundação Vodafone Portugal, o programa “proporciona aos utilizadores uma experiência completa e altamente criativa”, que “permite não só o conhecimento do património nacional e regional de uma forma mais clara e prática como ainda possibilita a partilha de viagens, fotografias e saberes”. “É, acima de tudo, uma forma dinâmica, pedagógica e divertida de descobrir ou redescobrir Portugal”, sublinha.

Fonte: Fugas - PÚBLICO

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Phaphos: O Chipre dos mitos, lendas e da arte

Quando se fala de Paphos, fala-se de amor, de Afrodite, desse rochedo que resiste aos humores da natureza, contrariando a história da cidade, que foi durante séculos a capital de uma ilha que agora pretende harmonizar, aproximando as comunidades turca e grega. Paphos é Capital Europeia da Cultura em 2017.

O Parque Arquológico de Phaphos

Se alguém imaginasse, sob os túmulos dos reis, que Paphos se haveria de tornar, tantos anos depois, uma capital, muitos turistas teriam uma surpresa — ou um susto — ao visitar um dos lugares de culto da cidade cipriota.

As cidades, como Paphos, actualmente com cerca de 50 mil habitantes, não são muito diferentes. Têm os seus momentos de esplendor, de glória, logo podem evidenciar sinais de decadência, de se desfazerem em pó, nada mais restando do que uma ruína — a história, como a lente de uma câmara, agarra esses momentos.

Paphos, a despeito de já haver acolhido alguns eventos durante este mês, tem marcada para dia 28 de Janeiro a cerimónia oficial de abertura como capital europeia da cultura, inspirada pelos mitos e com mostras que exacerbam a história, a herança cultural, todo um legado que se apoia na diversidade e no multiculturalismo ao longo dos séculos até chegar aos dias de hoje, de uma cultura mais moderna e aberta, não apenas cipriota mas também europeia.

Como um coração que pulsa mais do que os outros, a cidade enfatiza esse mito que está tão associado ao seu nascimento, à bela história de amor entre Pigmalião e Galateia.

Aos poucos, o crepúsculo baixa sobre Paphos, o sol já se perdeu no horizonte azul manchado de laranja e, uns minutos mais tarde, como que embebido pelas estrelas, o porto, sobre quem parece pesar a responsabilidade de zelar pelo castelo, é iluminado pelas luzes. Entretido pelas minhas memórias, deixo-me invadir por uma vaga de nostalgia quando fito o cenário, mais composto ainda quando dois pelicanos se enquadram na moldura, passeando como um casal varrido por uma onda de romantismo.

Pelo menos é assim que os vejo no momento em que Pigmalião e Galateia regressam ao meu cérebro cheio como um ovo de recordações. Numa cidade moldada por mitos e lendas, reza a história que Pigmalião, um proeminente escultor, sedento de se dedicar à sua arte e, ao mesmo tempo, descontente com a vida fácil a que se entregavam as mulheres em Amatonte, tomou a decisão de viver no mais completo celibato, uma atitude que provocou o desagrado de Vénus, cujo templo se erguia nessa mesma cidade da ilha. Vénus não compreendia e não podia aceitar uma existência sem amor e, ofendida com Pigmalião, vingou-se desse homem que trabalhava a pedra, enfeiticiando-o ao ponto de ele se apaixonar por uma estátua esculpida do marfim, uma obra de uma beleza sem paralelo, talhada pelo seu cinzel e a que a deusa do amor resolvera chamar Galateia.

A tristeza preencheu o coração de Pigmalião e, assomado por essa aventura solitária que adquiria a forma de desventura, vivendo nessa angústia, o artista começou a dar eco a súplicas que ao fim de algum tempo acabaram por comover Vénus. E esta, para quem o amor era prioritário, animou a estátua com o fogo da vida, nessa nova condição Galateia casou com Pigmalião e desse matrimónio nasceu um filho (há quem defenda, entre outras teses e interpretações para as origens da toponímia, que era uma filha) a que ambos deram o nome de Paphos.

Soa bem a história, a lenda, o mito. E Paphos fundou a cidade.

A arte ao ar livre

Forte de Phaphos


Eternamente grata ao seu criador, a cidade celebra a sua criação na convicção profunda de que é, ela própria, uma peça de arte, um museu a céu aberto, neste ano tão especial uma Open Air Factory, o conceito em que se baseia e que não se limita ao espaço — a abertura visa, talvez até com maior afectação, a tolerância, a aceitação e o encorajamento e a integração de culturas, ideias e crenças. Paphos funciona, desde tempos imemoriais, como uma ponte entre o oriente e o ocidente e, nesse sentido, assume em 2017 uma parte significativa da responsabilidade de ligar continentes, de aproximar a Europa de que faz parte ao Médio Oriente do qual está tão perto, proporcionando um intercâmbio de culturas. Em simultâneo, o programa de Paphos como Capital Europeia da Cultura pretende minimizar as diferenças entre os turistas, os residentes e os imigrantes, numa tentativa de transformar todo o distrito, simbólica e fisicamente, num espaço comum e de partilha para todos os cidadãos.

Mas as boas intenções de Paphos não esquecem, nestes tempos conturbados, a realidade de uma ilha dividida desde 1974, duas comunidades em permanente tensão, a grega no sul, a turca no norte — as iniciativas, para encurtar as distâncias, serão uma realidade durante 360 dias, inseridas no tema Stages of the Future, uma refererência ao futuro mas também ao presente através de mostras de um mundo contemporâneo e dos seus avanços tecnológicos, os seus problemas, sonhos e esperanças, bem como as suas iniciativas e ideias para uma mudança, particularmente focada num futuro em comum das duas comunidades cipriotas e no desenvolvimento de um diálogo intercultural, na verdade os dois pontos-chave daquela que é uma das grandes apostas de uma das capitais europeias da cultura este ano.


Perscrutando as luzes dançando nas águas e recebendo a brisa e a fragrância vinda do mar, o meu imaginário sente-se seduzido pela história deste porto estratégico, tomado pelos Ptolomaicos no início do século IV a. C., pouco depois da conquista do Egipto. Nikokles era, por essa altura, o rei de Paphos e a sua ascensão ao trono traduziu-se num desenvolvimento significativo do reino, especialmente quando o soberano decidiu abandonar Palai Paphos e instalar-se na actual Kato Paphos, cuja fundação remonta ao ano 320 a. C. — a cidade antiga perdeu importância, enquanto Kato Paphos, decididamente virada para o mar e com vocação para o comércio marítimo, revelava todo um potencial que não tardaria a ser aproveitado. Era o início de uma nova era para Paphos, que rapidamente se tornou no centro cultural, financeiro e administrativo da ilha, provando que a decisão de Nikokles estava correcta — e a cidade, mais tarde mandada fortificar pelo rei (as ruínas ainda hoje se podem ver), permaneceu como capital durante cerca de 400 anos e assim se manteve quando se submeteu ao jugo dos romanos.

Paphos foi violentamente atingida por um terramoto 15 anos antes do nascimento de Cristo — a cidade ficou reduzida a ruínas. E outros se seguiram ao longo da sua história, o último dos quais em meados do século passado, destruindo uma cidade que também não foi poupada, anos antes, em 1878, pelos otomanos, que a abandonaram entregue à sua fome e miséria, com alguns minaretes decorando antigas igrejas. 

Por agora, a baía permance tranquila, envolvida numa serenidade tão apaziguadora e, ao contrário de Paphos e dos treinadores, imperturbável, aparentemente menos vulnerável aos humores do mundo, de uma beleza singular. Aqui e acolá, casais de namorados, observando a espuma que se desfaz na praia, acreditam que o amor é eterno e mesmo que, aqui, tão perto de Paphos, novamente capital, a deusa Afrodite irá emergir das águas com o seu corpo de marfim, ainda mais bela do que Galateia, a estátua que se transformou em mulher para dar um filho a Pigmalião.

Fonte: Fugas - Público 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Ligações aéreas directas para Lisboa

Que Lisboa tem recebido cada vez mais prémios e turistas não é novidade. Mas também há cada vez mais voos directos a partir e chegar à capital.



A China passará a ter a voos directos para Portugal já neste Verão, a partir de Pequim. Na América do Norte, os voos directos vão até Toronto, no Canadá, e, para os Estados Unidos, é possível voar até Nova Iorque, Boston e Miami.

A intensidade semanal de voos para São Paulo, no Brasil, também foi reforçada; no país do samba, pode, também, voar directamente para Brasília, Porto Alegre, Salvador ou Recife, entre outros. Ainda no Sul da América, vá direitinho à Venezuela.

Destinos africanos, como o Senegal, Angola e Moçambique não foram esquecidos. Pode ainda encontrar voos diretos para alguns destinos turísticos mais em voga, como Marrocos, São Tomé e Príncipe, Tunísia e Cabo Verde; ou, se preferir algo menos cliché, aproveite e não faça escalas para o Gana, Guiné-Bissau e Argélia.

Na Europa, mantêm-se os voos directos para os destinos clássicos, como Londres, Madrid, e ainda voos para Itália, Suíça, França, Alemanha e Irlanda. Se quiser ir aventurar-se ainda mais para leste, as opções estendem-se até à Turquia, Roménia, Moldávia e Polónia. Noutros destinos contemplados nestas ligações directas a partir de Lisboa, estão incluídos a República Checa, a Croácia, a Grécia, a Áustria e o Dubai. Ainda assim, não ficaram esquecidos os destinos da Benelux (Luxemburgo, Holanda e Bélgica), nem a Península Escandinava, podendo optar por voos directos até à Dinamarca, Suécia, Noruega ou Finlândia.
Depois de todas as opções, o mais difícil agora é mesmo escolher para onde quer ir!  

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Entre o passado e o futuro, uma nova era para a cozinha russa em Moscovo

O auto-imposto embargo russo aos produtos alimentares ocidentais despertou o interesse no desenvolvimento da produção nacional, coincidindo com uma nova geração de chefs interessados no seu património gastronómico.

Quem chega a Moscovo, pela primeira vez, nos dias de hoje, dá de caras com uma cidade muito diferente do estereótipo construído pelas imagens da era soviética. Sim, a perestroika deu-se há mais de 25 anos e é verdade que o Kremlin e uma boa parte dos edifícios históricos famosos, como Catedral de São Basílio ou o Teatro Bolshoi, mantêm a imponência de sempre. Porém, aquela imagem cinzenta dos edifícios públicos e de habitação de outrora, que ainda esperamos encontrar, não tem correspondência, pelo menos, numa boa parte das zonas centrais, recuperadas, onde impera uma cidade bela e cuidada. Como qualquer lugar que viveu um boom económico, a especulação imobiliária afastou o cidadão comum de certas áreas, tornando-se zona residencial e de comércio de uma elite abonada.
A crise económica está presente nas conversas mas não é tão visível à superfície, em três ou quatro dias de visita. Os hotéis continuam cheios, tal como os restaurantes, ou até o Bolshoi, onde, nos intervalos da ópera ou do ballet (sempre cheios), continua a ouvir-se o som característico do abrir das garrafas de champanhe — provavelmente com mais espumante russo à mistura do que antes.
Quando, em 2014, a Rússia decretou o embargo aos produtos alimentares ocidentais, como retaliação às sanções impostas pela União Europeia e Estados Unidos devido ao conflito na Ucrânia, a restauração foi a primeira a sofrer o impacto. Contudo, o problema não se colocou logo no início, dado que de imediato apareceram esquemas para tentar contornar o problema, com muito foie gras, mozzarella, roquefort e outros produtos a entrarem pelas fronteiras da Bielorrússia e Turquia reembalados como mercadoria local.
Porém, com a crise económica a afectar os negócios da restauração e a atingir fortemente o rublo, os esquemas tornaram-se menos atractivos e foram diminuindo. Por outro lado, com o desemprego a crescer, muitos viram no embargo uma oportunidade de negócio ou de mudança de vida 
Segundo Gennady Jozefavichus, da Condé Nast, “o embargo desempenhou um grande papel na revelação de ingredientes locais — da carne de bovino aos produtos do mar, passando pelos vegetais e cereais. Antes ninguém utilizava a carne nacional, a australiana era mais barata e de melhor qualidade”. Segundo o jornalista gastronómico russo, a situação deu aos produtores nacionais “a possibilidade de encontrar um mercado e, com o crescimento do sector, começou a surgir mais investimento na criação de animais, quintas, nas técnicas de abate e conservação”.
Gennady acrescenta ainda que o mesmo aconteceu na agricultura, com novos actores a interessarem-se pela actividade. “A crise atingiu muito o mercado de trabalho e muitos decidiram mudar de vida e deixar as cidades.” O embargo e o aumento dos chefs e restaurantes interessados em produtos locais deu-lhes essa oportunidade. “Há um monte de novos produtores de queijos artesanais, novas cooperativas agrícolas (inclusive de produtos biológicos) e até mesmo restaurantes locavore, que trabalham quase exclusivamente com ingredientes de produção própria ou de proximidade.”
Um dos protagonistas desta nova revolução é o chef Vladimir Mukhin, que recentemente fez um jantar no Belcanto, em Lisboa, no âmbito do evento Gelinaz. Mukhin viu o seu restaurante White Rabbit ascender ao número 18 da mediática lista de Os 50 Melhores Restaurantes do Mundo e tem aproveitado esse lugar de destaque, e a participação nos principais congressos gastronómicos internacionais, para assumir o papel de porta-voz de uma nova cozinha russa, de tons vanguardistas, mas enraizada na tradição e na utilização de produtos sazonais e locais. No Lab, o espaço que recentemente abriu e que além de cozinha de testes funcionará como uma espécie de mesa do chef, o russo não se cansa de falar das suas criações, das receitas tradicionais que recuperou e que o têm inspirado, assim como deste ou daquele produto. Isto acontece entre os pratos do menu de degustação que prepara para um grupo de chefs e jornalistas internacionais convidados. 
Fígado de pato de Vladivostoque cozinhado em ryazhenka (leite fermentado) com maçã e framboesas do Ártico, tavranchuk — costelas de bovino confeccionadas em kvass (bebida fermentada feita com pão escuro de centeio) — ou ainda esturjão ligeiramente fumado e cozinhado a baixa temperatura são alguns dos exemplos. Em certos pratos os sabores são pouco expressivos e, embora a sua cozinha seja interessante e rigorosa a vários níveis (técnicas, empratamentos, imagem), parece-nos manifestamente exagerada a posição que o restaurante ocupa na famosa lista. 
Altai, Rússia

Gennady Jozefavichus reconhece-o. “O White Rabbit mostrou o poder da publicidade.” Porém, se é verdade que o restaurante tem lucrado junto do turista gastronómico e dos patrocinadores, que passaram a querer estar associados a ele, também se dá o caso, segundo ele, de “outros restaurateurs e chefs se aproveitarem para subir o mesmo cume”. O jornalista dá o exemplo do Twins, que “está agora na 75.ª posição”, e do jovem e talentoso Anton Kovalkov (treinado no Alinea, de Grant Achatz, Chicago) que deixou o seu restaurante para iniciar um novo projecto”. Ainda segundo Jozefavichus, o foco conseguido por Vladimir Mukhin “ajuda a redefinir todo o termo de cozinha contemporânea russa” e leva a que se dê cada vez mais relevância à produção local e sazonal. “Definitivamente, a estratégia funciona”, refere. “Os jovens chefs começaram a pensar, a pesquisar e a propor sua própria visão.”
Entretanto, o levantamento do embargo está previsto para o final de 2017, ainda que as autoridades falem na possibilidade de estendê-lo por mais uns anos. Será que a tendência para a produção local veio para ficar, ou, terminado o obstáculo às importações de produtos alimentares, voltará tudo a ser como dantes? Segundo a também jornalista de gastronomia Anna Kukulina, “a agricultura russa precisa de mais três anos e se o embargo terminar mais cedo alguns produtores não irão sobreviver”. Porém, Anna está convicta que se “fizeram grandes progressos” e que a situação e dependência em relação ao exterior não voltará aos níveis anteriores a 2014.  
Fonte: Fugas

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Comida, vinhos e o resto é paisagem: o comboio presidencial regressa ao Douro

Em 2017, o evento que põe o antigo comboio presidencial nos carris da Linha do Douro cresce em duração, distância percorrida e chefes convidados. Eis as novidades do The Presidential.

Rio Douro, por onde passará o evento

É raro, muito raro até, ter um chefe de um restaurante com três estrelas Michelin a cozinhar em território nacional. Mas é precisamente isso que vai acontecer na edição deste ano do The Presidential, o evento que, pelo segundo ano consecutivo, levará o antigo comboio presidencial a percorrer a incrível Linha do Douro, com gastronomia e vinhos à mistura. O chefe em questão é o dinamarquês Esben Holmboe Bang, do Maaemo, um dos mais jovens de sempre (e o mais jovem da atualidade) a conseguir a distinção máxima do guia dos pneumáticos.

Mas essa é apenas uma das novidades. A edição de estreia durou dez dias e teve o chefe Dieter Koschina, do Vila Joya, na cozinha. Pois bem, esta vai durar 17, ao longo do mês de maio, e ter cinco chefes responsáveis pelo menu de degustação de 4 pratos a ser servido em cada viagem, todos eles com estrela Michelin nos respetivos restaurantes. Gonçalo Castel-Branco, mentor e responsável pelo evento, adianta para já apenas dois nomes, o supracitado Esben Holmboe Bang, que cozinhará na primeira semana (de 3 a 7) e o portuense Pedro Lemos (a 10 e 11 de maio).

E o percurso também cresce. Se no ano passado a viagem fazia-se entre a estação de São Bento, no Porto, e a do Pinhão, já no Douro Vinhateiro, agora prossegue até à belíssima Quinta do Vesúvio, onde acontecerá uma prova de vinhos do Porto da Graham’s. Isto quer dizer que, desta feita, o comboio passará pelas duas margens do rio, permitindo a todos os convidados, seja qual for o seu lugar no comboio, desfrutar de vista direta para o dito.


A viagem de volta até ao Porto também foi alvo de planeamento redobrado: na carruagem-bar haverá música ao vivo e uma outra será transformada em salão de chá. De resto, o mote mantém-se. “O nosso objetivo número um é promover a ferrovia e o romantismo associado a isto.




Já é possível comprar bilhetes através do site do evento. Cada um custa 500€ por pessoa — as empresas podem adquirir carruagens ou até o comboio inteiro — para o programa que dura das 10h45 às 20h30: inclui a viagem São Bento – Quinta do Vesúvio – São Bento, o menu de degustação de 4 pratos, a harmonização de vinhos, o acesso à Quinta do Vesúvio, a prova de vinhos do Porto, bar com música ao vivo, salão de chá e um gift bag com um livro de coleção autografado pelo chefe responsável nesse dia.

Fonte: Observador 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Pelo Norte da Noruega até ao cabo Norte

Há já alguns meses que planeava ir ao ponto mais a norte da Europa Continental. Há dois anos fiz a minha primeira viagem à Noruega e desde então ficou a curiosidade por chegar ao cabo Norte.

Fui em Setembro. Tendo deixado Lisboa num dos dias mais quentes de 2016, chego a Tromsø com 8º C. O clima, a neve no topo das montanhas, os casacos e luvas mostraram como é bem diferente o Verão no Árctico. Em Tromsø, a capital do Árctico, vivia-se um ambiente de final de época alta, numa altura em que os longos dias de Verão já tinham terminado. Tromsø seria o ponto de partida para uma viagem até ao extremo setentrional da Europa.

No dia seguinte fui levantar o automóvel que tinha alugado e logo pela manhã parti para Alta, a capital da Finnmark, a região mais a norte da Noruega. Para Alta, optei pelo caminho mais curto e mais panorâmico, mas que envolve apanhar dois ferries: primeiro Breivikeidet-Svensby e depois de Lyngseidet para Olderdalen.

À saída de Tromsø fica-se logo com a sensação de que estamos numa das zonas mais isoladas da Europa, mas com uma natureza ímpar. A partir de 31 de Agosto, o horário dos ferries é mais reduzido — tenho que apanhar o ferry das 10h em Breivikeidet para conseguir chegar a Alta ainda de dia. Já nos ferries, enquanto atravessamos os fiordes, a maior sensação é o silêncio, que ajuda a contemplar a magia daquele lugar. Na varanda do ferry entre Lyngseidet e Olderdalen éramos os únicos passageiros, e em todo o barco não seríamos mais do que dez pessoas.

Após chegar a Olderdalen, segui pela estrada E6 até Alta, contornando vários fiordes, numa viagem de mais de cinco horas, com paragem para almoçar, para fotografar as paisagens de Øksfjord e com constantes reduções de velocidade, pelas inúmeras invasões de renas na estrada.

Alta é uma pequena cidade na Finnmark, mas uma paragem importante a caminho do cabo Norte, onde acabei por passar a segunda noite da viagem. No dia seguinte, antes de continuar viagem para Norte, tinha que visitar o Museu Rupestre de Alta - World Heritage Rock Art Centre. Com arte rupestre esculpida nas rochas do Fiorde de Alta, numa área total de três quilómetros, o Museu de Alta é uma paragem única e obrigatória, onde também podemos observar o museu de arte sami, o povo indígena da Noruega.

De Alta ao cabo Norte são mais três horas de viagem — em metade do percurso já contornamos o mar de Barents, no Oceano Glaciar Árctico. Antes de chegar ao cabo Norte, é visita obrigatória a vila de Honningsvåg, com o seu porto de pesca e o bar de gelo. Nesse dia, a minha paragem para dormir seria na vila piscatória mais a Norte da Europa, Skarsvåg. Após o jantar, percorri os 13 quilómetros que separam Skarsvåg do cabo Norte.

A chegada ao Cabo Norte é um momento único, de quem está no ponto mais a Norte da Europa, com uma latitude 71º 10’ 21’’, e de quem tem o Oceano Glaciar Árctico como única fronteira norte.
No outro dia de manhã, voltei ao cabo Norte para visitar o Museu e Centro de Atendimento e assistir a vários documentários sobre o Nordkapp


.No dia seguinte, quando já regressava ao Sul, decidi ir até Havøysund pela sua National Route, uma das estradas mais panorâmicas do Norte da Noruega, que contorna o mar de Barents, numa distância de cerca de 70 quilómetros até à pequena e calma vila de Havøysund. Aí, subi até ao Arctic View, onde a vista sobre as ilhas Rolvsøy, Ingøy e Hjelmsøya é deslumbrante. Após o almoço, segui até Hammerfest, a última paragem antes de voltar a Tromsø.

Hammerfest, onde cheguei a meio da tarde, é uma calma e simpática cidade, que muito se orgulha de ser a cidade mais a norte do mundo. À noite, após o jantar, Hammerfest tornou-se mágica, quando começaram a surgir as primeiras auroras boreais. Era a primeira noite em toda a viagem em que conseguia ver auroras boreais, peguei no carro e afastei-me do centro da cidade, indo para a zona mais alta, longe das luzes da cidade. Durante cerca de uma hora, deslumbrei-me com a magia das luzes do Norte que apareciam no horizonte e se tornavam cada vez mais fortes, tornando única e inesquecível aquela noite.

No dia seguinte, estava na hora de voltar para Tromsø. Regressei no cruzeiro Hurtigruten, que liga Hammerfest a Tromsø em onze horas. A paisagem é única e não me cansei das horas que foram passadas no barco. A bordo a animação não parava, naquela que é considerada “a mais bela viagem do mundo”. No entanto, o melhor estava lá fora, onde o frio não intimidava a desfrutar da viagem na varanda do 9.º andar.

Chegado a Tromsø à meia-noite, ainda havia muito para explorar no dia seguinte. Visitei a Polaria — o aquário onde é possível ver espécies do Oceano Glaciar Árctico, assistir ao show de focas e ainda ser alertado para os perigos do aquecimento global —, e o teleférico de Fjellheinsen. Deu ainda para explorar o Polarmuseet, que retrata a vida no Árctico e várias expedições realizadas para atingir o Pólo Norte, bem como a Arctic Cathedral.

A viagem ao Ártico acaba onde começou, em Tromsø, com a certeza de que a Noruega é um país que nunca me pára de surpreender.



Fonte: Fugas 


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Experiências únicas na Europa

O resort Finn Lough, na Irlanda do Norte, apresenta os Bubbles Domes num território florestal de cerca de 20 hectares.
Já pensou dormir numa bolha de vidro, numa floresta?

Já há alguns anos que o termo glamping entrou no léxico dos campistas “mas pouco”. Ou seja, glamourous mais camping equivale a um campismo de luxo, um regresso à natureza em estilo e conforto, mas sem as maçadas do campismo. Surgiu com tendas pré-montadas e, mais exóticos, com yurts e tipis e há quem lhes chame hotéis de campismo – até já chegou à Antárctida (oito noites pelo nada módico preço de 64 mil euros por pessoa nos iglus de fibra de vidro no White Desert).
Mais perto, na Irlanda do Norte, surge agora uma nova forma de glamping – iglus transparentes em 180 graus que resultam mais em globos de vidro (que por sua vez parecem os globos de neve) e permitem uma integração ainda maior na natureza. E dormir debaixo de um cobertor de estrelas.
É em Enniskillen que o resort Finn Lough apresenta os Bubbles Domes num território florestal de 50 acres (cerca de 20 hectares) e com os mesmos confortos que uma suíte de hotel. Vejamos: camas de dossel, mobiliário de design (mas incluindo poltronas bem orelhudas) e objectos vintage (como os gira-discos), máquinas de café (Nespresso, no caso), robes e chinelos, amenities de luxo na casa de banho privada e pequeno-almoço diário.
No mesmo resort há também cabanas e chalés e a sua localização ao lado do lago Finn permite actividades como caiaque e pesca, além de disponibilizar bicicletas e dispor de um court de ténis. Dormir nos globos de vidro custa 232 euros por noite.
Numa das piscinas mais fundas do planeta, criada para treinar mergulhadores, há agora uma nova atracção: The Pearl, um restaurante subaquático.
Vestir um colete com garrafa de oxigénio e respirador, colocar os óculos de mergulho e as barbatanas e mergulhar… para jantar dentro de uma cápsula submersa.
É esta a proposta original de The Pearl, um “restaurante” subaquático construído numa das piscinas do centro de mergulho Nemo33, em Bruxelas. A refeição é servida numa esfera branca com cerca de dois metros de largura, presa junto a uma das plataformas submersas no interior da piscina, cinco metros abaixo da superfície.

O equipamento de mergulho é apenas utilizado na viagem subaquática até à “pérola”. Depois há que deixá-lo junto à base da cápsula e esgueirar-se para dentro da sala de refeições, uma bolsa de ar completamente submersa. A comida é servida por mergulhadores experientes em caixas à prova de água, num menu composto por foie gras, salada de lagosta e champanhe. Custa 99€ por pessoa.
“Estamos a lançar uma nova era de restaurantes”, afirmou John Beernaerts, fundador do centro de mergulho Nemo33, à agência Reuters. Até há bem pouco tempo, o complexo belga possuía a piscina coberta mais funda do mundo, com 33 metros de profundidade.

A sala de refeições subaquática demorou mais de um ano a ser construída, depois de sucessivas experiências para aperfeiçoar o design, os mecanismos e o sistema de entrega da comida.

Fonte: Fugas online

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Festa de S. Gonçalinho já é motor económico e enche hotéis e restaurantes

Aveiro vive aquela que é a sua festa mais popular e que vai sendo, cada vez mais, motivo de atracção de turista.
Por terras aveirenses costuma dizer-se que as festividades natalícias só acabam depois de terminada a festa em honra de São Gonçalinho - evento cuja “imagem de marca” é o lançamento de cavacas do alto da capela consagrada a este santo -, ou seja, por ocasião do dia 10 de Janeiro. São vários dias de festa “rija”, centrada no bairro histórico da Beira Mar, e que atraem cada vez mais pessoas de outros pontos do país e, também, de além-fronteiras. Isso mesmo foi confirmado ao PÚBLICO por vários responsáveis de unidades hoteleiras e de restauração da cidade. A maioria fala num aumento de reservas e faz votos de que esta seja uma tendência para manter.
Carla Santos, proprietária do Hotel das Salinas, assegura que a sua unidade hoteleira está, neste fim-de-semana de São Gonçalinho, “quase lotada”. “Nos últimos dois anos, verificámos que são os turistas nacionais, sobretudo de Lisboa, e os internacionais, provenientes de França e Bélgica, que mais valorizam esta tradição”, testemunha. Carla Santos refere, ainda, ter “alguns clientes” já lhe pedem “para comprar cavacas para terem a certeza que podem participar na festa”.
Também no Hotel Moliceiro estas festividades são sinónimo de um acréscimo de reservas. “Estamos a falar de um aumento de 10% e são, sobretudo, pessoas que têm familiares ou amigos de Aveiro e querem vir participar da festa”, nota Cristina Durães, directora desta unidade de quatro estrelas.
Já no Meliã Ria, por ora, a festa popular aveirense ainda não conseguiu produzir efeitos no número de dormidas. “A única coisa que temos é um evento, no restaurante, de uma família que aproveita sempre esta data para se juntar”, declara Ana Gouveia, sem deixar de fazer votos para que, no futuro, o São Gonçalinho venha a trazer ainda mais proveitos para o hotel que dirige.
Ao nível da restauração, o aumento de clientela e de serviço parece ser ainda mais sentido. Maria Soares tem três restaurantes, todos eles situados no bairro da Beira Mar, em pleno coração da festa, e garante que as três casas estão já esgotadas, com reservas, nas noites deste fim-de-semana e “com boas perspectivas para segunda e terça-feira”. “Num dos casos, por exemplo, a pessoa que está a organizar o jantar é de Aveiro mas os convidados são de fora, de outras cidades”, testemunha a  proprietária dos Porta 35, Porta 36 e À Portuguesa, evidenciando que “esta é também uma festa que atrai os muitos aveirenses que estão fora, fazendo-os regressar à sua terra de propósito para o São Gonçalinho”.
A festa, organizada pela Mordomia de São Gonçalinho – em parceria com a câmara de Aveiro -, arrancou esta sexta-feira, com a promessa de ter a ajuda do São Pedro até ao fim (as previsões são de bom tempo). Até terça-feira, são atiradas toneladas de cavacas (doce coberto de açúcar) a partir do alto da capela, um ritual que serve para os devotos pagarem as promessas feitas ao santo que, em Aveiro, é tratado como “santinho” ou “menino”. E enquanto uns atiram cavacos, outros, quase sempre às centenas, juntam-se no largo da capela para apanhar as cavacas, cumprindo uma tradição que tem atravessado gerações.
E, ainda que esta seja a vertente mais popular dos festejos, o programa vai muito para além da tradição das cavacas. O cartaz também integra uma componente religiosa, bem como concertos musicais -  na noite deste sábado, há concerto com os Amor Electro, a partir das 22h -, eventos desportivos e fogo-de-artifício (todas as noites). Tal como manda a tradição, o programa de segunda-feira, dedica a manhã aos mais novos, com o habitual São Gonçalinho das Escolas.
Também inserido nas festividades do padroeiro do bairro da Beira Mar, está a decorrer o “Aveiro Sabores com Tradição”, um festival gastronómico que mobiliza mais de 30 restaurantes locais - os estabelecimentos participantes estão assinalados com uma bandeirola identificativa do evento na porta. 

Fonte: Fugas