Organizada em torno de três praças literalmente chamadas de
Praça Muito Pequena, Praça Pequena e Praça Grande -, a Cidade Alta é o centro
nevrálgico de Sibiu. É lá que se concentra a maior parte dos monumentos e
atrações urbanas.
Pelas suas dimensões – terceira maior cidade da Transilvânia
-, Sibiu poderia ter perdido o charme típico das cidadezinhas medievais da
Transilvânia. Não é, felizmente, o caso. Talvez por ser um dos centros
universitários mais importantes da Roménia, Sibiu não é uma cidade de fachada,
à espera dos turistas. Sibiu tem alma.
Encontrei, pois, uma cidade jovem, voltada para as artes, a
pulsar de criatividade e culturalmente vibrante. E isso torna-a fascinante. Se
eu já tinha ficado encantado com a beleza de Sighisoara – a “pequena pérola da
Transilvânia” -, Sibiu é porventura ainda mais especial.
A minha visita a
Sibiu
Eu cheguei a meio da tarde de um dia soalheiro e, após um
curto descanso, fui explorar a cidade. Por coincidência, nos dias em que
visitei Sibiu, aliás, estava a decorrer o Festival Internacional de Teatro de
Sibiu, tido como um dos maiores festivais de teatro do planeta.
O ambiente era, por isso mesmo, de festa. Mas, por causa do
festival – que sem dúvida alegrava o centro histórico de Sibiu -, havia palcos,
grades, instalações artísticas e estruturas publicitárias nas diversas praças.
E isso retirava beleza ao espaço público. Nada a fazer. Era o preço a pagar
pela animação cultural que se vivia em Sibiu em tempos de festival.
Pela positiva, esse excesso de estruturas foi também um
pretexto para me afastar da Praça Grande e da Nicolae Balcescu – a principal
artéria pedonal do centro, bastante larga e com restaurantes, geladarias e
múltiplas esplanadas sempre cheias – e apreciar a arquitetura tipicamente
germânica das ruas mais pequenas e aproveitar para descer até à chamada Cidade
Baixa, ali ao lado.
Unidas por artérias como a pitoresca Pasajul Scarilor
(Passagem das Escadas), as duas partes da velha Sibiu – a Cidade Alta, com as
suas igrejas e monumentos históricos, e a Cidade Baixa, com pracinhas
acolhedoras e ruelas pavimentadas com pedras – são o epicentro de um povoado
fundado há mais de 800 anos por colonos alemães, conhecidos como Saxões da
Transilvânia. Felizmente, boa parte desse património arquitetónico mantém-se de
boa saúde.
Sibiu escapou a boa parte da destruição provocada pelas grandes
guerras; tal como escapou aos planos urbanísticos de Nicolae Ceausescu que
fizeram desaparecer muito do património edificado noutras partes da Roménia.
Mais recentemente, beneficiou com a nomeação para Capital Europeia da Cultura
(2007), oportunidade aproveitada para reabilitar o riquíssimo património
arquitetónico da velha Sibiu.
E a verdade é que há muito para desvendar e observar e
contemplar.
Mesmo as coisas simples, como os “olhos de Sibiu”.
Arquitetonicamente falando, o facto das janelas dos sótãos das velhas
residências parecerem ter olhos foi uma das coisas mais curiosas e fascinantes
em que reparei enquanto caminhava a pé pelas ruas de Sibiu. Como se estivessem
a observar tudo o que se passa à sua porta. Literalmente.
A luz matinal de Sibiu
No segundo e último dia em Sibiu, acordei muito cedo para
fotografar o amanhecer na cidade.
Conscientemente, não visitei nenhum museu, igreja ou o que
fosse. Vagueei, simplesmente, pelo ambiente medieval do centro histórico da
belíssima cidade de Sibiu. Sentei-me nos bancos da Praça Grande, conheci cafés
como o Arhiva de Cafea si Ceai, deixei-me estar, desfrutando do ambiente
descontraído sem pressas nem planos. A luz estava mágica, e dei por muito bem
empregue a urgência matinal.
Horas depois, enquanto seguia de autocarro para Alba Iulia,
só pensava como às vezes, ainda hoje, os locais me surpreendem. E isso sabe tão
bem…
Sim, cheguei a Sibiu sem grandes expectativas e saí de lá
conquistado. Tenho aliás para mim que é das cidades mais cativantes da
Transilvânia.
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