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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Pura Vida! A Laura foi à Costa Rica e voltou rendida - Parte 2

A Laura Filipe, uma das colaboradoras da TravelTailors, foi à Costa Rica no passado Novembro. Já começámos antes a contar a história desta viagem. Hoje seguimos para a área do vulcão Arenal e para as praias de Guanacaste!
Em nome próprio, a Laura conta o que andou a fazer neste país onde se respira biodiversidade.


Levantámo-nos cedinho no dia 30 e fomos fazer uma caminhada guiada pelo Parque Nacional do Arenal. O tempo estava tão nublado e chuvoso que até julguei que o vulcão tinha desaparecido durante a noite e que não iria conseguir uma única fotografia... mas estava enganada!

A caminhada foi muito fácil e informativa e terminou numa espécie de miradouro para o vulcão e para o Lago Arenal. E a sorte estava do nosso lado: via-se mais de metade do vulcão e o sol começava a despontar por entre as nuvens. Pensava eu que seria a melhor vista que teria do vulcão.


 Photo by Laura Filipe

Pedimos ao motorista para nos deixar em La Fortuna, em vez de regressarmos ao hotel. Aproveitámos para ver a cidade, comprar uns "regalos" e almoçar numa soda chamada La Hormiga. Experimentámos o prato típico (casado) e ficámos convencidos - um bom almoço a muito bom preço. Uma excelente recomendação do nosso guia.

Da parte da tarde fomos espreitar as fontes termais do Tabacón. Não só é lindo ver a água quente (que vem do vulcão) a correr montanha abaixo, como o ambiente é muito relaxante. A opção ideal para quem quiser usufruir de águas termais em piscinas naturais.

De regresso ao hotel, tivemos tempo para descansar um pouco antes de voltarmos à cidade para jantar. Mais uma óptima refeição no Don Rufino, com um serviço muito atencioso.


Do Arenal a Tamarindo

No dia seguinte, recebemos o carro de aluguer no hotel pelas 9h e fizemo-nos à estrada em direcção a Guanacaste, mais concretamente a Tamarindo. Pelo caminho, como que um presente de despedida, o vulcão apareceu-nos completamente descoberto e proporcionou umas das melhores fotografias que tirei.


 Photo by Laura Filipe

O caminho para Tamarindo é fácil, ainda que um pouco longo (levámos cerca de 4 horas, sempre com a inestimável ajuda do GPS) e com poucos desvios. Uma opção para quem não queira fazer tudo seguido é parar em Cañas ou Liberia para comer qualquer coisa e descansar.

Nós decidimos ir directos ao nosso hotel, com algumas paragens para fotografias pelo caminho - este país parece todo saído de um postal! O hotel é de estilo resort, grande, com uma enorme piscina, mesmo em cima da Playa Mansita. A praia não é muito interessante, ainda que bonita, e na maré baixa é bastante rochosa. Mas proporcionou-nos a oportunidade de observar aves pesqueiras a mergulhar no oceano em busca de alimento e um magnífico pôr-do-sol em tons de laranja e rosa.


 Photo by Laura Filipe

No dia 2, tomámos o pequeno-almoço cedo e fomos preguiçar um par de horas para a piscina (ou não fosse este o país das preguiças...). Pelas 11h30/12h, decidimos que era boa altura para ir espreitar algumas praias ali próximas.

Começámos por Playa Tamarindo. É uma praia grande, com muito movimento (muitos restaurantes e bares) e essencialmente dedicada a surfistas. Existem sinais a avisar sobre as correntes fortes e a recomendar cautela - não é uma praia vigiada. A areia não é totalmente preta, mas é escura e os pés ficam "encardidos".

Seguiu-se Playa Grande. Do mesmo estilo de Playa Tamarindo, mas mais tranquila e mais remota, quase deserta. Faz-se uma boa parte do caminho em terra batida, mas compensa. O areal estava repleto de búzios e vimos um caranguejo eremita enorme!

Continuámos caminho para Playa Flamingo, já mais frequentada, mas mais calma que Tamarindo. É bonita, tem poucas pessoas e não me pareceu tão agreste para nadar, mas tem muitos barcos muito próximos da praia, o que me deixa dúvidas sobre se a água não sofre alguma poluição.
Parámos para almoçar por aqui, já tarde, numa soda em frente à praia.

De regresso ao hotel passámos por Playa Avellanas que, para mim, é uma das mais bonitas que vimos. Ajudou termos visitado já ao pôr-do-sol e as cores fazerem reflexos lindíssimos na areia molhada. Creio que seja a única praia vigiada das que visitámos, mas fiquei com a ideia de que o nadador-salvador pertencia ao beach club.


 Photo by Laura Filipe

Ainda existem outras opções como Playas del Coco e Playa Samara, mas não tivemos tempo de espreitar.

No dia seguinte, levantámos âncora em direcção a Monteverde onde teríamos (mais) uma aventura inesquecível.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Lugares Mágicos para Visitar na Tailândia

Quando pensamos na Tailândia, provavelmente pensamos em praias de areia branca e águas azuis cristalinas em Phuket ou nas estradas caóticas e nos templos magníficos de Bangkok.

Mas acredite: existem locais na Tailândia que não vai acreditar que existem! Nem na Tailândia, nem em outro sítio qualquer!

De seguida, serão apresentados alguns locais únicos que o vão deslumbrar - a verdadeira magia na Tailândia!

1. O Grand Canyon da Tailândia - Sam Phan Bok, Ubon Ratchathani

Já não é preciso ir até aos EUA para ver uma maravilha da natureza. Conheça Sam Phan Bok, localizado em Ubon Ratchathani, uma província no nordeste da Tailândia.


"Sam Phan Bok" significa, literalmente, 3000 buracos. Foram milhões de anos de erosão pela água, a qual ajudou a moldar diferentes formas nestas estruturas rochosas. E é durante a época seca, quando a água diminui, que estas estruturas se revelam, proporcionando paisagens verdadeiramente místicas.


Há espaço para corações e até para o Mickey Mouse! Deixe a sua imaginação correr!

Localização: Tambon Lao Ngam, Pho Sai District, Ubon Ratchathani
Melhor altura para visitar: Durante a estação seca (de Novembro a Abril)
Aberto 24 horas / Entrada livre

2. Lago do Lótus Vermelho - Talay Bua Daeng, Udon Thani

Todos os anos em Janeiro, no início da manhã (preferencialmente, antes das 10h), este lago, na província de Udon Thani, transforma-se num pequeno paraíso. Mais de 8000 acres do lago Nong Han ficam cobertos por flores de lótus e lírios a florescer.


Alugue um barco e deixe-se envolver pela atmosfera de magia e romance. Utilize roupas claras se se quiser destacar no meio de tanta cor, nas fotografias!



Localização: Tambon Lao Ngam, Kumphawapi District, Udon Thani
Melhor altura para visitar: Durante a época de florescimento (Dezembro a Fevereiro)
Aberto 24 horas (o aluguer de barcos opera das 6h às 11h) / Entrada livre

3. Montanha com um templo no céu - Wat Chaloem Phra Kiat Phrachomklao Rachanusorn, Lampang

A 815 metros acima do nível médio das águas do mar, um conjunto de pináculos numa montanha rochosa embelezam a paisagem.



O templo foi construído pela determinação da comunidade que pretendia prestar homenagem a uma relíquia budista sagrada, no pico mais alto da montanha. Os tailandeses acreditam que quem chegar ao topo, a pé, de onde o local sagrado se encontra, será abençoado com sorte!



Localização: Thung Tong Village, Wichet Nakhon, Chae Hom District, Lampang
Entrada livre

4. Lagoa Azul Brilhante - Sra Nam Pud, Khao Phra Bang Khram Wildlife Sanctuary, Krabi

O que faria se estivesse a caminhar numa selva de folhagem densa e escura, cheia de grandes árvores altas com raízes tortuosas, semelhantes a grandes cobras e de repente descobre uma pequena abertura de árvores que leva a uma piscina de águas cristalinas e azuis? Provavelmente pensaria que estaria a sonhar. E realmente irá encontrar uma paisagem de sonho, aqui na Blue Lagoon.


Para além das águas cristalinas e brilhantes, existe ainda uma piscina natural bastante ampla, a Emerald Pool. De cortar a respiração!


Localização: Khlong Thom Nuea, Khlong Thom, Krabi 81120 Thailand
Horários: de Janeiro a Abril e de Novembro a Dezembro, das 10h00 às 15h00
Preços: USD $6.50 / 200 Baht (Adultos); USD $2.90 / 100 Baht (Crianças)

5. Praia e um Dragão - Talay Whag (Golden Scale Dragon Spine), Sa-Tun Province

Nesta praia, sempre com maré baixa, o mar revela algo bastante grande e misterioso. Com perto de 3 km de extensão, localizando-se entre duas pequenas ilhas, esse "algo" parece que é feito de ouro, quando a luz solar o ilumina. Cá para nós, é mesmo um dragão marinho a nadar!




Em vez de areia, esta duna é feita de partes de conchas que brilham com a luz do sol, tal como as escamas de um dragão brilhariam! Diz a lenda que quem caminhar ao longo da espinha do dragão irá receber energia pura do mar que ajudará a aumentar o seu chi interno.


Localização: Khao Khaung, Moo 1 , Tambon Ton Yong Po, Muang, District  Sa-Tun
Entrada livre na praia (poderá alugar um barco)

6. Trilho na Floresta até ao Mundo Perdido - Ang Ka Nature Trail, Doi Inthanon National Park

A Tailândia não é sempre sinónimo de tempo quente e tropical. Na região norte da Tailândia, especialmente em Doi Ithanon ("o topo da Tailândia"), a montanha mais alta da Tailândia, com mais de 2500 metros de altura, as temperaturas são bastante baixas, podendo inclusivé atingir valores abaixo dos 0ºC.


Por consistir num clima típico de altas altitudes, as espécies vegetais que aqui encontramos são diferentes de todo o resto da Tailândia. Já no caso desta floresta ser visitada num dia de nevoeiro, a envolvência misteriosa que surge faz-nos pensar que estamos numa floresta mágica. E estamos mesmo!


Localização: Ban Luang, Chom Thong District, Chang Wat Chiang Mai 50160, Thailand
Preço: USD $10 / 300 Bath (Adultos), USD $4.30 / 150 Baht (Crianças)

7. Penhascos Lendários - Pha Singh Lao, Chiang Mai

Esculpida pela escavação gradual da superfície terrestre, este fenómeno natural criou um penhasco notável, com majestosos pilares, com mais de 50 metros de altura, sendo consideradas as colunas de poeira mais altas da Tailândia.


Há quem diga que parece que estes pilares estão a usar um chapéu, que parece um bouquet de flores ou até brócolos. De alguns ângulos, faz-nos até lembrar as colunas tipicamente romanas. Consegue encontrar um leão gigante no topo do penhasco? Diz a lenda que estes pilares são tão bonitos, que fez com que o Grande Rei Leão virasse a cabeça para admirar a vista - daí o nome, Pha Singh Liao, que significa "Cliff of the Lion Turns Head".



Localização: Tambon Ban Tan, Hot District (Amphoe Hot), Chang Wat, Chiang Mai
Entrada livre

8. Cavernas com E.T.'s - Lam Klong Ngu National Park, Kanchanaburi

Entrar numa caverna escura pode não ser para todos. Especialmente no Parque Nacional Lam Klong Ngu, onde precisará de percorrer a floresta, quase rastejar e escalar para chegar à caverna. Mas quando chegar lá, garantimos que valerá a pena.



Dentro das grutas, poderá encontrar diversas estruturas de calcário, formadas ao longo de milhões de anos, e que deram origem a formações que parecem verdadeiras obras de arte. Algumas estruturas podem ficar com formas realmente fora do comum, fazendo lembrar a criatura do filme "Alien", daí alguns locais chamarem-lhe "Alien Rock". Uma das grutas, Yham Sao Hin (Stone Column Cave), possui a coluna de calcário mais alta da Tailândia (e a maior coluna do mundo), medindo 62.5 metros em altura.


Localização: PO. Box 4, Thong Pha Phum, Kanchanaburi
Horários: (telefonar para confirmar: 71180, 08 6175 4786, 084 9132381; +66 é o indicativo da Tailândia)
Preço: USD $7 / 200 Baht (Adultos),  USD $3.50 / 100 Baht (Crianças); Tours de Exploração das Cavernas também se encontram disponíveis

9. Paraíso das Borboletas - Pang Sida National Park, Sra-Kaew Province

Símbolo de transformação na natureza, as borboletas remetem-nos para os contos de fadas - não fossem as fadas ter asas de borboleta. Agora imagine-se no meio de milhares e milhares de pequenas fadas - entre Maio e Setembro, é o que vai encontrar neste Parque Natural, principalmente se o visitar de manhã, num dia solarengo.


De entre as mais de 400 variedades de borboletas que o deixarão encantado, poderá também vislumbrar as cascatas que se encontram neste Parque Nacional. Deixe-se envolver pela magia!


Localização: Tha Yaek, Mueang Sa Kaeo District, Sa Kaeo 27000, Thailand
Horário: das 06h00 às 18h00
Preço: USD $7.00/ 200 Baht (Adultos). Metade do preço para crianças.

10. Acima das nuvens - Mokoju Peak, Mae Wong National Park, Kamphaeng Phet

Por vezes, quanto mais árdua é a viagem, mais gratificante é a sensação quando se chega ao destino. É o que lhe irá acontecer quando chegar ao cume deste local, ao se sentir recompensado pela deslumbrante vista do mar de nuvens, tão longe quanto os seus olhos podem ver, pairando sobre as colinas que se encontram abaixo.



Este cume encontra-se a 1964 metros acima do nível médio das águas do mar. Uma curiosidade: "Mokochu" é uma palavra utilziada por uma tribo local significando, literalmente, "Parece que vai chover" - o que se explica pelo facto de haver sempre nuvens neste local, parecendo que, efectivamente, vai chover. Chegar ao cume não é fácil, dado que apenas poderá ser acedido através de um percurso de trekking de 30 km ao longo da floresta, em terreno acidentado, percurso esse que vai requerer 5 a 6 dias de viagem de ida e volta, com o acompanhamento de um guia do parque. É considerado um dos caminhos mais difíceis de percorrer na Tailândia, mas acredite que a vista vai compensar.


Localização: Tambon Pang Ta Wai, Amphoe Pang Sila Thong, Chang Wat , Kamphaeng Phet 62120



Não deixe também de visitar:

- Waterslide Natural - Tham Phra Waterfall (Monk Cave Waterfall), Bueng Kan Province
Seja como Mowgli, do "Livro da Selva", e divirta-se num verdadeiro parque aquático natural, no meio da selva!

- Baleias no Céu - Hin Sam Wan, Phu Singh Forest Park
Pedras que parecem baleias, com mais de 75 milhões de anos, e a 350 metros acima do nível do chão!

- A rainha das Cascatas - Thi Lo Su Waterfall, Umphang Wildlife Sanctuary, Tak Province
Com mais de 300 metros de altura e cobrindo uma área correspondente a cerca de 5 campos de futebol, esta é realmente uma cascata monumental.

- Guilin da China... na Tailândia - Ratchaprapha Dam, Surat Thani Province
As formações rochosas, a par das árvores verdes que crescem em cima da superfície acidentada, proporcionam uma visão verdadeiramente deslumbrante que é difícil de esquecer.

- A Montanha que é um elefante adormecido - Doi Chaang Pha Don, Prae Province
Considerado o ponto mais alto da Prae Province, na região norte da Tailândia, esta zona montanhosa parece que está a usar coroas com espinhos. Quando atingir o ponto mais alto da montanha, deixe-se deslumbrar pela vista panorâmica de 360º que lhe permite ver praticamente toda a província!

- Tomar banho ao Luar - Sangchan Waterfall, Ubon Ratchathani Province
A água que desce na cascata parece ter um efeito mágico. Seja quando a luz do sol mais incide nas águas ou quando a lua cheia incide na cascata, qualquer momento é bom para visitar este local.

- Sinta-se a explorar Marte - Pong Yup, Ratchaburi
Testemunhe este fenómeno natural onde o chão parece ter-se afundado com a erosão ao longo do tempo, e o que resta é um penhasco de 5 metros com pilares de barro.

- Um penhasco flamejante na praia - Had Pha Dang (Red Cliff Beach), Prachaub Khiri Khan
Na província na região sul da Tailândia, existe uma praia, com cerca de 10 km de extensão, que se encontra rodeada por um penhasco bastante distinto, com grande valor geológico, pela sua cor avermelhada, que nos faz lembrar chamas!

- Uma planície de rochas nas montanhas - Lan Hin Pum, Phu Hin Rong Kla National Park, Phitsanulok Province
Fenómeno geológico que permitiu a "criação" de pedaços arredondados de rochas, com tamanhos estranhamente semelhantes, espalhados por todo o espaço. Parece que alguém agarrou cuidadosamente em cada um dos pedaços de rocha e colocou cada um deles deliberadamente na montanha - mas não, trata-se apenas de (mais uma) incrível obra da natureza.

Não deixe de visitar estes lugares verdadeiramente mágicos na Tailândia!

quarta-feira, 15 de março de 2017

Sri Lanka: uma lágrima, dez praias e mil sorrisos



A escuridão descia sobre a terra e sobre as nossas cabeças o céu nocturno de Uppuveli iluminava-se de todas as estrelas. Retalhos de uma luz ténue dançavam no rosto da mulher que se sentava à minha frente, um rosto bronzeado e sulcado de rugas como alguns dos caminhos, depois das chuvas, que me conduziram até uma casa onde, numa noite como esta, silenciosa, escuto o rumor do mar e deito de vez em quando um olhar ao casal de crianças que dividem o tempo entre os trabalhos de casa e um desenho para mim ou para a mulher de cabelo curto e olhos verdes que me faz companhia.  
- Quando casei, já tinha um filho, resultado de um acidente, de uma noite romântica numa praia para onde fôramos com o pretexto de celebrar o Midsummer, porque em Oslo não se festejava, era tudo muito aborrecido. Ele chamava-se François, escapara ao regime de Franco. Não me pergunte como, mas ele chegou à Noruega pouco antes de completar 15 anos, à procura de uma amiga que conhecera, uma funcionária das Nações Unidas.

Já antes apreendera o humor com que me relatava algumas das suas experiências de uma existência feita de múltiplas viagens. Imaginava que, depois do lado dramático de mais um relato, algo capaz de me fazer rir com vontade estaria a caminho. Como se ela, já contagiada pelo sorriso eterno do povo, personificasse a história recente do país, erguendo-se depois de guerras e catástrofes naturais.
- Ao fim de algum tempo descobri que ele tinha problemas, que bebia muito e, mais do que isso, que não podia ser um pai. Nessa altura, eu era enfermeira e, uns anos mais tarde, outra vez grávida, casei com um médico que aceitou adoptar o meu primeiro filho.
Ela esboça um sorriso que é um prenúncio das palavras humoradas que estão a chegar-lhe aos lábios.
- O meu marido era, já nesse tempo, um médico conceituado, para quem os pacientes estavam acima de tudo. Disse-me que não podia ir de lua-de-mel comigo, que não tinha tempo. No início, ainda pensei que não o devia levar a sério. Mas quando dei por mim já estava sentada num avião, a caminho da Grécia, com a minha irmã, o meu filho e grávida de outro. Ainda hoje acredito que sou um caso raro no mundo, a única mulher que foi de lua-de-mel com a irmã, um filho pela mão e outro na barriga.



Randi Nilsen passa quatro meses por ano no Sri Lanka, numa casa alugada, a meia dúzia de passos da guest house onde me encontro, em Uppuveli, e da praia que espero ver amanhã, quando o sol se levantar, aclamada como uma das melhores na região de Trincomalee e de volta aos seus dias de paz após anos e anos de conflitos.
- Caminha até ao final, para a tua esquerda, há uma aldeia de pescadores muito bonita, cheia de cor, do outro lado do rio.
Randi Nilsen regressa a casa, para terminar mais um esquema de palavras cruzadas que depois enviará para uma revista de saúde norueguesa. Haveremos de nos encontrar mais vezes nos próximos dias, para rir como se ri no Sri Lanka.


Nada mais se deseja

Mal acordara daquele sono profundo e retemperador, ainda aos primeiros alvores do dia, e deixei os meus passos levarem-me na direcção de onde vinha o rumor das ondas. Para quem, como eu, acabara de chegar de Jaffna, dessa cidade inacessível durante a guerra, Uppuveli surgia, mesmo sob nuvens baixas e cinzentas, como a primeira praia que realmente cativava o meu olhar, embora por vezes distraído mas quase sempre inquiridor. O sol procurava, já com alguma força, romper por entre aquele cortinado que não ameaçava chuva, um quadro tão do agrado das vacas indolentes que me olhavam com indiferença e menos dos poucos turistas que, a estas horas madrugadoras, estendiam as suas toalhas sobre as areias que acolhiam tudo o que o Índico rejeitara ao longo de uma noite em que namorara a praia.



Caminho, seguindo o conselho de Rami Nielsen, para a esquerda; para a direita, como uma varanda sobre o mar, avisto uma elevação que deve ser um miradouro com uma panorâmica soberba sobre a grande extensão de areia de Uppuveli; no final, identifico uma forte corrente de água que não me convida à travessia mas um barco pequeno aproxima-se, com dois homens em pé que parecem perscrutar nos meus olhos uma necessidade de consolo, talvez um pouco semelhante à de um náufrago — encostam a embarcação o mais que podem à margem e incitam-me, com gestos e sem palavras, a saltar para o interior, para me levarem até ao outro lado, onde a vida ganha mais vida e, como garantira a norueguesa bem-humorada, mais cor.

Há barcos ancorados, outros a chegar, outros ainda a partir; uns descarregam grandes quantidades de peixe, alguns partem para a pesca, mas a maior parte lança-se aos perigos do mar pouco depois da meia-noite e volta entre as seis e as sete da manhã — e todos os barcos, mais modernos ou mais primitivos, estão pintados de tonalidades que prendem o olhar. As palmeiras, com os seus troncos esguios e as suas folhas, reflectem-se nas águas como num espelho; contra o céu, cada vez mais azul, recorta-se, numa estabilidade precária, um pescador solitário e, ainda mais para lá, quase sobre a linha do horizonte, um cargueiro sulca as águas cada vez mais prateadas do imenso oceano.
Um caminho, em parte alcatroado, em parte em terra batida, bordejando o riacho que serve de porto de abrigo aos barcos e aos pescadores, conduz-me até um pequeno bar de paredes escurecidas e despidas; logo atrás, o mercado fervilha de vida, os vendedores, curiosos face à presença de um único turista, desviam os olhares das balanças rudimentares onde pesam o peixe para me observarem antes de me sorrirem, como quem, ao fazê-lo, aceita a minha presença. Homens com a água até à cintura, por vezes de lenço na cabeça para se protegerem do sol que já promete incendiar tudo à sua volta, atiram as suas redes e olham para aqui e para acolá de uma forma sonhadora ou apenas ausente.



O mar, esse monstro

Sou obrigado a um desvio de muitos quilómetros, de Pottuvil a Monaragala, de Monaragala a Hambantota e, finalmente, outra vez tendo o mar como vizinho, chego a Tangalla, a meio de uma tarde que ainda me oferece algumas horas de sol. Sentado numa esplanada, ouvindo o som das vagas, deixo que o dia decline sobre a praia de Medaketiya.
Quando a manhã desperta, anunciando mais um dia glorioso, caminho ao longo de Medaketiya, detenho-me na lagoa, na parte da praia decorada com mais barcos, volto a ajudar os pescadores a colocarem as suas embarcações em zonas mais abrigadas; assisto a todo aquele frémito de vida e inspiro as fragrâncias que anunciam a proximidade do porto de pesca e do mercado de peixe, onde tomo café com os pescadores antes de passar pela Rest House, em tempos ocupada por administradores holandeses, e de me entregar à tranquilidade de praias como a de Goyambokka e Marakolliya.



Durante uma semana fico instalado em Galle, a cidade que me serve de base para conhecer algumas das mais inspiradoras praias do sul da ilha. Um dia, vou um pouco para norte, até Hikkaduwa, descoberta pelos hippies na década de 1970 e perfeita para quem se está a iniciar no surf; a maior parte do tempo, recorrendo ao mitíco comboio que liga Galle a Matara, uma linha arrancada pelas ondas do tsunami, passo-o na zona leste, em paraísos como Polhena, a escassos três quilómetros do centro de Matara, onde a vida decorre sem pressa, em Mirissa, mais ídilica ainda e tão próxima de Weligama, onde gosto de me sentar, num rudimentar banco de madeira, olhando os pescadores, as vacas, os surfistas, a minúscula ilha mesmo à minha frente, a Taprobana, refúgio de artistas e escritores, como Paul Bowles, que aqui, neste lugar onde se pode dormir por um pouco mais de mil euros, escreveu The Spider’s House nos anos 50 do século passado.

Ando muito tempo a pé, sempre junto ao mar, esse mar onde as crianças e os adultos passavam muito do seu tempo, mesmo não sabendo (como a maior parte da população) nadar, esse mar que a determinada altura passaram a ver com um monstro que rouba vidas e empregos, destrói casas e deixa milhares e milhares sem um tecto; faço companhia a pescadores, a três crianças de olhos negros e brilhantes que se banham nas águas revoltas do oceano, descubro a excelência da baía de Unawatuna, mais uma praia para sonhadores, percorro-a de uma ponta à outra, aprecio-a do alto de um promontório e, uma vez de regresso às suas areias, inicio uma caminhada mais longa que me irá levar, ao fim de algum tempo, a uma das praias mais isoladas, a Jungle Beach, onde me limito a deixar o tempo passar como se dele nada mais esperasse. Deito os olhos a um mapa, a essa forma de lágrima, procuro localizar as mais belas praias por onde errei ao longo de semanas e a recordação mais vívida que me chega à memória é a de todos os sorrisos que fizeram o favor de me oferecer nesta ilha com tantas lágrimas derramadas.


Pode ver aqui as nossas sugestões no Sri Lanka. 


Fonte: Fugas - Público

quarta-feira, 17 de junho de 2015

MELHORES ARCOS NATURAIS DO MUNDO - WASHINGTON



Na praia de Shi Shi em no Parque Nacional Olympic, Washington, o Oceano Pacífico esculpe arcos e túneis, um destes belíssimos fenómenos naturais é o Point Of Arches, que emoldura o pôr-do-sol nesta praia quase remota. Numa viagem à Washington, reserve alguns dias para deslocar-se até a reserva indígena de Makah, onde poderá fazer camping no extenso areal para admirar as estranhas formações rochosas. O acesso pode ser uma aventura por sí só, mas a vista de cartão postal compensa largamente o esforço!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

TOP 10 PAÍSES PARA 2014 - SEYCHELLES


Estas divinas 115 ilhas espalhadas pelo Oceano Índico tem todos os ingredientes-chave para umas férias de sonho, mas a sua reputação como parque de diversões dos milionários provavelmente manteve-o afastado. Boas notícias: esqueça os refúgios exclusivos e elegantes das eco-vilas, pode desfrutar de preços amigáveis em pitorescas pousadas crioulas e apartamentos auto-suficientes, que surgiram ao longo da última década. E se o preços das viagens de avião tentam dissuadido-lo de visitar este paraíso, alegre-se! O aumento da concorrência mudou dramaticamente a situação ao longo dos últimos anos. Não resta muito mais a fazer do que beber cocktails na praia. Caminhadas, mergulho, passeios de barco e outras opções de aventura estão prontamente disponíveis, com o apelo adicional de um cenário grandioso. Amantes da vida selvagem, as Seychelles não são apelidadas de "Galápagos do Oceano Índico" por nada..



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

EXPERIÊNCIAS NA EUROPA: GRÉCIA




A Grécia oferece diversas actividades aos turistas que passem pelo país. Uma que a TravelTailors lhe propõe é escalar a península de Mani. Os caminhos deste local atraem turistas de diversos sítios graças à paisagem que os rodeia: montanhas, oásis escondidos, pequenas tabernas de pescadores e casas à beira-mar. A segunda proposta que lhe fazemos é uma visita à ilha de Leros, um lugar muito popular entre os habitantes locais e pouco conhecido pelos turistas. A ilha caracteriza-se pelo castelo que destaca no seu topo e pelas magníficas praias onde pode relaxar.

Descubra as experiências gregas! http://www.travel-tailors.com/detalhado.php?i=349

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

EXPERIÊNCIAS NA EUROPA: CROÁCIA





Muitas das praias em Krk, a maior ilha da Croácia, estão cheias no Verão. Mas se for até ao sul da vila de Punat, para Stara Baska, vai encontrar uma série de baías incríveis para nadar. Se o preferir fazer num lago, o lago Cetina é uma das principais belezas naturais do país. Este lago tem 105 km, que vão desde a cidade com o mesmo nome, através das montanhas Dinara e dos campos que rodeiam Sinj, até ganhar velocidade e chegar a uma central eléctrica perto de Omis. É uma viagem magnifica, já que o rio de um azul transparente está rodeado de elevadas rochas, repletas de vegetação, e a melhor maneira de a fazer é em rafting, num percurso de 3 a 4 horas durante o qual irá encontrar alguns rápidos.

Encontre a serenidade na Croácia.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O caminho do Senegal


Descubra gemas raramente visitadas nesta viagem overland de Freetown para Dacar. Muito off-the-beaten track, este é um passeio bastante exigente fisicamente, que envolve acampamentos, caminhadas e trekking, embora a maior parte da viagem seja feita numa camião confortável. Assim pode realmente envolver-se com as comunidades locais, apreciar uma fauna estonteante ou sonhar nas praias serenas.


Para mais informações consulte a nossa página oficial