terça-feira, 4 de dezembro de 2018

A Paula foi aos EUA no Verão e traz a sua experiência pessoal - Parte 1

A Paula Alves, uma das fundadoras da TravelTailors, foi aos EUA este Verão. E porque viajar faz mesmo parte do ADN das suas fundadoras (e não é somente no que trabalhamos), queremos partilhar mais esta história de viagem pessoal. Em nome próprio, a Paula conta o que andou a fazer pelas terras do Tio Sam.

San Diego e Los Angeles – incursão pelas cidades americanas

San Diego é bastante giro. La Jolla Cove é muito bonito; nunca pensei ver tantos leões marinhos, uma comunidade enorme que toma conta da praia! Muitos jovens a fazer desportos aquáticos, e muito snorkeling. O senhor que nos entregou o carro na rent-a-car já teve vários empregos, e um deles levou-o a viver em Portugal. Como o mundo é pequeno! A esposa é bióloga marinha e diz que as águas em San Diego estão cheias de tubarões, que comem os "baby sea lions"!! O mais giro em San Diego deve mesmo ser o navio militar, é um espectáculo. Jantámos num restaurante italiano com vista para a cidade e houve fogo de artificio...very nice! Vimos também Coronado beach, que gostámos muito. Ficámos num hotel que foi o primeiro hotel a ser electrificado. Foi o próprio do Thomas Edison que o foi lá fazer!


Photo by Daniel Guerra on Unsplash

A caminho de Los Angeles


Passámos pela praia de Laguna Beach, que não achei nada bonita. Está cheia de algas e as pessoas deitadas ao lado. Já a vila é bonita. Mas para quem queira vir fazer praia, não vale muito a pena. E a água ronda os 20 graus, portanto nem é pela temperatura. Confirma-se o que sempre dizemos: em Portugal há praia mais bonita, e com água mais quente.


Photo by Ahmet Yalçınkaya on Unsplash
O trânsito é uma loucura. Há cinco faixas na auto-estrada e estão todas cheias! O custo de vida é bastante elevado. Um postal custa $3, uma água $3,5. Chegados a Los Angeles, fomos ao Sunset Boulevard, é obrigatório! Passamos por Bel Air, onde as casas são bonitas e os espaços muito bem arranjados. Fomos tirar as fotos da praxe no Hollywood sign, depois fomos ao passeio da fama... e é aí que pensamos que é tudo artificial e só para turista ver. A rua é suja e há tanta pobreza humana, de diversos níveis. Aqui, não consigo ver beleza. Vamos mas é para os parques que, de facto, não sou uma pessoa de cidades!  

terça-feira, 27 de novembro de 2018

O Guia Michelin esteve em Portugal e deixou mais estrelas

A gala do Guia Michelin aconteceu em Sintra e trouxe mais estrelas aos restaurantes portugueses.

O Alma juntou-se ao leque de restaurantes com duas estrelas, premiando a equipa do chef Henrique Sá Pessoa.

Além desta novidade, o Guia Michelin atribuiu 1 estrela a 3 novos restaurantes em Portugal:

  • G Restaurante, em Bragança
  • A Cozinha, em Guimarães
  • Midori, no Hotel Penha Longa, em Sintra
Com esta nova (e merecida!) distinção do Alma, passam a ser seis os restaurantes com dupla estrela Michelin. E dois deles ficam no centro da cidade de Lisboa, no cosmopolita e trendy bairro do Chiado. Portugal passa assim a ter algum peso no Guia Michelin da Península Ibérica. E a afirmar-se internacionalmente como um destino para foodies - os amantes de comida que viajam em busca de novos sabores e restaurantes. Além disso, começa-se a falar da forte possibilidade de se conseguir uma 3ª estrela num restaurante. Isto certamente colocaria Portugal na rota dos destinos de culinária!
Imagem de Lifecooler

Veja aqui a lista de restaurantes com estrelas Michelin em Portugal, para 2019.

Duas estrelas Michelin Alma / Henrique Sá Pessoa, Lisboa Belcanto / José Avillez, Lisboa Il Gallo d’Oro / Benoit Sinthon, Funchal Ocean / Hans Neuner, Alporcinhos The Yeatman / Ricardo Costa, Vila Nova de Gaia Vila Joya / Dieter Koschina, Albufeira Uma estrela Michelin A Cozinha /António Loureiro, Guimarães Antiqvvm / Vitor Matos, Porto Bon Bon / Louis Anjos, Carvoeiro Casa da Calçada / Tiago Bonito, Amarante Casa de Chá da Boa Nova / Rui Paula, Leça da Palmeira Eleven / Joachim Koerper, Lisboa Feitoria / João Rodrigues, Lisboa Fortaleza do Guincho / Gil Fernandes, Cascais G Restaurante / Óscar Gonçalves, Bragança Gusto by Heinz Beck / Heinz Beck, Almancil Henrique Leis / Henrique Leis, Almancil LAB by Sergi Arola / Sergi Arola, Sintra L’And Vineyards / Miguel Laffan, Montemor-o-Novo Loco / Alexandre Silva, Lisboa Midori / Pedro Almeida, Sintra Pedro Lemos / Pedro Lemos, Porto São Gabriel / Leonel Pereira, Almancil Vista / João Oliveira, Portimão William / Luís Pestana, Funchal Willie’s / Willie Wurger, Vilamoura

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Como ter acesso aos Lounges dos aeroportos



Hoje em dia há cerca de 3000 airport lounges em mais de 850 aeroportos, em todo o mundo. 

Nem todos são iguais e existe uma grande variação na qualidade dos espaços e serviços. No topo encontram-se os espaços reservados à elite da aviação, onde só se tem acesso com um bilhete internacional em 1ª classe ou executiva. A maioria oferece aos viajantes um local tranquilo e confortável onde pode ligar os seus aparelhos electrónicos, comer uma refeição leve ou beber uma cerveja. Se não tem acesso a um lounge, existem passes que pode adquirir para usufruir destes espaços.

Day Passes
Adequados a viajantes de lazer pouco frequentes ou viajantes frequentes em ocasiões pontuais.
Podem ser comprados passes diários para a maioria dos lounges através da LoungeBuddy (vende passes para mais de 400 aeroportos em 68 países) e a maioria ronda os 35€.
Algumas companhias aéreas vendem os passes de acesso aos seus espaços no balcão de check-in (preços entre 40 e 50€).

Priority Passes
Adequados a viajantes que visitam um lounge pelo menos uma vez por mês.
Um passe prioritário dá acesso a mais de 1200 espaços em todo o mundo, aos quais pode aceder através de uma app no telefone. Existem 3 tipos de adesão:
Priority Pass Standard – Tem um custo anual de adesão de 87€ e cada visita é cobrada a 24€.
Priority Pass Standard Plus – Tem um custo anual de adesão de 218€ que inclui 10 visitas. A partir da 11ª visita é cobrado um valor de 24€ por visita.
Priority Pass Prestige – Tem um custo anual de adesão de 350€ e inclui visitas ilimitadas. Este é o melhor se fizer mais de 17 visitas por ano.
Uma ressalva: Quando os lounges estão muito cheios, o acesso aos membros do Priority Pass pode ser recusado.

Premium Credit Cards
Adequados a viajantes frequentes.
Existem cartões de crédito que oferecem vantagens nesta área. Por exemplo o American Express Platinium Card oferece um acesso equiparado ao Priority Pass Prestige.
Muitas companhias aéreas oferecem o seu próprio cartão de crédito que garante o acesso.

Annual Airline Lounge Passes
Adequados a viajantes leais a uma companhia, mas que ainda não atingiram o status de elite.
Os passes das companhias garantem acesso aos lounges da companhia e dos seus parceiros e geralmente têm um custo entre 310€ e 440€.

LOUNGES DE AEROPORTO POR COMPANHIA AÉREA


Ao voar como passageiro premium, tem acesso gratuito e exclusivo aos lounges para relaxar antes do seu voo. Um refúgio perfeito, onde pode descansar ou trabalhar enquanto espera. Tire partido do conforto máximo e siga viagem com as baterias recarregadas.
O acesso aos lounges é gratuito para quem viaja em executiva ou membros da Star Alliance Gold ou TAP Gold, para os restantes passageiros o acesso é pago.

Quem viaja com a Emirates ou com a Qantas pode usufruir de até 4 horas de acesso pago aos lounges da companhia no Dubai ou no resto do mundo. Os membros do Emirates Skywards beneficiam de redução nas tarifas.
No Dubai conforme o lounge os preços de acesso para membros variam entre os 45 e os 185€, para quem não é membro os valores variam entre 60 e 230€. O acesso do passageiro é gratuito para membros Silver, Gold ou Platinium ou passageiros que viajam em Business ou 1ª Classe.
Para os lounges fora do Dubai o preço do acesso é cerca de 88€, o acesso do passageiro é gratuito para membros Gold ou Platinium ou passageiros que viajam em Business ou 1ª Classe.  

O acesso aos lounges é determinado pela classe de reserva do bilhete ou pelos privilégios do cartão de cliente.
Só os portadores de bilhete 1ª classe Lufthansa e Swiss ou cartão Miles&More HON Circle Member têm acesso a todos os lounges da Lufthansa. Os passageiros com bilhete 1ª classe Star Alliance ou Cartão Miles&More Senator ou Cartão Star Alliance Gold têm acesso ao Senator Lounge, ao Business Lounge e ao Welcome Lounge. Os passageiros com bilhete Business Class Lufthansa ou Star Alliance ou cartão Miles&More Frequent Traveller têm acesso ao Business Lounge e ao Welcome Lounge.
Os passageiros com bilhete Lufthansa Premium Economy, nos aeroportos da Alemanha, EUA e Paris Charles de Gaulle, podem aceder ao Business Lounge e ao Welcome Lounge, mediante aquisição de um voucher no balcão de bilhetes da Lufthansa. O valor de acesso aos Business Lounges é, neste momento, de 25€ na Europa e 35USD nos EUA para adultos, e de 15€ para crianças dos 2 aos 12 anos na Europa. O acesso ao Lufthansa Welcome Lounge em Frankfurt custa 50€ para adultos e 35€ para crianças dos 2 aos 12 anos.
Para ter acesso ao Lounge Star Alliance Partner First Class é necessário ser portador de Bilhete 1ªClasse Lufthansa ou Star Alliance. Para aceder ao Star Alliance Partner Business Lounge é necessário Bilhete 1ªClasse ou Business Lufthansa ou Star Alliance ou cartão Miles&More HON Circle Member ou Senator ou Cartão Star Alliance Gold
Em alguns destinos a Lufthansa oferece um lounge contratado. Têm acesso aos lounges contratados os passageiros First Class e Business Class, bem como HON Circle Member, Senator e Star Gold. O acesso só é possível em combinação com um cartão de embarque válido para um voo operado pela Lufthansa com partida no mesmo dia.
Os passageiros que voam com a Eurowings e que reservaram com a tarifa SMART ou BEST e com cartão Miles&More HON Circle Member ou Senator, têm acesso aos Lufthansa Senator e Business Lounges no dia da partida. Os passageiros que reservaram com a tarifa SMART e com cartão Miles&More Frequent Traveller, têm acesso aos Lufthansa Business Lounges no dia da partida.  Os passageiros que reservaram com a tarifa BEST têm acesso aos Lufthansa Business Lounges no dia da partida. Os passageiros que possuem cartão Star Alliance Gold têm acesso aos Senator e Business Lounges da Lufthansa apenas se forem clientes das companhias aéreas United Airlines (UA) e All Nippon Airways (NH).

Os clientes pertencentes ao programa Iberia Plus com cartão Infinita Prime, Infinita, Platino ou Oro e com cartão de embarque válido num voo operado pela Vueling, Grupo Iberia ou oneworld, tem acesso aos lounges da Iberia, assim como os passageiros que viajam em Business Plus ou Class e os passageiros pertencentes à oneworld com cartão Emerald ou Sapphire.

A BA dispõe de 30 lounges próprios e mais de 100 lounges de parceiros espalhados no mundo inteiro. O acesso é gratuito para passageiros que tenham bilhetes na 1ª classes, executiva (Club World) ou executiva (Club Europe), para membros Silver ou Gold* do British Airways Executive Club num voo agendado e operado pela British Airways ou por um dos nossos parceiros da oneworld® e para membros Emerald ou Sapphire* ou de outro programa de passageiro frequente da oneworld num voo operado pela British Airways ou por um dos seus parceiros da oneworld.

Lounges Air France / KLM
Acesso gratuito para passageiros com cartão Flying Blue Platinum, Flying Blue Gold, e SkyTeam Elite Plus e para passageiros que viajem em 1ª classe ou Business com as companhias Air France, KLM ou SkyTeam. Para os restantes passageiros o acesso é pago e o preço varia entre os 25 e os 45€, em função do aeroporto.

Os Lounges da Cathay Pacific e Cathay Dragon estão disponíveis para passageiros que viajam em 1ª Classe ou Business, membros do The Marco Polo Club e membros da oneworld.
Os passageiros que viajam em 1ªclasse podem aceder, com um convidado, ao First Class Lounge e ao Business Class Lounge e os passageiros que viajam em Business têm acesso ao Business Class Lounge.
Os membros Diamond do Marco Polo Club que viajem com a Cathay Pacific, Cathay Dragon ou oneworld podem aceder, com 2 convidados, ao First Class Lounge e ao Business Class Lounge, os membros Gold que viajem com a Cathay Pacific, Cathay Dragon ou oneworld podem aceder, com um convidado, ao Business Class Lounge e os membros Silver que viajem com a Cathay Pacific ou Cathay Dragon podem aceder ao Business Class Lounge.
Os Emerald members do oneworld frequent flyers que viajem com a Cathay Pacific, Cathay Dragon ou oneworld podem aceder, com um convidado, ao First Class Lounge e ao Business Class Lounge e os membros Sapphire que viajem com a Cathay Pacific, Cathay Dragon ou oneworld podem aceder, com um convidado, ao Business Class Lounge.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Os melhores destinos de férias em Novembro

Em breve os destinos de férias vão encher-se de viajantes à procura de aproveitar mais um pouco a pausa das férias de Natal. Se consegue trocar as voltas às datas mais concorridas, aproveite para se antecipar.

Para ajudar, dizemos-lhe quais os melhores destinos em Novembro, segundo o USA Today.

As sugestões são muito viradas para o mercado americano mas, de qualquer forma, vale a pena explorar estas ideias.

Dance em Buenos Aires

Estamos em plena Primavera em Buenos Aires. Esta cidade cosmopolita faz lembrar uma capital europeia, mas com detalhes que são só seus. Como o Tango, essa dança sensual e envolvente, que pode ver em salas de espectáculos dedicadas ou até mesmo na rua. Se gostar de um pouco mais de aventura, saia da cidade e explore a Argentina, que tanto tem para conhecer.

Photo by Dolo Iglesias on Unsplash

Faça trails no Grand Canyon

Nesta altura do ano não há multidões e o clima é ameno. Vale por isso a pena ir ver esta maravilha natural e aproveitar para percorrer os trails da zona.

Photo by Alan Carrillo on Unsplash

Viaje no tempo em Charleston

Um regresso ao passado, com visitas a casas históricas e passeios em carruagens puxadas por cavalos. Entre os dias 8 e 11 de Novembro, acontece o Festival Literário de Charleston.

Photo by Erika Lanpher on Unsplash

Navegue na Noruega

Uma das melhores formas de conhecer a Noruega é... vendo-a de um cruzeiro. Desça a costa norueguesa e deslumbre-se com os fiordes e a aurora bolear. Em cada paragem, pode apreciar a vida selvagem e visitar as pequenas cidades costeiras que ainda vivem da sua actividade principal: a pesca.
Photo by John O'Nolan on Unsplash

Desça rios na Europa

Os cruzeiros de rios como o Danúbio, o Reno e o Sena permitem apreciar a viagem ao longo do rio, sem pressas. Nesta altura do ano, viajantes e locais apreciam estes programas lado a lado. Se passar pela Alemanha, não deixe de provar o vinho quente, servido em todos os mercados de Natal.


Photo by Tudor Stanica on Unsplash
E falando em férias de Natal e final de ano, já viu as nossas sugestões para uma passagem de ano em terras americanas?

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Hotéis de design que nos fazem sonhar

Os hotéis de design têm vindo a desafiar a conformidade e a tornarem-se destinos-museu. Mais do que um local para pernoitar, são um espaço para descobrir e para deslumbrar. E muitos fazem da descoberta destes espaços, o objectivo das suas viagens.

A Suitcase foi à procura dos melhores exemplares de design, de variados estilos, e fez o seu Top10


Os países nórdicos, claro, marcam uma forte presença, ou não fizessem do design parte integrante do seu ADN.

Alexandra, Copenhaga, Dinamarca

Este é um dos exemplos de hotel-museu. Cada objecto foi cuidadosamente pensado e colocado num determinado espaço, com o objectivo de atingir a beleza. Christian Louboutin elegeu este hotel como a sua casa em Copenhaga, dando-lhe o seu selo de aprovação. Não que este hotel precisasse, na realidade.



Elma Arts Complex, Tel Aviv, Israel

Este hotel é o destino de eleição para os amantes da nudez do cimento. Inspirado no design, cru e geométrico, israelita dos anos 60, emerge em formas que criam a ilusão de estar a flutuar por cima do Mar Mediterrâneo. Muito mais do que um hotel, alberga duas salas de concertos e galerias de arte, tornando-o um centro cultural que atrai artistas de todas as áreas.



Svart, Círculo Polar Árctico, Noruega

Um projecto ecológico, este hotel irá produzir mais energia renovável no seu tempo de vida do que a que despende com o seu funcionamento. Isto será conseguido graças aos enormes painéis solares que absorvem a luz dos longos dias de verão. Mas não é só ecológico em termos energéticos. Protege a fauna e flora locais através de um design engenhoso, baseado em postes, que o colocam em cima da água. A envolvente em vidro irá garantir uma visão privilegiada dos glaciares em volta... e da aurora boreal. Isto quando abrir, pois a inauguração está marcada para 2021.


Claska, Tóquio, Japão

Este hotel assume-se como um destino zen no meio da azáfama sonora e luminosa das ruas de Tóquio. Todo o edifício é uma ode à criatividade, com um estúdio luminoso e um deck com vista sobre o Monte Fuji. Situado no distrito chique de Meguro Dori, tem uma frota de bicicletas que convida os seus hóspedes a descobrir a cidade sobre duas rodas.


Hotel Marqués de Riscal, La Rioja, Espanha

Do mesmo arquitecto do Guggenheim, em Bilbao, é fácil descobrir as semelhanças. Esta construção radical, em titânio, marca um fortíssimo contraste com a região vinícola onde se situa. No entanto, esta obra presta precisamente uma homenagem às vinhas, com as placas em rosa a simbolizar o vinho tinto e as placas douradas, o vinho branco. Não é certo se esta visão é grotesca ou uma jóia. Mas não passa despercebida.


Encuentro Guadalupe, Ensenada, México

Estas cabines destinadas a glamping (campismo com um toque de luxo) fundem-se na paisagem montanhosa e vinícola. Com quartos em branco puro e casas-de-banho pretas, estas cabines oferecem as comodidades de um hotel de cidade, aliadas a uma vista deslumbrante sobre o Vale de Guadalupe.


L'Hotel, Marrakech, Marrocos

Este hotel recria o ambiente de uma riad, de forma fabulosa. Tem somente cinco suites, oferecendo uma experiência familiar repleta de glamour dos anos 30. As camas, rodeadas de tecido leve e ondulante, fá-lo-ão sentir-se um sultão. E beber um simples chá de menta nos seus terraços, ao pôr do sol, será decerto uma experiência memorável.


The Krane, Nordhavn, Dinamarca

Denominado O Guindaste, este hotel resulta de um projecto de requalificação do porto de Nordhavn. Aproveitando um guindaste industrial de extracção de carvão, destina-se agora a alojar elegantemente duas pessoas, numa experiência industrial-chic.


Mar Adentro, Los Cabo, México

A visão para este hotel era simples - fundir as estruturas com o horizonte azul-cobalto. Todos os quartos são virados para o oceano, e a água tem um papel central, com as enormes piscinas refletoras.


The Drifter, Nova Orleães, EUA

Situado num antigo motel americano, é uma homenagem à individualidade. Procura aproximar os viajantes que lá ficam com os locais que residem nesta cidade frenética. Festas na piscina e lojas pop-up de artistas locais acontecem sob as bolas de espelhos retro.


Cada um ao seu estilo, não será difícil encontrar o que vai ao encontro dos seus valores ou estética. E depois de visitar esses, rume aos que lhe causam desconforto visual e desfrute também dessa experiência.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

O que levar na bagagem - a lista dos especialistas em viagens

À medida que se viaja cada vez mais, vai-se levando cada vez menos ítens. Ou, pelo menos, distinguindo o que realmente faz falta do que é supérfluo. Claro que cada viajante terá a sua lista de objetos essenciais em viagem, que também dependem do destino. A Travel+Leisure já perguntou aos seus editores e até a celebridades. Desta vez, pediu a consultores de viagens o que levam na bagagem, quando eles mesmos viajam.

O resultado: uma lista com 38 objectos imprescindíveis (e alguns geniais) para viajar, de acordo com os melhores consultores de viagens.

Photo by STIL on Unsplash


  • Auscultadores Bluetooth impermeáveis
  • Vestido à prova de rugas
  • Lenço com bolsa escondida
  • Bolsa para passaporte
  • Saco para ítens molhados, à prova de água
  • Relógio fitness
  • Trolley com carregador
  • Bolsa organizadora de eletrónica
  • Kit de viagem de artigos de higiene
  • Pastilhas de melatonina
  • Mochila empacotável
  • Auscultadores bloqueadores de ruído
  • Garrafa de água com filtro
  • Chinelos leves de viagem
  • Faixas de exercício
  • Kit de viagem de óleos essenciais
  • Tampões de ouvidos moldáveis
  • Mochila impermeável
  • Carregador portátil impermeável
  • Trolley expansível
  • Lenço de grande dimensão
  • Saco protetor de garrafas
  • Garrafa de água dobrável
  • Sabrinas
  • Balança de bagagem
  • Sacos de arrumação a vácuo
  • Creme hidratante
  • Capa para carregamento para telemóvel
  • Almofada de viagem
  • Máscara de viagem
  • Bálsamo anti-inchaço para olhos
  • Lenço de caxemira
  • Adaptador universal de viagem
  • Protetor solar SPF30
  • Tampões para ouvidos redutores de pressão
  • Ténis confortáveis
  • Bolsa para telemóvel impermeável

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Novo comboio de alta velocidade liga Hong Kong a muitas cidades na China

O novo comboio de alta velocidade iniciou a sua operação no dia 24 de Setembro 2018 e é, sem dúvida, um meio rápido, confortável e muito conveniente. 

Permite fazer a ligação de comboio entre Hong Kong e a China


Para Guangzhou (Cantão)


A duração desta viagem é de, apenas, 45 minutos desde Hong Kong até ao centro da cidade. Existem 34 comboios a fazer esta travessia diariamente. O bilhete custa desde 60 USD por pessoa por cada viagem.

Para Shenzhen

Existem 66 comboios por dia e cada bilhete custa desde USD 20 por pessoa e por trajecto.

Para Beijing (Pequim)


Este comboio sai de Hong Kong às 08:05 e chega a Beijing às 17:01 do mesmo dia. O preço do bilhete de comboio vai desde USD 220 por pessoa por cada trajecto.

Para Shanghai


Este comboio sai de Hong Kong às 11:10 e chega a Shanghai às 19:27 do mesmo dia. O preço do bilhete de comboio vai desde USD 210 por pessoa e por trajecto.

O mais recente comboio de alta velocidade liga ainda Hong Kong a outras cidades chinesas, tais como:
  • Kunming
  • Fuzhou
  • Xiamen
  • Changsha
  • Wuhan e outras


Os horários e preços estão sujeitos a confirmação e a serem alterados pela “China Railway Corporation”, sem aviso prévio e caso seja necessário.

Acreditamos que este novo meio de transporte vai ajudar a dar “um saltinho” à China à partida de Hong Kong!

Fonte: Transportes e Negócios

Descobrir Copenhaga num fim-de-semana

Viajar ao fim-de-semana para destinos próximos é uma óptima forma de quebrar a rotina e não deixar que se instale a nostalgia até às próximas férias. A Suitcase sugere uma passagem por Copenhaga, numa espécie de roteiro de 3 dias numa das cidades mais tranquilas e bonitas do norte da Europa.

Em Copenhaga, tudo é belo


As ruas, os cafés e restaurantes, a iluminação, a roupa, as pessoas. Tudo respira simplicidade e felicidade. Pelo menos é o que dizem os estudos, que apontam os dinamarqueses como o povo mais feliz do Mundo. É o Hygge, dizem. Nós dizemos que é esta prática do aconchego, do viver a casa entre família e amigos, sempre com um bolo e chávenas de chá fumegantes na mesa.

Uma boa forma de conhecer a cidade é percorrê-la como os locais - de bicicleta


No entanto, é uma cidade plana e pequena, pelo que andar a pé é uma boa alternativa.

6ª feira

Jante no Meatpacking District, Kødbyen. Esta zona desenvolveu a sua oferta de restaurantes e vida noturna, por incentivo da Câmara, que decidiu aproveitar os seus armazéns na área. Pode conhecer o Gorilla, experienciando o menu de 10 pratos de cozinha mediterrânica ou o Cofoco, que explora a cozinha nórdica de nova geração. Encerre a noite no parque de diversões Tivoli. À partida poderá soar um programa desinteressante, mas o Tivoli tem muito para oferecer. Jardins, salas de espetáculo e teatros, com uma série de opções, para todos os interesses.



Photo by Ethan Hu on Unsplash


Sábado

Comece o dia com um café e um bolo de canela, à maneira nórdica. A seguir passeie pela zona do porto, com as suas casinhas coloridas e barcos ancorados, na imagem mais cliché (e imperdível) de Copenhaga. Nesta zona viveram muitos artistas, como Hans Christian Andersen, autor de contos infantis como "O patinho feio" ou "A pequena sereia". Aqui encontra a Royal Danish Playhouse, a mais impressionante sala de espectáculo da cidade, onde decorrem peças de ballet, ópera ou orquestra. Percorra o caminho ao longo do porto até Langelinie, passando pela casa da família real e pela estátua alusiva à Pequena Sereia. Não desanime perante a dimensão da estátua - apesar de pequena, resistiu aos anos, vandalismo e às hordas de turistas, e continua a ser um marco da cidade.


Photo by Nick Karvounis on Unsplash

Passeie pelos jardins botânicos, explorando as suas estufas antigas e o autêntico museu ao ar livre. Perca-se em Torvehallerne, um mercado local labiríntico, que oferece verduras, comida gourmet e café. Pode aproveitar para comer por aqui; há muitas opções por um valor relativamente baixo (para os padrões nórdicos, é claro). Aproveite ainda para conhecer o mais antigo bar da cidade, aberto desde a altura da 1ª Grande Guerra, Bo-bi bar. No entanto, só o faça se o fumo não o incomodar, porque os fumadores aqui são (muito) bem-vindos. Se passar por este detalhe, beba uma cerveja como uma personagem de um filme negro dos anos 50.

Domingo

Em Copenhaga, domingo rima com brunch. The Union Kitchen é uma excelente opção para tal, oferecendo também outras alternativas igualmente deliciosas, acompanhadas de um Bloody Mary.


Photo by Nick Karvounis on Unsplash


Se lhe apetecer sair um pouco da cidade, apanhe o comboio para norte e vá até à costa, onde pode ver a Suécia de longe. A 35 kms da cidade, encontra o Louisiana Museum of Modern Art, o museu de arte moderna com peças de artistas de todo o Mundo. Além do museu em si, oferece um passeio ao longo do seu parque de esculturas, junto à costa, com mais de 60 exemplares. De volta à cidade, visite Freetown Christiania, uma espécie de cidade dentro da cidade. Com leis próprias, é uma comunidade anarquista, onde não é possível, por exemplo, comprar uma casa. Aqui encontra uma diversidade cultural ímpar, com arte urbana, cafés de comida orgânica, bares e eventos de todo o tipo.


Haverá certamente muito mais a fazer em Copenhaga, mas o fim-de-semana é curto


Fica certamente a vontade de voltar, com mais tempo para explorar melhor a cidade da felicidade.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Reviver a viagem de comboio em modo glamour

Viajar de comboio tem uma aura de romance e nostalgia que nenhum outro transporte nos provoca. Pode não ser tão rápido como o avião ou tão flexível como o carro. Mas quando o objectivo é a viagem e não a chegada, isso pouco importa. Por isso hoje, inspirados pela partilha da Suitcase, trazemos seis viagens de comboio a partir de Londres.
Photo by Kane Reinholdtsen on Unsplash

1. Para Fort William no Caledonian Sleeper

Todos os sábados à noite, este comboio parte de Londres em direção às Terras Altas na Escócia. Jante comida inglesa a sério - haggis e tatties (uma espécie de pudim de carne com estufado de batatas) - no vagão-restaurante. A noite passa-se embalada com o movimento do comboio e no aconchego da cama da carruagem. De manhã, o pequeno-almoço é típico inglês, enquanto se assiste à alvorada já em pleno parque natural, enquanto os veados acordam.

2. Para Amsterdão no Eurostar

Duas vezes por dia, este comboio leva os aficcionados pela ferrovia à capital das bicicletas e das tulipas em apenas 3 horas e meia. Aqui pode optar por conhecer novidades da cidade. Como o The Avocado Show, uma ode ao abacate, para os fãs e curiosos.

3. Para Antuérpia

Tem mesmo de ver a estação de comboio considerada por muitos como a mais bonita do Mundo. Esta metrópole reinventou-se e estabeleceu-se como uma capital pujante e moderna. Perca-se nas ruas com estilos de art nouveau e street art misturados. E, claro, não pode faltar uma cerveja bem fresca, ou não fosse a Bélgica o país onde esta bebida custa menos que a água.

4. Para Roma

Roma é sempre uma boa ideia. Esta capital cheia de vida, cheiros e condutores loucos, faz-nos sentir vivos. Perca-se na cidade e na comida, e prove tudo de olhos fechados. E quando achar que já não consegue comer mais nada, é tempo de um gelado.

5. Para Veneza

Esta viagem de 36h precisa de mais do que um fim-de-semana. Mas a ideia não é conhecer Veneza. É mesmo desfrutar da viagem a bordo do Expresso do Oriente, um dos comboios mais luxuoso do Mundo. Quem sabe não vive um enredo digno de Agatha Christie?

6. Para Avignon

Vá até à cidade papal e aproveite a viagem por entre vinhas e colinas verdejantes. À chegada, faça um picnic numa das praças e não deixe de provar a deliciosa sobremesa de chocolate com licor de oregãos. A viagem de volta até vai ser (ainda) mais tranquila. E se gostar mesmo desta experiência, sugerimos The Journey - The fine art of traveling by train, com muitas mais sugestões para sonhar a viajar de comboio. Ou, porque não, inspirar a próxima viagem?

terça-feira, 16 de outubro de 2018

A Raquel foi à Austrália. E conta-nos tudo! - Última parte

A Raquel é uma das viajantes por detrás da TravelTailors. O seu desejo de conhecer o Mundo despertou e nunca mais parou. E é esse desejo que também fez nascer a TravelTailors. Mas isso será uma história para outro dia.

Hoje voltamos a falar da Austrália pelos olhos da Raquel. E com as palavras dela.

Pode ver o que a Raquel andou a fazer na 1ª semana e na 2ª semana.

A última semana na Austrália

Dia 14 - Palm Cove, Floresta tropical
Estamos o mais a norte que iremos nesta viagem (em terra firme). O voo sobre os corais e o mar azul foi deveras bonito, a temperatura da chegada era boa (27ºC), o carro é quase igual ao que o João tem (da mesma marca e modelo), a pequena estância de veraneio onde estamos (Palm Cove) tem a dimensão certa, é muito calminha e o apartamento onde estamos é bastante simpático. É muito interessante ver floresta tropical por todo o lado, mas a temperatura não estar muito alta, não haver humidade nem mosquitos! Os trópicos civilizados têm bastantes vantagens. Haver relvados enormes juncados de cangurus a pastar também tem muita graça! Por outro lado...esteve uma ventania desgraçada (outra vez), a praia que deveria ser paradisíaca passou o dia a tentar competir com as ondas da Nazaré e o mar está turvo de tanta agitação. Para mais, os cartazes no areal dizem que apesar de no Inverno haver menor probabilidade de crocodilos de água salgada e de alforrecas, eles podem aparecer na mesma, pelo que há que ter cautela em querendo ir a banhos. Ora, se esta gente no Verão tem tamanha bicharada e no Inverno tem esta ventania, não é de a pessoa se pôr a suspirar pela Arrábida? Apesar do clima destrambelhado, sentimo-nos de férias, estamos sossegados e saudáveis e vamos gozar estes últimos dias por cá com tal sentimento.




Dia 15 - Port Douglas, Florestas tropicais

Passámos um dia muito bom a descobrir a zona a norte da nossa, com as suas belas praias desertas (com avisos de crocodilos...), o requinte da estância de Port Douglas, as florestas tropicais de Mossman e Daintree, com os seus postos interpretativos e os seus trilhos muito bem preparados.



A temperatura esteve agradável, embora o vento tenha persistido na zona costeira.
Não havendo banhos de mar, houve banhos de clorofila, que foram muito bons. E até comemos a melhor refeição fora de casa em terras australianas, num pub de uma terra remota, que mais parecia um saloon do faroeste. Foi barato, bom, abundante e cheio de vegetais (coisa incrível). E amanhã teremos o nosso último dia completo por cá. Está a ser um bom fecho!



Dia 16 - Mergulho e a despedida



O importante é nunca desistir. E se não há peixes à primeira, há-os à segunda! E se não os há nos maiores recifes fora da costa, há-os numa ilhota pequenina perto da costa: Green Island. E até veio de bónus uma linda tartaruga ao lado da qual estive a nadar uns minutos.



Hoje o vento deu tréguas e aproveitámos logo para rematar a parte marítima da questão australiana.
Foi um dia relaxante e bem passado! Amanhã lá iremos de regresso.



terça-feira, 9 de outubro de 2018

A Raquel foi à Austrália. E conta-nos tudo! - Parte 2

A Raquel há muito que queria ir à Austrália e já começámos a contar a fantástica viagem de descoberta que fez. A Raquel é uma das viajantes por detrás da Travel Tailors. O seu desejo de conhecer o Mundo despertou e nunca mais parou. E é esse desejo que também fez nascer a Travel Tailors. Mas isso será uma história para outro dia.

Hoje voltamos a falar da Austrália pelos olhos da Raquel. E com as palavras dela.

A semana do meio na Austrália

Dia 6 - Cradle Mountain - Freycinet


Para hoje previa-se neve na montanha. Não chegámos a vê-la. Para leste, a paisagem adoçou-se em planícies cultivadas, até Launceston, a capital do Norte (com interesse, ruas antigas e gente sem frio nas ruas onde chovia) e, ao lado, Everton (muito gabada nos guias, não percebemos porquê, mas comemos num pub acolhedor com ar antigo, sendo que os menus de peixe e não só recaem invariavelmente nos fritos). Antes de cair o sol, caminhámos na praia assim que chegámos à baía de Freycinet, apreciando o frio e o sol muito baixo e fulvo que tudo requintava. O resort era fino, mas estava em obras barulhentas que só se calaram depois do pôr-do-sol, a cabine "simples" de madeira tinha presunção mas não tinha vista e, talvez por causa disso também (e do menu com pratos a mais de 30 Euros), fomos comprar mexilhões ao natural e sopas de juntar água a ferver ao supermercado, mais uma tarte de maçã caseira que mereceu todos os elogios que o lojista lhes dirigiu, com um vinho local nada barato mas um nome bonito, e foi este o jantar ao nosso gosto e que nos satisfez perfeitamente.

Dia 7 - Freycinet - Hobart


Acordámos antes do raiar do dia para ir ver o sol do miradouro. Que sorte de dia, com tanto sol! O cruzeiro na baía de Freycinet pareceu quase estival. As pessoas eram sossegadas e o avistamento de diferentes aves, focas, golfinhos, para além dos originais penhascos de granito que emolduravam as falésias, e a água cor de Arrábida, foi agraciamento de turista em dia afortunado. Não havia generosidades de serviço (nem uma água ou chá eram oferecidos, e aquilo a que chamaram almoço media-se por cova de dente de leite), falava-se demais, sem pensar nos estrangeiros, sem completar o parlapié com apoio escrito que muito teria ajudado à compreensão, mas os olhos saborearam muito. Hobart sugava gente pelo rio, pelas pontes. Chegámos após o crepúsculo. Lá fora todos se recolhiam, e nós fizemos o mesmo.

Dia 8 - Hobart - Sydney


Saímos cedo e a gravidade escura da Praça de Salamanca, usada em contra-senso com fins de folia, ainda só tinha trabalho de bastidores, como cargas e descargas. Chuviscava, por vezes chovia mesmo. Pensei nesta como numa cidade dinamarquesa cujo nome já não recordo, compacta, com o seu comércio suficientemente variado mas sem nada de marcante, pessoas não muito alegres, um ou outro apontamento de irreverência na arte urbana. As ruas do centro tinham as suas lojas, as suas arcadas, uma ou outra originalidade. A zona portuária transbordava de história contada e tácita, narrada e adivinhada, de quem aqui desembarcara proscrito. The Battery tinha moradias adoravelmente guarnecidas com um conforto discreto que se entrevia pelas janelas e os seus jardins, cuja riqueza falava exclusivamente através da decência do seu cuidado. Antes de partirmos do aeroporto, caminhámos ainda longamente no areal de Nine Mile Wave, onde reformados e cães esticavam as pernas na imensidão serena da praia de inverno, juncada de conchas de vieiras perfeitas. Uma onda comprida, regular e pequena caía com um estrépito desproporcional ao seu pequeno tamanho. Daí a um par de horas, Sydney iria sacudir-nos com a sua muita, muita gente apressada, os seus arranha-céus autoconfiantes, alguns bonitos edifícios de antanho isolados na vertigem do progresso. Aqui havia muito mais caras de diferentes etnias, ouvidos melhor treinados para sotaques forâneos, o fascínio e a contradição de uma metrópole enorme e carismática. Outra dimensão, em tudo.

Dia 9 - Sydney


O nosso condutor parecia apreensivo com os horários. Inicialmente circunspecto, o Sr. Graham revelaria virtudes: uma fala pausada, com uma pronúncia acessível ao ouvido mais duro de qualquer estrangeiro minimamente familiarizado com o inglês; um humor fino e inesperado; e um conhecimento valioso para o ignorante. Foi assim a nossa confortável visita guiada da manhã a Sydney, passando pelos pontos célebres além-mares e também por outros puramente desconhecidos do nosso lado (como a roulotte famosa, a zona dos vícios, os penhascos dos suicidas e a história do homem que salvou mais de 160 vidas ao convidar para conversar pela noite fora, na sua casa ali ao lado, quem deu mostras das suas intenções nefastas). A visita terminou em Darling Harbour, onde passeámos um pouco antes de ir almoçar com o meu parceiro australiano. Foi muito interessante conhecer o escritório e algumas pessoas com quem me correspondi em fuso horário diagonalmente oposto durante anos. O David foi uma boa companhia de almoço e tinha um cérebro notavelmente organizado, porque pouco tempo depois da visita mandou-me um email cobrindo todas as questões que tinham sido abordadas na conversa. De tarde fomos explorar as zonas que ainda não conhecíamos - nomeadamente Chinatown e os jardins envolventes do Jardim Chinês da Amizade. Comemos gelados e andámos, andámos. À noite fomos à ópera ver a Aida (a uma cliente que me pediu a reserva para si mesma o devo). Só pela sala, a experiência já seria especial. Mas a produção surpreendeu-me muito, de tão sofisticada (cruzando a excelência musical da orquestra, a acústica inigualável, a qualidade dos cantores, a opulência do guarda-roupa e o arrojo das projecções de vídeo que faziam o cenário transcender-se). Eu tenho as minhas manias elitistas, mas estou muito longe de conseguir identificar de uma ópera mais que as árias dos best-of. Pois posso dizer que cada minuto foi arrebatador, sem uma fresta de tédio ou distracção. A contralto tinha muita presença, o tenor tinha uma voz claríssima, o baixo era de respeito. A Aida em si estava representada por uma soprano cristalina, mas tão gorda e inexpressiva que resultava menos convincente do que se desejaria. Mas o conjunto foi tão espectacular que sinceramente digo que me lembrou o Carnaval do Rio em intensidade de estímulos sensoriais. Quando digo que nunca me sairá da memória não estou a usar de lugar-comum: foi um dos momentos musicais mais marcantes da minha vida.

Dia 10 - Sydney - Blue Mountains - Sydney


Apanharam-nos ainda nem 7h eram, para se escapar ao trânsito. Hoje fizemos uma visita de turistas a zonas de turistas, com muito tempo no autocarro e pouco nos miradouros. Mas valeu por duas coisas: a paragem numa quinta pedagógica, que tinha koalas, wallabies, cangurus de duas espécies, um camelo, um burro, e animais "normais" de quinta, onde me derreti a cair na esparrela de fazer festas e alimentar os bichos. Sim, custa vê-los fora do ambiente natural em liberdade, mas sim, sabe muito bem sentir-lhes o pelinho macio. Que se há-de fazer? A segunda coisa muito boa foi a impressão de as paisagens serem mais bonitas do que havia imaginado: as Três Irmãs, Govetts Leap, o Jardim Botânico, foram por mim descritos 8 anos a fio em programas de clientes, sempre com a secreta sensação de que seriam pequenos embustes. Mas não, são paisagens grandes e belas, que apenas mereciam dias vagueantes por ali, sem pressas, para se entranharem devidamente na memória.



Dia 11 - Sydney


Sábado na cidade - e um amanhecer quente e sossegado. Impusemo-nos poucas coisas, neste dia propositadamente deixado livre. Visitar um mercado de frescos em Chinatown, primeiro. Ainda mal estava a ser montado. Apanhar o ferry até Manly, depois. Não tínhamos pressa: fizemos a pé o trajecto até Circular Quay, olhando melhor para as ruas, formando as suas palavras cruzadas entre arranha-céus, restos novecentistas e obras infatigáveis. Passámos por Rocks, esse bairro que era de estivadores e agora é de ricos de pendor boémio. Havia um mercadinho, precisamente, para ricos boémios e turistas aspirantes a boémios. Depois, escolhemos o ferry mais lento e vimos Sydney do friso lateral, ao ar livre, espreguiçar-se debaixo do sol. Manly é o que pode combinar-se entre o Barreiro, a Costa da Caparica, o Estoril e Matosinhos, atraindo surfistas e passeantes de um lado, gente bem-vestida a almoçar do outro e até uma pequena reserva natural onde acorrem pequenos pinguins em clima adequado (é que hoje, a meio do Inverno, estiveram 25ºC) e onde locais e visitantes podem caminhar à beira de um mar inexplicavelmente turquesa-mediterrânico sobre uns passadiços de madeira. Fomos provavelmente os únicos a almoçar grelhados no restaurante e, arriscarei mesmo dizer, num raio de muitos restaurantes. Os fritos imperam por todo o lado, de uma forma tenebrosa. Há famílias inteiras de gordos a devorar fritos, gente com ar fino a comer delicadamente fritos, fritos por todo o lado, desde as mimosas vieiras aos pujantes filetes de peixe, o panado e o frito tudo mascaram. O acompanhamento universal são as batatas - fritas, sempre fritas. Mas hoje conseguimos fugir à sina. Para entrada comemos meia-dúzia de ostras, irrepreensíveis e menos salgadas do que as nossas. Depois, umas amostras de vieiras, uns camarões grelhados e um barramundi grelhadinho sem enfeites - muito bons. Regressando à cidade, já bem mais cheia de gente por esta hora, subimos os Jardins Botânicos para ir ver a Galeria de Artes. Visitar um museu civilizado e heteróclito como este é um dever cultural que se cumpre sem esforço. A arte aborígene era especialmente interessante, mas também havia pintura e escultura de europeus famosos, bem como as inspirações dos seus homólogos australianos. Para o fim do dia, houve projecções de motivos aborígenes, numa animação abstracta que se repete a cada pôr-do-sol, no lado este da Ópera. Passámos no supermercado para comprar o jantar e constatámos que a carne de vaca era bem mais barata que a de porco. Conseguimos que nos emprestassem um saleiro na recepção dos apartamentos. E o dia findou digno de uma grande cidade em despedida, com um cansaço de sentidos cheios e uma lassidão pensativa sobre os ritmos dos mundos.





Dia 12 - Sydney - Hamilton Island


Em Sydney, as pessoas são diferentes. Metem-se mais connosco, fazem piadas, conversam - do nada. Estão mais perto do estereótipo do australiano porreiraço. Eu encaro quem

adaptar em prol do outro, a auto-confiança (mas sem a elegância britânica) e o
fui conhecendo deste povo como um meio-termo impreciso entre a fisionomia inglesa, o seu amor à autoridade e às regras, a rigidez derivada da falta de vontade de se pragmatismo americano, o mesmo tipo urbanístico, a capacidade de tagarelar, a hipérbole e o histrionismo (mas sem tanta informalidade). Hamilton Island é vendida, em Portugal, com aura de paraíso. Com efeito, a aterragem mostra uma paisagem encantadora de ilhas completamente florestadas, sobre um mar do qual se vê os corais à transparência, mesmo do ar. Em termos cénicos, é difícil de ultrapassar.

Mas, em termos endógenos, as primeiras horas das minhas impressões mostraram-me uma construção, não diria densa, mas bastante presente; um uso em quantidade absurda de carrinhos de golfe, quais zangões apatetados, para as deslocações internas, cujos trajectos recaem, na esmagadora maioria, no intervalo dos 5 a 10 minutos a pé; um hotel mastodôntico e datado, falho de um conjunto de pormenores que lhe mereceriam a categoria e o preço (se os casais que para aqui mandei em lua-de-mel não me insultaram, isso diz melhor da natureza humana do que eu poderia supor); uma maré baixa à hora da minha chegada, deixando a descoberto um lençol de areia que mais parecia as praias inglesas na descrição nada abonatória do Magueijo (e não vou citar o seu vernáculo); uma água friazinha para a zona que é (bem sei que estamos no Inverno mas, que diabos, são os trópicos); uma grande abundância de raias de perigosidade por atestar, mas de porte respeitável por si só, a atapetar a zona de snorkelling; gente por todo o lado (saberão eles que é Inverno?) e da espécie que se vê no Algarve (pelo menos do que eu me lembro) - enfim, até agora valeram as estrelas, enormes, misteriosas, a ansiar por mais escuridão para poderem brilhar sem estorvos. Amanhã haverá cruzeiro para as que espero sejam as verdadeiras, não fraudulentas, belezas da Grande Barreira de Coral!


Dia 13 - Hamilton Island - Grande Barreira de Coral - Hamilton Island


O cartaz meteorológico no pontão avisava para mar "rough" (um termo que faz "encrespado" parecer irmão de "liso"), ventos de 30 nós, ondas de 3 metros e uma sensação geral de rock-and-roll. Sem mentiras. Esteve um vento danado, com um frio que me fez repescar o kispo do fundo da mala, achando erradamente que o Inverno tinha passado. Claramente, o Inverno tinha chegado, isso sim. O barco era enorme, levava mais de uma centena de pessoas, muitos dos quais chineses (mas deixem-nos de preconceitos: os australianos são os espanhóis do mundo anglófono - que falam muito, alto e demasiado depressa para que os percebamos. Não serão uns pobres chineses a incomodar em tal contexto). A tripulação debitava incentivos à diversão, à compra de excursões dentro da excursão, com invocações incontornáveis de "cool", "great", "amazing", "awesome" e outros lugares-comuns do exagero oco. Também matraqueou conselhos e explicações de como proceder no barco e na água, como se todos tivessem um gravador para repetir depois o que eles tinham dito, a ¼ da velocidade. Vá lá, havia alguma contemplação para com os chineses, que tinham direito a algumas frases traduzidas para eles. O resto do mundo não-anglófono que se lixasse (depois de ter pago, naturalmente). A ida demorou 2h com o barco a bater bem ao cair das ondas. Avistámos algumas baleias pelo caminho. À chegada ao recife, toda a beleza e toda a desilusão desta viagem: a água estava tão agitada que as minhas duas tentativas de fazer snorkelling bateram o record de sempre: nem 2 minutos estive na água. E só consegui ver os peixes que já tinha visto do posto submerso de observação do barco (uma cave com vidro). Também havia um barco semi-submergível de onde se podia ver um lampejo dos corais e onde andei duas vezes, mas não, não era a mesma coisa. Ora, se não é para isto que uma pessoa atravessa o mundo! Nem os camarões à discrição no buffet do almoço (que tirando, os camarões, estava cheio de saladas com muitos molhos) consolariam quem veio para ver peixinhos coloridos debaixo de água. Paciência. O barco partiu deixando vistas divinas sobre os cambiantes de azul do recife - ah, de longe pareciam tão convidativos... No regresso, as ondas pareceram a dobrar. Houve mais baleias. A maré da praia do hotel estava outra vez baixa. E foi assim a minha experiência na Grande Barreira de Coral, que calarei bem calada se quero continuar a vendê-la...