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terça-feira, 28 de maio de 2019

Um guia para cumprimentar alguém em todo o mundo

 de Tyler Moss - adaptado da CN Traveller

A origem do beijo na bochecha, e como evitar dar um faux pas social onde quer que esteja.

Ao contrário de um simples aperto de mão ou abraço, as circunstâncias que justificam o beijo diferem de cultura para cultura: em Espanha, é comum dar um beijo em cada bochecha; em algumas partes do Afeganistão, costuma-se beijar até oito vezes. Assim percebemos que os beijos na bochecha são mais arte do que ciência. Para os viajantes, uma compreensão básica de como isto funciona é essencial - porque o movimento errado pode ofender alguém. Abaixo segue um guia para evitar que seja apanhado desprevenido com um beijo de um local bem-intencionado.

by rawpixel on Pixabay


As origens

No seu novo livro "One Kiss or Two: In Search of the Perfect Greeting", Andy Scott especula sobre a origem da tradição do beijo na bochecha, e remete para o beijo na boca sagrado que está enunciado na Bíblia.
Com o tempo, é possível que esta saudação tenha evoluído para um beijo na bochecha, o que explicaria o porquê de este ser tão popular nos países católicos. Apesar desta prática ser comum também em sítios como o Médio Oriente e a Ásia, é omnipresente na América Latina e na Europa Continental.
Scott diz que este era um costume camponês, que foi adoptado pelas elites quando as classes mais baixas começaram a migrar para as cidades.


A teoria
Não só é importante saber em que ocasião terá de virar as bochechas, mas também perceber quantos beijos esperar. Só na França, o número de beijos varia de região para região, de acordo com uma pesquisa feita em 2014 a 100.000 cidadãos: os parisienses consideram que a norma são 2 beijos, em Provença são 3, e no Vale do Loire são 4. Aqui está o número habitual em alguns países:
Um beijo: Colômbia, Argentina, Chile, Peru, Filipinas
Dois beijos: Espanha, Itália, Grécia, Alemanha, Hungria, Roménia, Croácia, Bósnia, Brasil (apesar de, como na França, o número poder variar de região para região) e alguns países do Médio Oriente (excepto quando é um cumprimento entre sexos diferentes)
Três beijos: Bélgica, Eslovénia, Macedónia, Montenegro, Sérvia, Holanda, Suíça, Egipto e Rússia (acompanhado com um abraço apertado)


A prática
Um beijo, pelo nome, tem diferenças encantadoras - chama-se el beso em Espanha, beijinhos em Portugal, beijos no Brasil e beso beso nas Filipinas - mas a logística é simples: tocar a sua bochecha direita na da outra pessoa antes de se mover para o outro lado. A principal excepção é a Itália, que inicia o beijo pelo lado esquerdo.
Enquanto algumas culturas aplicam mesmo os lábios nas bochechas, é melhor abster-se disso. Em vez disso, toque com as bochechas e beije o ar – com um som suave, e não o bombástico muah! – evitando qualquer troca de saliva. Porquê?
“Alguns diriam por causa do batom”, diz Scott. “Outros diriam para evitar a propagação de germes”. De facto, em 2009, O The Telegraph relatou que muitas instituições francesas proibiram, temporariamente, os beijos na bochecha, para evitar o surto de gripe suína H1N1.


Alguns cuidados
Na América Latina, é normal cumprimentar alguém que acaba de conhecer com um beijo, sendo isso equivalente a um aperto de mão na América do Norte.
“Estranhamente, há uma correlação inversa (em muitos lugares) entre o número de beijos e o quão próximo e íntimo você está com essa pessoa”, diz Scott. “É como se o segundo beijo, de alguma forma, anulasse o significado do primeiro beijo. Em vez de ser um sinal de intimidade, é como um ritual.”
A dinâmica de género também é considerada importante. Na Europa e na América Latina, cumprimentos com beijos entre mulheres e mulheres, e entre mulheres e homens é amplamente aceite. Por outro lado, beijos entre homens e homens não são tão comuns, ocorrendo em lugares como a Argentina, a Sérvia e o sul de Itália. Como seria de esperar, beijos entre homens e mulheres são desaprovados em regiões mais conservadoras, enquanto que um beijo na bochecha entre homens é bem-vinda.
Com estas armadilhas já reveladas, Scott encoraja os viajantes a deixarem-se ir, mesmo no risco de darem um passo em falso.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Roteiro de viagem no Japão (18 dias)


Descubra o Japão pelo roteiro de 18 dias de Filipe Morato do blog Alma de viajante.

O Japão é um país fascinante, diversificado e geograficamente muito vasto. É por isso que planear uma viagem ao Japão é tão difícil. O roteiro proposto tem 16 noites / 18 dias de duração e centra-se no eixo Tóquio – Kanazawa – Hiroshima – Kyoto.


Muito ficou de fora, é certo, mas posso dizer que este itinerário permite conhecer muito do melhor que o país tem para oferecer, a um ritmo equilibrado. Só tenho mesmo pena de não ter ido ao Monte Koya – que, mesmo sem conhecer, aconselho vivamente a incluir no seu roteiro no Japão, especialmente se tiver 14 ou mais dias para dedicar ao país.

Dito isto, encare este roteiro de viagem ao Japão como um ponto de partida para elaborar o seu próprio itinerário, de acordo com os seus interesses e tempo disponível. Vamos a isso!

Dia 1: chegada a Tóquio

O primeiro ramen da viagem, no restaurante Afuri em Harajuku

Cheguei ao aeroporto de Narita, localizado a mais de 60 quilómetros do coração de Tóquio, ao início da noite, razão pela qual nada fiz neste dia. Apanhei o comboio entre Narita e o centro de Tóquio e instalei-me no meu micro apartamento na zona de Harajuku; já passava da meia-noite quando fui comer o primeiro de vários ramen ao Afuri, antes de ir dormir e tentar recuperar do jet lag.

Dia 2: Tóquio (Tsukiji, Ginza, Palácio Imperial)

De manhã cedo, fui visitar o Mercado Tsukiji, tido como o maior mercado grossista de peixe do planeta. 

Depois atravessei o bairro de Ginza em direção ao Parque Hibiya e, sem qualquer planeamento, acabei por aproveitar uma coincidência de horários e integrar uma visita guiada ao Palácio Imperial (que não recomendo).

De regresso à minha base em Harajuku, fui conhecer o café Deus Ex-machina, que viria a ficar entre os meus cafés favoritos em Tóquio. Para terminar, segui a pé até Shibuya para jantar, sentir a cidade de Tóquio à noite e vislumbrar o famoso cruzamento. Foi um dia muito preenchido e extenuante.

Dia 3: Tóquio (Asakusa, Ueno, Shimokitazawa)

De manhã, aproveitei para caminhar pela zona residencial de Omotesando, um bairro bem tranquilo de que gostei muito. O objetivo era conhecer mais um café que tinha referenciado e depois apanhar o metro para Asakusa, onde visitei o demasiado movimentado Templo Senso-ji.

Estando na parte leste da cidade, aproveitei para conhecer o Parque Ueno e, num impulso, acabei por visitar uma zona menos conhecida de Tóquio chamada Yanaka. Ia à procura do lado mais tradicional da capital japonesa (depois de ler uma caixinha de texto num guia de viagens), mas acabei desiludido.

Foi então que, aproveitando a excelente rede de metro de Tóquio, continuei para Shimokitazawa, o bairro vintage de Tóquio – seguramente um dos bairros mais interessantes da capital japonesa.

Longe de terminado, o dia ainda me reservava duas experiências que a todos recomendo. Para jantar, fui comer yakitoris ao chamado Piss Alley, junto à estação de Shibuya; e, depois, houve ainda tempo para ir beber um copo a Golden Gai, a área mais surpreendente da movida de Tóquio. Só então chegou a hora de descansar para a visita a Nikko, programada para o dia seguinte.

Dia 4: Daytrip a Nikko

Gojūnotō, o pagode de cinco andares do complexo de templos de Nikko
Dia quase inteiramente dedicado a visitar Nikko e o seu complexo de templos classificado pela UNESCO como Património Mundial no Japão.

De regresso a Tóquio, tive ainda tempo para conhecer Akihabara, a meca da eletrónica e do anime, onde me impressionei com as pachinko e visitei a incrível loja Mandarake. É outro mundo!

Nota: Apesar da viagem ser mais longa, comprei o Japan Rail Pass apenas para 14 dias e, contas feitas, decidi não o usar no início da viagem. Ativei-o para ser válido a partir deste dia e, assim, usei-o desde este momento até terminar a viagem, no aeroporto de Osaka. Só não o tive disponível, portanto, para a viagem do aeroporto de Narita para Tóquio e para o metro nos primeiros dias.

Dia 5: Tóquio

Convidados usando o tradicional kimono num casamento que presenciei no Templo Meiji Jingu, Tóquio.

Tinha deixado para um domingo a exploração da zona de Harajuku, muito especialmente o Parque Yoyogi e toda a área envolvente. É o dia em que as cosplay se juntam em Harajuku!

Neste dia, assisti a múltiplos casamentos no Templo Meiji Jingu; percorri a Rua Takeshita, apreciando as cosplay afirmando a sua individualidade; fui tomar café ao Little Nap Coffee Stand, seguramente um dos melhores cafés de Tóquio (pelo menos para mim); passeei no Parque Yoyogi de manhã e de tarde, apreciando a diferente “fauna” que o frequenta; e tive ainda oportunidade de percorrer a Avenida Omotesando e de experimentar um restaurante vegetariano divinal.

Dia 6: Jigokudani e Matsumoto
Não estava originalmente nos planos mas, à última hora, acabei por decidir visitar os macacos das neves de Jigokudani. Queria formar opinião sobre essa “atração”.

Para isso, acordei muito cedo e segui de comboio de Tóquio para Nagano. Mesmo em frente à estação de comboios de Nagano, apanhei um autocarro até perto do parque Jigokudani, onde todas as manhãs os macacos das neves se banham nas águas quentes da região.

Depois regressei a Nagano, onde almocei uma deliciosa soba e parti novamente de comboio para Matsumoto. Estava cansado, pelo que apenas deu para um passeio noturno em busca de um local para jantar e pouco mais.

Dia 7: Matsumoto e ryokan nos Alpes Japoneses

O principal motivo da minha passagem por Matsumoto era visitar o seu castelo, tido como um dos mais importantes do Japão. Foi o que fiz durante a manhã.

À tarde, rumei de autocarro a Okuhida Onsen, onde vivenciei uma das experiências mais aguardadas desta viagem: pernoitar num ryokan com onsen (águas termais) privativo e provar uma refeição ao melhor estilo kaiseki. Uma experiência que, não sendo barata, aconselho vivamente pelo menos uma vez na vida.

Dia 8: Takayama

No dia seguinte, com a alma e o estômago deliciados pelo pequeno-almoço tomado no ryokan, apanhei novo autocarro para Takayama, uma cidade com um mercado matinal muito interessante (estava quase a fechar quando cheguei) e uma zona histórica repleta de casas tradicionais de madeira, que explorei tranquilamente. E assim passei a tarde, passeando pelas ruas charmosas de Takayama.

Dia 9: Shirakawa-go


Queria conhecer as casas de arquitetura de estilo gassho-zukuri, típicas das aldeias das regiões alpinas de Shirakawa-go e Gokayama.

Para tal, de manhã apanhei um autocarro desde Takayama para Ogimachi, a principal aldeia de Shirakawa-go. Deixei a mochila na pequena estação de camionagem e fui explorar a aldeia; de permeio, entrei por casualidade num restaurante local onde desfrutei de uma das melhores refeições do Japão.

Ao início da noite, um novo autocarro deixou-me no coração da cidade de Kanazawa. Antes de recolher ao fantástico hotel onde dormi, tive ainda tempo para a primeira de duas refeições absolutamente memoráveis em Kanazawa.

Nota: para uma experiência mais enriquecedora, considere a hipótese de dormir numa das aldeias de Shirakawa-go ou Gokayama.

Dia 10: Kanazawa

Havia muitas coisas que queria ver e fazer na cidade e, por isso, o dia começou cedo. Visitei o fantástico Mercado Omicho e comi sushi e ostras; parei num café delicioso para descansar; vi as exposições dos museus de Arte Contemporânea e D. T. Suzuki; conheci um dos jardins mais famosos do Japão; percorri as ruelas do pequeno mas bem arranjado “bairro das gueishas“; e ainda me deliciei com outra daquelas refeições dos deuses. Foi um dia perfeito em Kanazawa.

Depois de tudo isto, Kanazawa entrou com toda a facilidade para o meu top dos melhores destinos do Japão. Pareceu-me, inclusive, uma boa cidade para se viver no Japão.

Dia 11: Castelo de Himeji e Hiroshima

Beneficiando do Japan Rail Pass, subi a bordo de um Shinkansen – os comboios-bala japoneses – que me levou de Kanazawa a Himeji. O objetivo era pernoitar em Hiroshima mas, a caminho, aproveitar para visitar o Castelo de Himeji. Tido como um dos mais emblemáticos castelos japoneses e classificado pela UNESCO como Património Mundial do Japão, o Himeji não desiludiu.

Após a visita e um almoço retemperador, apanhei novo comboio para Hiroshima, onde ainda tive tempo de provar uma okonomiyaki num estranho e claustrofóbico complexo dedicado unicamente a esta iguaria da gastronomia nipónica.

Dia 12: Hiroshima e Miyajima

Manhã cedo, passei diante do Memorial da Paz e fui de seguida visitar o Museu da Paz de Hiroshima, que retrata o lançamento da primeira bomba atómica com uma crueza dolorosa. É uma experiência dura e emotiva, que recomendo a todos. Incluir ou não Hiroshima no itinerário tinha sido uma das grandes dificuldades do planeamento da viagem ao Japão. Mas ainda bem que o fiz.

Depois disso, e ainda de manhã, rumei à ilha de Miyajima para conhecer um pouco da ilha e o famoso torii gigante.

De regresso a Hiroshima, peguei na bagagem no hotel-cápsula e apanhei novo Shinkansen rumo a Kyoto – último destino da viagem -, onde cheguei já ao anoitecer.

Nota: se tiver tempo, considere a hipótese de dormir em Miyajima e seguir viagem no dia seguinte.

Dia 13: Kyoto (Arashiyama, Mercado Nishiki, Pontocho e Gion)

A primeira manhã foi dedicada a conhecer a belíssima zona de Arashiyama. Atravessei a famosa floresta de bambu, absorvi o ambiente tradicional do bairro de Arashiyama e fui conhecer o mais bizarro templo de Kyoto. Depois de almoçar, sem sair de Arashiyama, explorei o muito visitado Templo Tenryu-ji.

Segui depois para o centro de Kyoto com o objetivo de visitar o muito apelativo Mercado Nishiki. Já a tarde ia alta quando, por sugestão de um habitante local, fui conhecer a peculiar Pontocho, uma das mais bonitas ruas de Kyoto, onde escolhi um pequeno restaurante tradicional para jantar.

Já de noite, explorei tranquilamente Gion, o bairro das geishas de Kyoto, antes de regressar a Arashiyama, onde estava alojado. Era uma semana em que a floresta de bambo estava iluminada a partir do final da tarde, razão pela qual acabei por voltar para presenciar esse espetáculo de luz que transformava por completo a “floresta”.

Dia 14: Kyoto

Dia de pausa, em que aproveitei para adiantar alguns textos para o Alma de Viajante. O tempo estava chuvoso, perfeito para não fazer nada. Com o cansaço acumulado de duas semanas intensas a explorar o Japão, estava a precisar de parar um pouco e descansar fisicamente.

A meio da tarde, fui para o centro de Kyoto, regressando ao Mercado Nishiki para provar algumas iguarias em falta. Para além de um magnífico ramen sorvido no Ipuddo, foi a única coisa digna de registo que fiz neste dia.

Dia 15: Nara

Dia dedicado a visitar Nara, que fica a sensivelmente duas horas de viagem de comboio a partir de Kyoto. Não fiquei apaixonado por Nara mas, incluí-la no roteiro de viagem ao Japão foi, ainda assim, uma decisão acertada. Ao final da tarde, optei por regressar ao apartamento em Kyoto, comer em casa e preparar os próximos passos.

As previsões meteorológicas anunciavam um dia seguinte bem mais soalheiro, razão pela qual o reservei para visitar algumas das maiores atrações de Kyoto. Seria, de novo, um dia muito exigente.

Dia 16: Kyoto (Templo Dourado, Fushimi Inari, Kiyomizu Dera)

Dia intensíssimo para explorar o que ainda me faltava de Kyoto. Ainda antes das bilheteiras abrirem, estava já à porta do Templo Kinkaku-ji, ou Templo Dourado, localizado no extremo noroeste da cidade. Não muito longe ficava o Templo Ryoan-ji, cujo jardim zen fiz também questão de visitar. 

Ambos estão entre os melhores templos de Kyoto.

De seguida, atravessei a cidade para o extremo oposto, seguindo de comboio rumo a Inari, onde me delonguei pelos trilhos entre torii do Fushimi Inari. Ainda com energia, decidi dar uma oportunidade ao Templo Kiyomizu Dera – e ainda bem que o fiz. Foi uma das maiores surpresas da minha visita a Kyoto.

Deixando Kiyomizu Dera para trás, caminhei pelas ruas tradicionais envolventes. É uma zona recheada de casas de madeira muito bonitas, de arquitetura tradicional, que a todos recomendo. Foi por aí que avistei uma ou outra maiko – aprendiz de geisha – impecavelmente vestida e maquilhada (note que há turistas japonesas vestidas de maiko, mas a atitude de menor recato denuncia o embuste). Para terminar, parei no 100% Arábica, um pequeno café de culto de Kyoto. Foi um dia perfeito, quase a terminar este roteiro de viagem no Japão.

Dia 17: Osaka

Como tinha voo ao final do dia, decidi conhecer um pouco da cidade de Osaka. Infelizmente, estava um temporal medonho, com muito vento e frio, razão pela qual acabei por não aproveitar tão bem como tinha idealizado. Ainda assim, deu para ficar com uma boa ideia da zona de Dotombori, onde passei boa parte da tarde.

(Dia 18: viagem de regresso)
Dia passado a bordo de dois aviões de regresso a Portugal.

Fonte: Alma de viajante | Veja o artigo completo aqui.



quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Sibiu, onde os telhados têm olhos

Desvende a cidade "onde os telhados têm olhos" pela voz de Filipe Morato do blog Alma de viajante.


Organizada em torno de três praças literalmente chamadas de Praça Muito Pequena, Praça Pequena e Praça Grande -, a Cidade Alta é o centro nevrálgico de Sibiu. É lá que se concentra a maior parte dos monumentos e atrações urbanas.

Pelas suas dimensões – terceira maior cidade da Transilvânia -, Sibiu poderia ter perdido o charme típico das cidadezinhas medievais da Transilvânia. Não é, felizmente, o caso. Talvez por ser um dos centros universitários mais importantes da Roménia, Sibiu não é uma cidade de fachada, à espera dos turistas. Sibiu tem alma.

Encontrei, pois, uma cidade jovem, voltada para as artes, a pulsar de criatividade e culturalmente vibrante. E isso torna-a fascinante. Se eu já tinha ficado encantado com a beleza de Sighisoara – a “pequena pérola da Transilvânia” -, Sibiu é porventura ainda mais especial.

A minha visita a Sibiu


Eu cheguei a meio da tarde de um dia soalheiro e, após um curto descanso, fui explorar a cidade. Por coincidência, nos dias em que visitei Sibiu, aliás, estava a decorrer o Festival Internacional de Teatro de Sibiu, tido como um dos maiores festivais de teatro do planeta.

O ambiente era, por isso mesmo, de festa. Mas, por causa do festival – que sem dúvida alegrava o centro histórico de Sibiu -, havia palcos, grades, instalações artísticas e estruturas publicitárias nas diversas praças. E isso retirava beleza ao espaço público. Nada a fazer. Era o preço a pagar pela animação cultural que se vivia em Sibiu em tempos de festival.


Pela positiva, esse excesso de estruturas foi também um pretexto para me afastar da Praça Grande e da Nicolae Balcescu – a principal artéria pedonal do centro, bastante larga e com restaurantes, geladarias e múltiplas esplanadas sempre cheias – e apreciar a arquitetura tipicamente germânica das ruas mais pequenas e aproveitar para descer até à chamada Cidade Baixa, ali ao lado.

Unidas por artérias como a pitoresca Pasajul Scarilor (Passagem das Escadas), as duas partes da velha Sibiu – a Cidade Alta, com as suas igrejas e monumentos históricos, e a Cidade Baixa, com pracinhas acolhedoras e ruelas pavimentadas com pedras – são o epicentro de um povoado fundado há mais de 800 anos por colonos alemães, conhecidos como Saxões da Transilvânia. Felizmente, boa parte desse património arquitetónico mantém-se de boa saúde.


Sibiu escapou a boa parte da destruição provocada pelas grandes guerras; tal como escapou aos planos urbanísticos de Nicolae Ceausescu que fizeram desaparecer muito do património edificado noutras partes da Roménia. Mais recentemente, beneficiou com a nomeação para Capital Europeia da Cultura (2007), oportunidade aproveitada para reabilitar o riquíssimo património arquitetónico da velha Sibiu.

E a verdade é que há muito para desvendar e observar e contemplar.

Mesmo as coisas simples, como os “olhos de Sibiu”. Arquitetonicamente falando, o facto das janelas dos sótãos das velhas residências parecerem ter olhos foi uma das coisas mais curiosas e fascinantes em que reparei enquanto caminhava a pé pelas ruas de Sibiu. Como se estivessem a observar tudo o que se passa à sua porta. Literalmente.

A luz matinal de Sibiu


No segundo e último dia em Sibiu, acordei muito cedo para fotografar o amanhecer na cidade.
Conscientemente, não visitei nenhum museu, igreja ou o que fosse. Vagueei, simplesmente, pelo ambiente medieval do centro histórico da belíssima cidade de Sibiu. Sentei-me nos bancos da Praça Grande, conheci cafés como o Arhiva de Cafea si Ceai, deixei-me estar, desfrutando do ambiente descontraído sem pressas nem planos. A luz estava mágica, e dei por muito bem empregue a urgência matinal.

Horas depois, enquanto seguia de autocarro para Alba Iulia, só pensava como às vezes, ainda hoje, os locais me surpreendem. E isso sabe tão bem…

Sim, cheguei a Sibiu sem grandes expectativas e saí de lá conquistado. Tenho aliás para mim que é das cidades mais cativantes da Transilvânia.


Fonte: Alma de viajante | Veja o artigo completo aqui.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Dicas de Malta: Tudo o que precisa saber para organizar a sua viagem


Gostava de viajar até malta mas quer umas dicas de quem por lá já passou? Veja as dicas da Alma de viajante pelas palavras de Filipe Morato.

Planear uma viagem a Malta não é tarefa de grande complexidade mas, ainda assim, há algumas dicas de Malta que em muito contribuirão para uma viagem sem percalços. Falo, nomeadamente, de como chegar; da melhor época para visitar; dicas para usar os transportes locais; informações sobre a melhor região para se hospedar; e muitas outras dicas úteis. Vamos a isso.



Dicas de viagem a Malta

Regime de entrada
Malta faz parte do Espaço Schengen e, como tal, os cidadãos portugueses apenas precisam do cartão de cidadão para entrar no país. Não é, pois, necessário passaporte (e muito menos um visto de entrada).

Quando ir


Comino, Malta
Lagoa Azul, em Comino, no mês de maio (imagine como será em agosto!)
Uma das mais importantes dicas de viagem a Malta que posso dar é evitar o verão. Principalmente os meses de julho e agosto (mas também junho, se possível). Isto porque o turismo tem sofrido um grande incremento nos últimos anos e é manifestamente exagerado no pico do verão.

Em resumo, se prefere evitar as multidões e quer ter alguma hipótese de ser bem atendido em restaurantes, não passar horas preso no trânsito e, claro, gastar menos dinheiro, opte pelos meses de primavera e outono (ou fim do inverno). Não vai encontrar Malta vazia, mas pelo menos fará uma viagem mais tranquila.

Como chegar a Malta

Desde o segundo trimestre de 2018 que a forma mais cómoda e barata de chegar a Malta a partir de Portugal é usando os voos diretos da low cost Ryanair (do Porto) e da Air Malta (de Lisboa). Eu paguei 70€ por um bilhete de ida e volta entre Porto e Malta, comprado com alguma antecedência e, principalmente, tendo flexibilidade de datas – regra fundamental do post como comprar voos baratos.

Para ir do aeroporto de Malta para Valletta, saiba que há autocarros relativamente frequentes. Uma viagem de táxi ronda os 20€.

Dinheiro

A moeda de Malta é o Euro e, por isso, em teoria bastaria levar cartões bancários para levantar dinheiro nos muitos ATM existentes pelas ilhas. Tome, no entanto, atenção que isso pode ter custos desnecessários. Isto porque alguns bancos locais cobram taxas pela utilização das máquinas de levantamento automático – pelo que recomendo que leve uma parte do dinheiro em notas, para diminuir as eventuais taxas a pagar. Até porque Malta é um país muito seguro.

Transportes em Malta


Dica de Malta: mapa de transportes
Mapa de autocarros nas ilhas de Malta e Gozo (clique para aceder ao mapa em grande formato)
Para quem não gosta de alugar carro, saiba que em Malta os transportes públicos são abundantes. Há autocarros a percorrer as ilhas de Malta e Gozo, a preços acessíveis; vale a pena visitar o site oficial dos transportes públicos de Malta para consultar o mapa de rotas (imagem acima).

O único senão é o facto do intervalo entre eles, em algumas linhas, ser de 30, 45 ou mesmo 60 minutos, especialmente ao fim de semana. Apesar disso, recomendo sem hesitar que use os transportes públicos durante o seu roteiro de viagem em Malta. Foi o que eu fiz.

Cartão Tallinja Explore

Dica: Cartão Tallinja Explorer
Assim, caso decida viajar de transportes públicos em Malta, saiba que há um cartão chamado Tallinja Explore que permite viagens ilimitadas durante sete dias nos autocarros das ilhas de Malta e Gozo. Recomendo vivamente, pelo descanso que proporciona e pelo dinheiro que poupa (custa apenas 21€).

Note que há um outro cartão, chamado Tallinja Explore Plus, que inclui por exemplo a utilização dos autocarros turísticos hop on – hof off, mas os 39€ não compensam. Use o Tallinja Explore!

Para comprar o Tallinja Explore, basta dirigir-se a um revendedor oficial, seja à chegada ao aeroporto, seja no terminal de autocarros de Valletta (junto à fonte Triton).

O que fazer

Veja os posts com 10 coisas imperdíveis a visitar em Malta e, mais importante, o meu roteiro de 7 dias em Malta. Neles encontra muita inspiração e dicas úteis sobre o que visitar no destino (incluindo nas ilhas de Gozo e Comino).

Passe para visitar museus e património arqueológico
Para quem pretender visitar muitos museus e locais arqueológicos, saiba que existe um passe chamado Heritage Malta Multisite Pass que pode – ou não – compensar. Custa 50€ e dá acesso à maioria dos locais classificados pela UNESCO como Património Mundial em Malta, incluindo os principais templos megalíticos de Malta. Lamentavelmente, o passe não permite visitar o Hipogeu.

Eu não comprei o passe, mas faça as contas e veja se compensa. Custa 50€ e é válido para 30 dias (sendo por isso mais útil para quem ficar bastante tempo em Malta).

Onde ficar
Para compreender melhor a dinâmica da ilha, sugiro que espreite as minhas sugestões detalhadas sobre onde ficar em Malta, que incluem recomendações sobre a melhor zona da ilha para se hospedar em função do seu estilo de viagem.

Dessa lista, eis alguns dos hotéis que recomendo sem reservas na ilha de Malta: em Valletta, a agradável Casa Lapira e o carismático Tano’s Boutique Guesthouse; nas Três Cidades, os acolhedores bed & breakfast Julesy’s, Nelli’s e Casa Birmula, ou ainda o mais simples No. 17 Birgu; e, por fim, em Sliema, o Backstage Boutique Townhouse e o fantástico Two Pillows Boutique Hostel.

Dito isto, não deixe de ficar uns dias em Gozo (vale mesmo a pena). Sugiro os excecionais The Duke Boutique Hotel e Casa Gemelli Boutique Guesthouse (não são baratos, mas são fan-tás-ti-cos); ou os amorosos Ikhaya Lami e Anna Karistu. Alternativamente, se prefere o ambiente rural de uma quinta tradicional maltesa, dificilmente encontrará melhor relação qualidade/preço do que na Tavern Farmhouse.

Fonte: Alma de viajante | Veja o artigo completo aqui.



segunda-feira, 23 de julho de 2018

Montenegro pelas palavras de quem por lá passou


A Ana Oliveira Lopes, co-autora do blogue: “O que acontece em Oeiras, fica em Oeiras" foi ao Montenegro. Quer saber tudo sobre este destino pela voz de quem por lá passou?


Fomos ao Montenegro. Um destino improvável, longe das sugestões habituais. Mas estava nas sugestões do Lonely Planet como destinos a considerar. E uma amiga-viajante sugeriu. Por isso nós, que somos fáceis de convencer, lá fomos.

O Montenegro é um país de contrastes. Mar vs Montanha. Herança vs Futuro. Revisitei a minha viagem ao Montenegro e aqui está ela. Viajar pela mente e memória também é viajar.

Por onde andámos, o que achamos que não se deve perder e uma parte do que vimos. Não sei se irei voltar, o Mundo é demasiado imenso. 

Mas fui feliz na imensidão pequena que é o Montenegro. Só vos resta ir por conta própria, viver as vossas experiências e fazer os vossos registos. E contem-me como foi!

Fonte: O que acontece em Oeiras fica em Oeiras. Artigo original aqui.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Astana: A capital mais estranha do mundo


De acordo com o P3, Astana é atualmente considerada como a capital "mais estranha" do mundo. Veja neste artigo, quais os motivos para esta curiosa designação.


 Onde hoje assenta a capital do Cazaquistão, Astana, nada existia há apenas 20 anos. Em 1997, o (ainda) presidente Nursultan Nazarbayev ordenou a transferência da capital do país para uma nova urbe, que deveria ser construída de raiz para o efeito, argumentando não ser do seu agrado a proximidade de Almaty — a antiga capital — com a fronteira chinesa. O local por ele indicado para a construção da nova metrópole seria o centro de uma vastíssima extensão de estepe, no Norte do país, onde não havia vestígio de presença humana.

Astana brotou expressivamente da terra, rugindo cimento, metal e vidro luzente, no espaço de poucos anos. Muitos milhares de milhões de dólares provenientes da receita da extracção de petróleo, o principal sustento da economia cazaque, deram forma ao plano director municipal delineado pelo japonês Kisho Kurokawa, que se baseou numa tese filosófica de desenvolvimento urbanístico criada pelo próprio: a chamada “arquitectura de simbiose”. Kurokawa faleceu em 2007 deixando para trás um plano que deveria ficar concluído apenas em 2030; entretanto, o projecto já sofreu inúmeras alterações que nem sempre vão ao encontro do que foi delineado pelo arquitecto nipónico.

Apesar da ínfima população de 16 milhões — tendo em conta a área do país, que corresponde a 30 vezes a área de Portugal continental – e da enorme margem de lucro do Estado, proveniente da exportação do barris de petróleo e de gás natural, a riqueza não chega a todos os habitantes do Cazaquistão. Em Astana, torna-se claro o motivo por que tal se verifica. O investimento público é estonteante e a abundância e a opulência são uma linguagem omnipresente no tecido urbano da cidade. O fotógrafo israelita Tomer Ifrah, o autor da série Planned City, contou ao P3, em entrevista, que “caminhar nas ruas de Astana é surreal”. “Por um lado, a arquitectura é exuberante, os edifícios são grandiosos, os centros comerciais são colossais, mas, ao mesmo tempo, há um silêncio solene em todos os locais. Por vezes, caminhava em partes da cidade onde não via absolutamente ninguém na rua.” Ifrah descreve a capital do Cazaquistão como "uma estranha combinação entre extravagância e silêncio", como um gesto de um grito inaudível. O fotógrafo esteve em Astana em Julho e Outubro de 2017 e confessa ter sido seduzido pela ideia de uma cidade construída de raiz a partir de um plano director, como Washington D.C., Camberra ou Brasília.

Astana foi construída com o intuito de se tornar um exemplo de excelência urbanística; um exemplo de sofisticação, de vanguardismo. Frank Albo, historiador de arquitectura e autor do livro Astana: Architecture, Myth and Destiny, descreve a cidade da seguinte forma: “Vê-se uma mistura de pós-modernismo com correntes de arte da Ásia Central, toques de decoração muçulmana, de barroco russo, de neoclassicismo e orientalismo, todas combinadas numa espécie de Las Vegas meets Disneyland sob influência de esteróides nacionalistas.” A cidade está repleta de arranha-céus — o maior encontra-se em construção, terá 88 andares e um caminho-de-ferro privativo para o aeroporto. Por outro lado, existem também referências claras ao passado e à tradição nómada na arquitectura local: o centro comercial Khan Shatyr, por exemplo, foi desenhado pelo arquitecto inglês Norman Foster com o intuito de aludir às tendas dos nómadas cazaques. Por dentro, ao invés, é um edifício luxuoso que contém uma praia artificial cuja areia foi importada das ilhas Maldivas.

As viagens do fotógrafo Tomer Ifrah podem ser acompanhadas através da sua conta no Instagram. 


Fonte: P3. Artigo original aqui.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

As mais curiosas invenções premiadas no A' Design Awards

A A’ Design Award divulgou os vencedores de 2016-2017, com uma lista de invenções de todos os pontos do globo. Os projetos apresentados a concurso incluem áreas como mobília, packaging ou arquitetura. Apresentamos-lhe em seguida as propostas mais curiosas. 

Fonte: boredpanda.com 

O sutiã anti-roubo 


Fonte das imagens: https://competition.adesignaward.com/design.php?ID=57446


O TravelBra apresenta-lhe bolsos que lhe permitem armazenar dinheiro ou passaporte e cartões importantes. Há ainda pequenos bolsos que lhe permitem ainda ter a chave do quarto do hotel ou jóias. O sutiã não tem underwire, é anti-odor tratado e super macio. A designer do projeto é de uma antropóloga e já viajou para imensos sítios com pouca segurança e sem multibancos por perto. Pode visitar a página do projeto aqui.

A mala de viagem que anda sozinha


Fonte das imagens: https://competition.adesignaward.com/design.php?ID=55645


A Gita é veículo robot inteligente que permite aumentar as capacidades de carregamento de uma pessoa. O mais interessante neste projeto é a combinação de engenharia e performance num design único e sofisticado. A empresa-mãe do produto é a fabricante da lendária Vespa e a Gita é inspirada por esta herança. Este projeto surgiu pela análise das tendências em mobilidade e as necessidades das pessoas que não eram correspondidas. O foco do projeto é aumentar as capacidades do ser humano e não substituí-las. Pode visitar a página do projeto aqui

Entre outras invenções curiosas que foram reconhecidas temos os copos de café que indicam a temperatura, cadeiras multifuncionais que acompanham o crescimento das crianças até à fase adulta ou um secador de guarda-chuvas numa paragem de autocarros. 

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

FELIZ ANO NOVO



A TravelTailors deseja-lhe um Feliz Ano Novo, e um 2014 cheio de viagens!

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Receita Típica da Lituânia: OVOS RECHEADOS COM COGUMELOS


Ingredientes:
8 ovos
5 partes de cima dos cogumelos
1 taça de cogumelos cozidos laminados
1 taça de natas
100g de manteiga
Cebolinho
Sal e pimenta q.b

Preparação:
Coza 7 ovos.
Descasque 5 ovos, retire o topo e a gema.
Frite as partes de cima dos cogumelos em manteiga.
Misture os outros 2 ovos cozidos finamente cortados com as 5 gemas cortadas.
Adicione um ovo batido e os cogumelos laminados.
Misture bem e frite em manteiga durante 10 minutos.
Recheie os 5 ovos com esta mistura.
Coloque os 5 topos de cogumelos sobre os ovos.
Coloque os ovos num prato e cubra com as natas, o cebolinho picado e um pouco de sal.
Acompanhe com pão tostado.

Conheça a Lituânia.